Revolução 4.0

BIM, o novo modelo que está a mudar o setor da construção

Foto: DR
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A modelação digital partilhada em plataformas põe arquitetos e engenheiros a trabalhar em sintonia, minimizando desvios entre projeto e construção.

Colaboração e transparência – são estas as duas palavras-chave do BIM (acrónimo para Building Information Modelling), o novo modelo que está a revolucionar o setor da construção. Mais do que uma plataforma digital, o BIM representa uma nova forma de trabalhar. “O BIM vem trazer a necessidade de colaboração e comunicação entre as diferentes partes, o que traz novos desafios à indústria da construção, nomeadamente no que toca à chamada ‘interoperabilidade’”, afirma António Aguiar Costa, coordenador do relatório BIM e a Digitalização da Construção e das Infraestruturas”, da COTEC Portugal.

José Carlos Lino, professor da Universidade do Minho e especialista em BIM, vai mais longe: “Com o BIM, o trabalho colaborativo surge quase inevitavelmente”. As vantagens são evidentes: “Fazer um modelo em computador sai muito mais barato. Muitas vezes, as obras não são previamente pensadas, o que dá origem a desvios e a surpresas, incompatibilidades que a utilização do BIM vem evitar”, diz.
Por se tratar de uma modelação digital, partilhada em plataformas a que os intervenientes podem aceder, os erros tornam-se mais simples de evitar. “Se um engenheiro de estruturas estiver a prever colocar um pilar no local onde um arquiteto quer colocar uma porta, pode haver comunicação entre os dois porque estão a partilhar esta visão comum”, exemplifica José Carlos Lino.

O BIM coexiste hoje na União Europeia em diferentes velocidades. “Cabe a cada um dos países definir a sua aplicação ou obrigatoriedade. No caso do Reino Unido, há a obrigação de utilização do BIM no setor público desde 2016”, explica Aguiar Costa. O caráter exemplar do país levou a Comissão de Normalização Europeia a seguir alguns dos seus manuais e normas. E, por sua vez, “algumas normas europeias já vêm alterar o modo como se olha para o ciclo de vida de um edifício. Não estamos só a construir um ativo físico, estamos também a produzir um modelo de informação digital que vai não só acompanhar as fases de projeto e construção como a operação e manutenção”, explica Aguiar Costa, para quem o facto de o BIM não ter um caráter obrigatório em Portugal acaba por trazer vantagens, na medida em que há maior liberdade de escolha para seguir as boas práticas de outros países.
Aguiar Costa não tem dúvidas: para ser eficaz, a metodologia BIM tem de ser transversal e envolver toda a fileira da construção, incluindo o cliente, a quem cabe a importante missão de espoletar todo o processo.

“O dono de uma obra, que vai investir um valor significativo, não se pode dar ao luxo de não ter um modelo de informação que controle convenientemente o que está a ser construído. Estes modelos ficam disponíveis para a fase de gestão e manutenção – seja de um centro comercial, seja de um hospital – e continuam a receber informação”, corrobora José Carlos Lino.

Com o tempo, o BIM tornar-se-á inevitável, pelas implicações que tem, por exemplo, ao nível da exportação. “Muitos concursos internacionais já requerem que a candidatura seja feita em BIM, o que acaba por afetar toda a fileira. Tanto construtoras e empresas de serviços, como empresas fornecedoras de materiais a quem é solicitado que, juntamente com os seus produtos reais – pedra, por exemplo – forneçam também objetos digitais”, afirma José Carlos Lino. Há ganhos de produtividade associados. “São vários os estudos de consultores internacionais que identificam margens de redução de custos na ordem dos 20%, o que é significativo em investimentos de muitos milhões de euros”, diz.

Na Central de Arquitetos o processo de transição para o ambiente BIM iniciou-se há sete anos. “Começámos por um software que está dentro do ambiente e cultura BIM e hoje estamos a fazer a transição para a organização em ambiente verdadeiramente BIM”, explica José Vale Machado, o administrador, que sublinha que a mera utilização do software acabou por introduzir “transformações radicais” na organização da empresa.

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