Revolução 4.0

As vantagens de liderar uma empresa como um treinador

(Jorge Amaral/Global Imagens)
(Jorge Amaral/Global Imagens)

Os paralelos que se criam entre o universo desportivo e o mundo empresarial funcionam como mais-valias no dia-a-dia corporativo. Nas empresas, tal como no desporto, o foco está nos resultados.

Quer se trate de uma equipa de basquetebol ou de um atleta de triplo salto, quando em causa está o alto rendimento desportivo o foco está na eficiência para a obtenção de resultados. “O treinador percebe cedo que, por muito que ele saiba e que por muito que haja um reconhecimento da sua capacidade, o que ilustra a sua qualidade é a forma como os jogadores e as equipas se tornam eficazes e conquistam resultados”, afirma Jorge Araújo, fundador da Team Work Consultores.

Estes são conceitos-chave no paralelo entre o mundo desportivo e o universo dos negócios. “Nas empresas, o que importa não é tanto o CEO ser um visionário ou muito carismático, mas o que as pessoas da empresa fazem ou interpretam. O treinador transmite ao empresário a ideia de que é preciso ensinar, acompanhar, dar feedback”, garante Jorge Araújo. Treinador profissional de basquetebol durante 40 anos, Jorge Araújo criou a Team Work Consultores em 1997 e, nos primeiros contactos com as empresas, foi surpreendido pela ausência de feedback. “Em muitas das empresas o único feedback era a chamada ‘avaliação de desempenho’, que eu sempre contrariei, porque é algo que tem de ser feito todos os dias”, recorda. A experiência levou-o a criar o conceito “pensar e intervir como um treinador”, que aplica no mundo das empresas.

As letras que compõem a palavra Coach (treinador, em inglês) funcionam como acrónimo para as funções-chave a desempenhar pelo líder que age como um treinador: cuida, observa, age, comunica e ajuda (help). Entre estas, a observação e a comunicação com impacto assumem particular relevância.
“A única maneira de ajudar as pessoas, de as questionar ou de lhes dar feedback na altura precisa, é observá-las”, garante Jorge Araújo. Já a comunicação com impacto não é mais do que comunicar de modo a ir ao encontro das necessidades do outro. “E eu sou muito mais impactante quando surpreendo, quando faço diferente. Daí ser importante potenciar o lado criativo do ser humano desde a infância”, afirma Araújo.

A superação e o trabalho em equipa exigem sacrifício, pelo que são fundamentais não só uma grande capacidade de entreajuda e sacrifício entre os diferentes membros da equipa mas também uma figura que motive e inspire. “Ninguém inspira pessoas com comportamentos muito racionais, frios e cinzentos. Para inspirar pessoas tenho de ser um exemplo de entusiasmo e de empenho”, afirma Jorge Araújo.

Paulo Pereira da Silva, CEO da Renova, concorda. “Não acho que seja possível liderar a não ser pelo exemplo. E o exemplo está no método: ser muito exigente, fazer bem, tentar fazer bem à primeira, fazer a coisa certa, não desistir, ser perseverante, continuar, assumir o erro.”

Nas últimas décadas, as alterações nas organizações obrigaram a estilos diferentes de liderança. A automação faz que mesmo os trabalhos simples exijam mais esforço mental e trouxe o trabalho em rede, num processo que é, simultaneamente, mais solitário, já que o resto da equipa pode estar a milhares de quilómetros. “Isso implica uma diferença muito grande na liderança, nomeadamente na importância em tratar as pessoas como seres humanos e não como recursos. Daí a importância do espaço de trabalho e de uma divisão entre o tempo de trabalho e de lazer bem definida”, diz Paulo Pereira da Silva.

Observar pessoas – quer esteja a estudar novos mercados, numa qualquer cidade do mundo, ou na própria empresa – é algo inato ao CEO da Renova. “Gosto muito de me sentar no local onde está uma pessoa que está de férias e ficar a observar a Renova a partir dali. Como diz um colaborador meu, isso permite-nos ouvir “a rádio interna”, perceber o que está a acontecer num dado momento”, explica o CEO, para quem perceber o mundo é essencial para um líder. “Há uma enorme necessidade de perceber quais as necessidades das pessoas que nos rodeiam: o que é que os faz mover? O que é importante na vida deles?”

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