Revolução 4.0

Aprovisionamento sustentável como base de inovação

Palhinhas comestíveis Sorbos.
Maria João Gala / Global Imagens
Palhinhas comestíveis Sorbos. Maria João Gala / Global Imagens

Sustentabilidade nas cadeias de aprovisionamento vai ser tema de debate no 9.º Encontro PME Inovação, na segunda-feira.

Organizado conjuntamente pela Cotec Portugal e pela Câmara da Póvoa do Varzim, o 9 Encontro PME Inovação, a decorrer já esta segunda-feira no Cine-Teatro Garrett da Póvoa do Varzim, vai ter a sustentabilidade nas cadeias de aprovisionamento como principal tema em debate. O encontro dirige-se às PME inovadoras e, na edição deste ano, tem como principal proposta colocar o tema do sourcing sustentável nas agendas dos líderes empresariais nacionais.

Ao longo do encontro será dada atenção especial à inovação nos plásticos, biomateriais e outros materiais de fontes renováveis, tendo sempre como pano de fundo a questão da sustentabilidade e das estratégias de aprovisionamento na cadeia produtiva. Até porque a sustentabilidade é hoje parte do core business de muitas PME.

É o caso da SilicoLife, empresa que combina biologia e inteligência artificial na criação de processos sustentáveis de compostos químicos. “A SilicoLife desenha microrganismos (bactérias e leveduras) para num processo fermentativo produzir compostos que vão desde ingredientes, a bioplásticos e biocombustíveis. Muitos destes compostos ainda têm a sua produção assente em processos petroquímicos com elevados custos ambientais ou limitada à extração de plantas. A componente do sourcing sustentável está por isso intimamente ligada a toda atividade da empresa”, diz Simão Soares, CEO da empresa.

A SilicoLife recorre a processos biológicos e a matérias-primas renováveis ou não valorizadas para obter os seus produtos. Para Simão Soares, os benefícios são claros. “Estas abordagens permitem uma produção biológica escalável, independente de processos petroquímicos e não recorrendo a uma produção agrícola massiva e insustentável”.

A sustentabilidade é ainda a base das diferentes colaborações que a empresa a nível internacional. O projeto SHIKIFACTORY100, liderado pela SilicoLife, é um exemplo deste trabalho de cooperação. Combina biologia, inteligência artificial e automação e envolve 11 parceiros europeus com o intuito de criar novas rotas biológicas para a produção de mais de 100 compostos – com aplicações na cosmética, indústria farmacêutica e alimentar – procurando uma produção sustentável.

“Um futuro com uma economia competitiva e sustentável passará por um aproveitamento eficiente dos recursos que dispomos, tirando partido dos avanços científicos para uma produção de todos os produtos que contribuem para a nossa qualidade de vida respeitando a natureza”, assume Simão Soares.

Também a Soditud tem o sourcing sustentável no seu ADN. Enquanto representante de marcas europeias de loiça biodegradável e comestível e prestes a avançar com a produção de paletines biodegradáveis para café, a empresa criada no início de 2018 por Luís Simões e Pedro Cadete tem por base o aproveitamento de resíduos biológicos. “A ideia é conseguir matérias-primas que resultem de desperdício e usá-lo para fazer novos produtos, seguindo sempre uma lógica de economia circular”, afirma Luís Simões, CEO da Soditud.

Para avançar com o negócio, os dois sócios contactaram startups europeias certificadas, num trabalho de pesquisa feito faseadamente. “Primeiro avançámos com a Sorbos [palhinhas] depois com a Biotrem [loiça comestível] e conseguimos também a Wis Food, que são as palhinhas vegan”, recorda Luís Simões, para quem este trabalho foi também uma preparação para avançar agora com a produção das paletines para café. Neste momento, a empresa está a fazer pesquisas sobre o material a utilizar nas paletines, sendo o desperdício das cascas de arroz uma das hipóteses.

Com um produto à partida mais caro do que as alternativas em plástico, Luís Simões admite que o sucesso da Soditud está ligado à importância que a sustentabilidade ganha na sociedade e nas empresas.

“Neste momento já há uma maior consciencialização e os clientes estão cada vez mais informados sobre o que é realmente sustentável”, afirma Luís Simões para quem, de futuro, o mais normal é que o sourcing sustentável passe a ter caráter obrigatório. Confiante no futuro, a Soditud está atualmente a preparar a entrada nas grandes superfícies, com a procura de produtos destinados à venda a retalho.

Jorge Portugal | Sustentabilidade condiciona financiamento

Apesar de apenas 20% das PME contribuírem para a sustentabilidade ambiental, o diretor-geral da Cotec assume que o aprovisionamento sustentável trará benefícios e maior eficiência.

De que forma o sourcing sustentável vai moldar a atuação das empresas?
O sourcing sustentável vai colocar maior pressão na produtividade da utilização dos recursos naturais e a aceitação generalizada do critério de ciclo de vida no design e na avaliação do desempenho do produto. O cumprimento das condições de sustentabilidade irá condicionar o acesso ao financiamento e será determinante para as decisões e preferências dos clientes por determinado fornecedor ou marca, no sentido de total transparência na cadeia de abastecimento, desperdício mínimo e excelente relação ambiental. Ao nível da cadeia de aprovisionamento, assistir-se-á a maior nível de colaboração, relações mais robustas entre cliente e fornecedor e ao alinhamento dos critérios e práticas de compras.

As PME nacionais estão preparadas para este desafio?
Ainda são uma minoria aquelas que têm um desempenho positivo. Tomando como referência a rede PME inovação Cotec, menos de 20% das PME mostram um contributo positivo da inovação para a sustentabilidade ambiental e social e por isso há um grande espaço de progressão. Por outro lado, as empresas líderes já executam programas específicos com fornecedores ao nível do design e processos de fabrico e têm certificações internacionais de sustentabilidade associadas a ofertas de produto.

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