Millennium Horizontes

Banca ganha com empresas capitalizadas

PMH-min

“No ano passado lançámos linhas de 1600 milhões de euros. Em 2018 o valor sobe para 2600 milhões de euros, registando um aumento de 60% no reforço destes fundos”, anunciou o ministro da Economia, Manuel Caldeira Cabral, durante os Prémios Millennium Horizontes, evento que decorreu na Casa da Música no Porto. Esta é uma das medidas do programa Capitalizar Mais, previsto no Orçamento do Estado para 2018.

Também os prazos de financiamento nas linhas viradas para o investimento serão alargados de seis para 12 anos. Outra novidade é o alargamento do regime da remuneração convencional do capital social. Até aqui, quem investia com base em crédito podia descontar os juros em termos de custos e de massa para pagamento de impostos. Já quem investia com base em recursos próprios não tinha o mesmo benefício.

Poder transformar créditos em capital e com isso associar benefícios fiscais é importante para as empresas. “As empresas que nos rácios aparecessem sobre-endividadas, ao transformarem esses créditos em capital irão incorporar os credores como acionistas, mas com isso irão melhorar os seus rácios de capital.” Conclusão: a banca fica melhor se puder dar crédito a empresas capitalizadas e as empresas ficam melhor se recorrerem à banca para o remanescente e não para a totalidade.

Hora das médias empresas
As médias empresas terão mais atenção, na medida em que registam o maior crescimento das exportações, defende Manuel Caldeira Cabral. São empresas que já estão acima dos 50 milhões de euros, e que, segundo o governante, têm capacidade de afirmação internacional.

O governo espera contar com o sistema bancário para a distribuição destas linhas. Um esforço com que acredita dar um segundo fôlego a empresas viáveis e ao mesmo tempo apoiar a banca na resolução do problema do crédito malparado.

Programa Interface
Com o Interface, o governo quer acelerar a transferência de tecnologia das universidades para as empresas através do apoio aos Centros de Interface Tecnológico (CIT), para fazerem a ligação entre as instituições de ensino superior e as empresas e através dos Laboratórios Colaborativos, ou seja, a associação ou o consórcio de unidades de investigação, instituições de ensino superior, empresas, instituições intermédias e de interface, centros tecnológicos, empresas, associações empresariais.

Está aberto o concurso aos novos Laboratórios Colaborativos em áreas críticas: incorporação do digital na indústria, setor agrícola e desenvolvimento dos nossos recursos endógenos, como a vinha no Douro, culturas de montanha em Trás-os-Montes, valorização do mar, por exemplo.

Os cluster definidos pelo programa Interface são o da arquitetura, engenharia e construção; da vinha e do vinho; do calçado e da moda; dos recursos minerais de Portugal; e do habitat sustentável. Os ministérios da Economia e da Ciência estão de mãos dadas.

“A inovação não se faz por decreto”, acredita Caldeira Cabral. “Mas por estruturas de apoio mais fortes e com o reforço dos recursos humanos qualificados.”

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