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As máquinas serão inteligentes como as pessoas em duas décadas

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Os computadores serão tão (ou mais) inteligentes do que o ser o humano. Uma previsão assustadora, mas que os futuristas estimam acontecer em menos de 25 anos. Estaremos preparados para a superinteligência artificial?

Há um momento no tempo em que os computadores serão incrivelmente poderosos, superinteligentes. Estima-se que esse ponto no tempo, conhecido como Singularidade Tecnológica, não deverá estar a mais de 20-25 anos de distância. Quem o diz é o futurista Gerd Leonhard, fundador e CEO da The Futures Agency, com sede em Zurique, na Suíça. O ex-músico esteve em Lisboa no dia 8 deste mês para participar na Technovate, conferência organizada pela consultora Accenture no âmbito da segunda edição da Web Summit, que teve o Dinheiro Vivo como media partner.

No seu novo livro, Tecnologia versus Humanidade (2016, Gradiva), Gerd Leonhard defende que a Singularidade Tecnológica, ou seja, “o ponto no tempo em que as ‘máquinas pensantes’ se tornam tão poderosas como o cérebro humano”, até poderá chegar antes, daqui a 12-15 anos.
Estaremos preparados para o momento em que a inteligência artificial (em inglês artificial intelligence ou AI) se transforma em superinteligência artificial ou inteligência artificial geral (artificial geral intelligence ou AGI)?

Para Carlos Silva, cofundador da Seedrs, “é difícil de prever” quando a inteligência artificial geral será uma realidade. “Em dez, 50 anos? Ou já para o ano?”, questiona o mentor da plataforma luso-britânica de crowdfunding de ações. Na sua opinião, não assistiremos a uma evolução, mas à disrupção de um novo conhecimento, quebrando com o que está para trás.” “Será um salto quântico”, acredita.

No nosso dia-a-dia já sentimos o poder da inteligência artificial, da tecnologia que tira o significado dos dados. Está nos nossos carros, nas buscas do Google, nas sugestões da Amazon, por exemplo. Mas o que ainda não sabemos é qual será o impacto da inteligência artificial geral na sociedade.

“Os dados (data) são o novo petróleo e o Facebook é o gigante dos dados”, disse Gerd Leonhard, falando para uma plateia de cerca de 130 executivos de algumas das mais importantes organizações europeias, que se juntaram para o debate sobre o poder da inovação.

O negócio inteligente
“O futuro está a acontecer agora”, explicou Yves Bernaert, CEO da Accenture Technology para a Europa, África e América Latina. “52% das empresas presentes no ranking Forbes 50 estavam fora do mercado em 2000”, lançou o responsável, procurando abrir os olhos dos presentes para a inevitabilidade das tecnologias digitais emergentes. Mas afinal o que é a inteligência artificial? “É um conjunto de tecnologias que permitem que as máquinas captem por sensores, compreendam, atuem e aprendam”, explicou, indo ao essencial de uma revolução em marcha, que a Accenture não quer perder.

Além da área de negócio de consultoria estratégica, a Accenture deu o salto para a oferta de serviços digitais e da implementação de tecnologia. Tecnologia que é criada pelas suas próprias equipas de investigação e desenvolvimento. Junto com o cliente, em sessões de brainstorming, por exemplo”, “vemos qual é a melhor solução”. A ideia, sublinha o francês Yves Bernaert, é “transformar o negócio num negócio inteligente.”

Na sua opinião, “a inteligência artificial promete transformar os negócios de uma forma que não vemos desde a Revolução Industrial”. O seu poder pode fazer magia na indústria, por exemplo, aumentando a produtividade e reduzindo custos, criando novos empregos e oportunidades de crescimento.

Projetos de sucesso
Yves Bernaert trouxe alguns exemplos de projetos já desenvolvidos, como uma solução para quem tem limitações na visão. O Dishtry é um smartphone que usa inteligência artificial para reconhecer imagens e assim descrever o ambiente a um invisual.

Outro projeto interessante é o Accenture Genome, uma tecnologia de personalização que permite às empresas criarem experiências individualizadas com base nas motivações únicas de cada cliente. Desenvolvida pela Accenture Interactive em parceria com a Accenture Labs, o Accenture Genome aproveita as interações com os clientes para criar living profiles com base nas características únicas de cada indivíduo e que refletem as necessidades, os desejos e as preferências específicas de uma pessoa.

Em Portugal, para dar resposta às necessidades digitais dos clientes, “a Accenture presta um serviço com base em tecnologia desenvolvida por nós”, diz Pedro Lopes, diretor-geral da Accenture Technology no nosso país. Em Portugal, a sua equipa tem desenvolvido projetos de automação, transformando muitas tarefas rotineiras, e outros com maior sofisticação, como projetos de deep learning que permitem utilizar a voz para as empresa interagirem com o consumidor final – e em português. Para o responsável da divisão portuguesa, “a inteligência artificial tem um papel preponderante no desenvolvimento das empresas, nas operações internas e no relacionamento com os seus clientes”.

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