Prémio Inovação NOS

“Ataque” do exterior está a levar os nossos melhores engenheiros

Ana Paula Rafael; Rosália Amorim; Fernando Santo; Carlos Ribas
( Pedro Rocha / Global Imagens )
Ana Paula Rafael; Rosália Amorim; Fernando Santo; Carlos Ribas ( Pedro Rocha / Global Imagens )

Não se pode falar de inovação sem falar de engenharia, e Portugal tem ótimos engenheiros, com muito boa formação, mas muitos estão a sair do país, aceitando convites para ir trabalhar lá para fora.

“O ataque do exterior está a levar os nossos melhores engenheiros”, deixou claro Fernando Santo, ex-bastonário da Ordem dos Engenheiros e ex-secretário de Estado, no debate da sessão de lançamento do Prémio NOS, moderado por Rosália Amorim, diretora do Dinheiro Vivo, que contou ainda com os CEO da Dielmar e da Bosch como intervenientes.

“Vivemos realmente uma situação de escassez de engenheiros no mercado”, confirmou Carlos Ribas, da Bosch, uma multinacional que teve sempre a tecnologia e a inovação no seu ADN. “Estão a levar-nos os engenheiros com boa formação e as ideias não surgem nas fábricas de um dia para o outro”, acrescentou o responsável da multinacional alemã.

“Portugal tem engenheiros de grande qualidade e já não somos só nós a dizê-lo. É como o turismo. Já são reconhecidos lá fora”, sublinhou Fernando Santo.

Para Ana Paula Rafael, da Dielmar, “devíamos repensar o sistema de ensino. A partir do secundário, os alunos deviam estar ligados ao mercado de trabalho”, defendeu.

“As empresas precisam de conhecimento, mas não o que é dado nas universidades. Têm de ter conhecimento da realidade, senão o conhecimento está sempre desfasado”, acrescentou.

Envolver as universidades
“Temos dificuldade em trazer a universidade para a fábrica”, disse também Carlos Ribas, salientando que o trabalho de aproximação da academia às empresas é imprescindível. “Somos capazes de ser tão bons ou melhores do que os outros mesmo nas tecnologias de ponta”, sublinhou, mas tem de haver uma relação mais estreita entre estes dois mundos.

Na Bosch, há “doutoramentos a ser feitos dentro da fábrica”, porque os jovens que estudam Engenharia precisam de trazer a parte real da vida para a sua formação, disse Carlos Ribas. Mas isso não é fácil de fazer com muitas universidades, diz.

“Temos de preparar melhor os jovens no ensino superior para o mercado de trabalho”, resumiu Fernando Santo.

O ex-bastonário destacou ainda que as empresas têm de estar conscientes de que os jovens que saem hoje das universidades têm ambições diferentes das que tinham há uns anos. Em vez de quererem ser trabalhadores de uma empresa, agora querem ser empreendedores. “Há claramente outra postura. O que as empresas deveriam fazer era integrar esses jovens e as suas ideias.”

Inovar ou morrer
Fernando Santo aproveitou o debate para lançar o alerta: “Há muitas empresas que precisam de inovação para não desaparecer.” Fala-se de uma quarta revolução industrial desta economia 4.0 e “toda esta realidade leva-nos a perceber que as empresas têm hoje de ter uma atenção muito particular às mudanças que estão a ocorrer na sociedade, e os jovens são os maiores agentes dessa mudança, estão mais bem preparados do que as outras gerações, podem ser os parceiros essenciais para ajudar as empresas”.

E será que os robôs vão fazer aumentar o desemprego? Foi uma das perguntas lançadas no debate. O problema não são os robôs, porque nos países mais evoluídos há menos desemprego”, disse Carlos Ribas. “Não queremos é continuar a ser o último país low cost da Europa”, frisou o CEO da Bosch. Até porque na tecnologia estamos muito evoluídos, acrescentou.

“Precisamos de descodificar a digitalização para a indústria tradicional”, defendeu ainda Ana Paula Rafael, puxando a brasa à sua sardinha. E lançou o desafio: mais partilha de experiências entre empresas mais tecnológicas com as mais tradicionais.

Saiba mais no site do Prémio Inovação NOS.

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