Agrupamento da Gafanha da Nazaré vence Grande Prémio Energy Up

Foram cinco os vencedores do prémio da Fundação Galp que distingue projetos de mobilidade sustentável

Comemora-se hoje, dia 29 de maio, o Dia Nacional da Energia, uma data celebrada há cerca de quatro décadas com o objetivo de sensibilizar a sociedade para a necessidade de se desenvolverem estratégias sustentáveis de eficiência energética, tema cada vez mais na ordem do dia. Aproveitando esta efeméride, a Fundação Galp anunciou esta semana os cinco projetos vencedores do Prémio Escola Energy Up, que tem como principal objetivo reconhecer, incentivar e divulgar boas ideias na área da eficiência energética que possam contribuir para a mudança de comportamentos.

A Fundação Galp é uma instituição privada sem fins lucrativos, que assumiu, com a sua criação em 2009, determinados objetivos de responsabilidade social ligados às comunidades onde se insere. Um dos pilares em que assenta a sua intervenção é o da educação para a sustentabilidade e proteção do planeta, através do Programa Future Up, e, desde 2010, já envolveu mais de 1,7 milhões de alunos e professores em inúmeras escolas do país. Foram dadas mais de 5 mil horas de aulas relacionadas, por exemplo, com as energias renováveis, com a produção e consumo sustentáveis, com a proteção climática e a vida marinha. Para os próximos cinco anos, este programa prevê chegar a cerca 2650 escolas, a mais de 75 mil alunos, envolvendo 240 sessões educativas sobre energia.

Para reconhecer e divulgar as boas práticas nas comunidades escolares, a Fundação instituiu o Prémio Escolas Energy Up, apoiada pelos seus parceiros institucionais, a Agência para a Energia (Adene), a Agência Portuguesa do Ambiente (APA), a Direção-Geral de Educação (DGE) e a Direção-Geral de Energia e Geologia (DGEG), aos quais se juntaram, neste ano, a EI - Energia Independente, do universo Galp e a Quercus-Associação Nacional de Conservação da Natureza. "O nosso objetivo é premiar e dar visibilidade a soluções sustentáveis e inovadoras, que sejam um exemplo para toda a sociedade em matéria de sensibilização ambiental e que sublinhem a importância de uma utilização responsável dos recursos energéticos do nosso planeta", explica Sandra Aparício, responsável pela Fundação Galp. Para a responsável, em tempos de pandemia, este prémio ganha uma importância acrescida, assumindo-se como um estímulo adicional para que a comunidade educativa continue a investir na sua sustentabilidade energética e para que continue a desafiar os alunos a serem parte ativa desta missão.

Assim, depois de avaliadas as 60 candidaturas, o júri (constituído pela Fundação Galp e pelos seis parceiros) decidiu atribuir o Grande Prémio ao projeto SmartAir, apresentado pelo Agrupamento de Escolas da Gafanha da Nazaré, no distrito de Aveiro, que se destacou entre dezenas de propostas recolhidas de norte a sul do país. Braga foi o distrito que apresentou mais candidaturas, com cerca de 10 projetos, seguido pelo Porto com 9, Lisboa com 8 e Faro com 7 candidaturas. Esta candidatura arrecadou assim a pontuação mais alta, depois de devidamente analisada em cada uma das vertentes: adequação em matéria de sustentabilidade, inovação e impacto na mudança de comportamentos, envolvimento da comunidade educativa e sustentabilidade futura.

O Smart Air promove a mobilidade sustentável, sensibilizando os cidadãos do município para o uso de bicicletas, realizando campanhas de sensibilização e pressionando para a melhoria dos acessos para o uso de meios não poluentes. Esta sensibilização é ainda sustentada por uma avaliação dos níveis de poluição atmosférica, com a criação de kits de medição de CO2, alimentados a energia renovável, através de um painel solar incorporado. Este kit, dotado de um sensor, comunica por radiofrequência com o sensor central e os dados sobre emissões de CO2 ficam registados no site da escola, que todos podem consultar. O júri considerou que este projeto estava bem estruturado, com um plano de ação para o futuro detalhado, envolvendo a população - a criação de kits de medição já vai na segunda edição - e é ainda apoiado por consultores externos. Este agrupamento de escolas beneficiará da instalação de painéis solares, um prémio no valor de 20 mil euros, patrocinado pela EI-Energia Independente, empresa especializada no autoconsumo solar fotovoltaico no âmbito da geração distribuída.

Árvore Solar para carregamentos

O segundo premiado foi o projeto Árvore Solar, apresentado pelo Agrupamento de Escolas de Monserrate, em Viana do Castelo, que consiste na instalação de uma estrutura em forma de árvore com seis painéis fotovoltaicos que permite fazer, através de um banco de jardim, instalado na escola, o carregamento de dispositivos eletrónicos com recurso a energia solar. A divulgação e a manutenção do equipamento, que já se encontra em funcionamento, está a cargo dos próprios alunos do curso de Mecatrónica, respondendo assim a um problema diário identificado pela comunidade escolar. Esta inovação receberá um apoio por parte da Fundação Galp no valor de dois mil euros para projetos escolares na área da transição energética ou inovação.

Agrupamento de Escolas Padre João Coelho Cabanita, de Loulé, recebeu a terceira distinção, que beneficiará de um valor de mil euros em apoios destinados igualmente a projetos de eficiência energética. Designado de Comunidade Energética Escolar, este incide sobre a sensibilização e promoção da transição energética e a descarbonização do parque escolar através da produção fotovoltaica para autoconsumo e da venda do excedente à rede elétrica. Esta central também permite saber qual a poupança energética em tempo real e os alunos aprendem, simultaneamente, sobre eficiência energética. Este projeto resultou de uma parceria entre a escola, a Câmara Municipal de Loulé e a Agência Regional de Energia e Ambiente do Algarve. O júri considerou este um trabalho muito completo, pois está desenhado para ser extrapolado para outros equipamentos escolares.

Foram ainda distinguidos mais dois projetos, O futuro está no presente, promovido pelo Agrupamento de Escolas Cardoso Lopes, na Amadora, e o Luz verde, do Instituto Nun"Alvres, em Santo Tirso, que serão presenteados com uma ação de sensibilização ambiental ministrada pela Quercus. O projeto O futuro está no presente consiste na promoção de ações práticas de intervenção nas estruturas físicas da Escola, como instalação de painéis solares para aquecimento da água dos balneários, instalação de lâmpadas LED e de ações de caráter teórico para sensibilizar a comunidade escolar e não só, pois envolve parcerias com a autarquia e outras entidades.

No projeto Luz verde foi criado um protótipo, já em uso no pavilhão desportivo, para a integração do quadro elétrico que regula remotamente a intensidade de luz de uma sala, conforme as suas necessidades. Os próprios alunos identificaram que havia desperdício energético e demasiada luz artificial, e lançaram mãos à obra para encontrar uma solução em parceria com entidades externas. Trata-se de um projeto disruptivo na abordagem à manutenção contínua, de forma a obter a melhor eficiência energética possível. O Prémio Energy Up atribuiu ainda uma menção honrosa ao Colégio dos Plátanos, na Rinchoa, Sintra, pelo melhor pitch apresentado. Trata-se da apresentação de um projeto, impulsionado pelos próprios alunos, de sensibilização e divulgação da eficiência energética entre a comunidade escolar.

Segundo a Fundação Galp e os jurados envolvidos na análise, os projetos apresentados estiveram muito equilibrados entre campanhas de sensibilização, aquisição de equipamentos e estratégia combinada. Cerca de 77% já estão em execução e 5% apresentam protótipos ou estão em fase piloto. Perto de 92% dos projetos candidatos têm a sua continuidade assegurada e 57% apresentam soluções inovadoras, dos quais 37% são soluções disruptivas.


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