Revolução 4.0

BIM é o novo modelo que está a revolucionar a construção

A tecnologia BIM permite reduzir os custos de construção entre 15% e 20%e aumentar a produtividade
A tecnologia BIM permite reduzir os custos de construção entre 15% e 20%e aumentar a produtividade

Mais do que os gastos com software, é o investimento na formação dos recursos humanos que mais pode onerar as empresas da construção na fase de transição para o BIM. Mas as vantagens são enormes.

“O BIM é encarado como o futuro da construção. Eu costumo dizer que não é futuro, quando muito é o presente e está rapidamente a começar a ser passado”, diz, em tom de provocação, Frederico Ramos, head of architecture da ARC ICD, empresa especializada em estudos de viabilidade para infraestruturas hospitalares. A trabalhar com o processo BIM (Building Information Modeling – Modelagem de Informações da Construção), há mais de dez anos, Frederico Ramos sublinha a importância do domínio das linguagens e processos. “O BIM exige uma forma de pensar diferente. Dou como exemplo o processo de fabrico de uma vela: podemos fazê-la evoluir, mas nunca conseguiremos fazer dela uma lâmpada. Digamos que a nossa lâmpada é o BIM – associada à corrente elétrica e a tudo o que se desenvolveu, abre um novo mundo. O BIM já não é o futuro, mas é a base, a linguagem ‘da eletricidade universal’ que informa tudo o resto.”

O problema em Portugal é que o número de “falantes” desta nova língua é ainda reduzido. A tecnologia BIM permite criar digitalmente um ou mais modelos virtuais precisos de uma construção. “Existe falta de conhecimento, tanto das chefias como do corpo técnico das empresas, o que levanta dificuldades para a infraestrutura empresarial portuguesa: como não há uma pool de pessoas suficiente, as empresas têm de investir na sua formação se quiserem ter acesso a esta nova forma de fazer construção”, afirma Frederico Ramos, para quem a solução passa, em parte, por um maior esforço das universidades. “Se as academias realmente estivessem na vanguarda da investigação tecnológica em Portugal, rapidamente – com duas ou três gerações de novos formandos – haveria pessoas suficientes para alimentar as empresas”.

Ao olhar para a construção, Frederico Ramos defende que os empresários nacionais estão atentos. “As empresas já perceberam que, para estarem no mercado global, têm vantagens em ter os seus produtos em objetos BIM.” Isto não quer dizer que a transição para o BIM tenha de ser universal. Frederico Ramos dá o exemplo de Singapura, onde a obrigatoriedade do BIM se limita aos projetos com mais de cinco mil metros quadrados. “Há sempre empresas que, se calhar, não faz sentido entrarem no processo BIM – caso das nanoempresas de pequenas reparações e remodelações”, diz, reconhecendo que para as pequenas estruturas pode haver mais dificuldades na transição. Nas empresas de média dimensão – que têm já associado um corpo técnico – uma vez iniciada, a transição acabará por acontecer de forma quase orgânica à medida que os técnicos estão familiarizados com o BIM.

No caso do Grupo DST, foi a necessidade de continuar a exportar que levou à adoção do BIM. “O primeiro contacto surgiu em 2012, quando uma das empresas do grupo, a metalomecânica Bysteel, iniciou o processo de internacionalização em França e Inglaterra e se deparou com o facto de, nesses países, haver já uma forte presença da metodologia BIM. Para conseguir exportar tivemos de nos adaptar”, recorda João Marcelo Silva, do Grupo DST. “Sem essa tecnologia, nem sequer conseguiríamos concorrer às obras”, sublinha, referindo ainda que, atualmente, muitas das grandes empresas internacionais realizam testes de triagem para aferir se as empresas estão de facto capacitadas para trabalhar em BIM.

Em 2015, com a consciência de que devido à metodologia utilizada, à possibilidade de um cálculo rigoroso de quantidades, à compatibilização que proporciona e à otimização que permite na compra de materiais, o BIM também trazia vantagens no mercado interno, o Grupo DST avançou com a criação de um “grupo BIM”. Esta equipa multidisciplinar, composta por engenheiros, arquitetos, orçamentistas, diretores de obras, encarregados de compras e preparadores de várias áreas, tem como propósito apoiar as várias empresas do grupo em todos os aspetos relacionados com a tecnologia.

“Na altura, fizemos uma primeira pesquisa e apercebemo-nos de que existem pessoas que têm capacitação para modelação, mas pouca gente tem a abordagem BIM como um todo. O BIM não é passar um projeto 2D para 3D, tem outras camadas. E encontrar pessoas com formação é muito complicado”, diz João Marcelo da Silva. A equipa inicial de dez pessoas fez formação em BIM e hoje, a somar já 60 elementos, a transmissão de conhecimento faz-se dentro do próprio grupo.

As vantagens são evidentes: “O BIM permite-nos construir a obra antes da própria construção: permite antecipar e resolver problemas. E resolver problemas a nível computacional tem um custo completamente diferente. Depois, para nós, a aferição das quantidades é essencial”, afirma João Marcelo da Silva.

Para o coordenador do grupo BIM do Grupo DST, o BIM traz, acima de tudo, mais confiança. “Traz confiança ao cliente, que sabe que a obra vai ficar como o pretendido, às equipas que estão em obra, porque sabem que tudo foi testado antes, e a nós, enquanto empresa, porque conseguimos manter prazos e controlamos a quantidade.”

A estas vantagens, Frederico Ramos acrescenta a redução dos custos de construção – entre 15% e 20% – e aumentos de produtividade que podem chegar aos 28%. “Não percebo é como é que um país com dificuldades orçamentais como Portugal consegue ter dinheiro para não fazer um processo BIM! Imagine que, de repente, se conseguia poupar 25% do investimento público em infraestruturas.”

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