Lisbon Mobi Summit

Cidades inteligentes pedem soluções integradas

Fotografia: DR
Fotografia: DR

Portugal tem quatro grandes desafios nesta área, sobretudo a nível cultural e de escala.

Cascais apresentou-se na semana passada como exemplo de cidade portuguesa inteligente e adaptada à nova realidade da mobilidade na CES, feira tecnológica de Las Vegas. Este município pode, por isso, ser o motor para a transformação da forma como nos movemos diariamente em Portugal. Só que para estar na linha da frente da mobilidade é necessário promover soluções integradas e resolver quatro desafios nos próximos anos.

“O funcionamento dos agentes numa lógica de ecossistema colaborativo é o principal fator crítico de sucesso”, entende Miguel Eiras Antunes, sócio e responsável da Deloitte nos setores de transportes, infraestruturas e serviços.

“Não podemos ambicionar uma mobilidade eficaz sem alinhamento entre as estratégias nacionais e municipais, estreita colaboração entre agentes públicos e privados, fomento das startups, bilhética integrada, modelos de open data (dados abertos) robustos e seguros para maximizar o seu valor e otimizar a tomada de decisão”, acrescenta este especialista ao Dinheiro Vivo.

Portugal, neste âmbito, enfrenta quatro desafios, como a gestão integrada, a transformação cultural, a capacidade de financiamento e a adequação da regulação.

A gestão da forma como nos movemos numa cidade inteligente implica a “visão de conjunto sobre todos os serviços de mobilidade, promovendo a interoperabilidade, a complementaridade entre serviços e a disponibilização de uma experiência integrada de mobilidade aos cidadãos”.

A esta visão integrada tem de se juntar a transformação cultural dos vários elementos das cidades, como os cidadãos, as empresas e os próprios municípios. Por exemplo, para que as pessoas possam deslocar-se de bicicleta para o trabalho não basta colocar ciclovias. “São necessários chuveiros e balneários para que os trabalhadores possam chegar em condições ao seu posto”, o que implica falar, entre outros, com arquitetos e construtores civis.

A transformação das cidades também implica escalar projetos piloto e transformar infraestruturas tecnológicas e energéticas, lembra o partner da Deloitte. Só que fazer crescer estes projetos implica financiamento, um tema desafiante sobretudo em “economias de menor dimensão”, como a portuguesa.

A regulação destas novas formas de mobilidade é o último grande desafio. As cidades mais avançadas, entende Miguel Eiras Antunes, são aquelas que antecipadamente “adaptam a sua regulação por forma a responder a estes desafios”. Proteção de dados pessoais, segurança de veículos autónomos, cibersegurança e o crescimento de novos modelos de mobilidade baseados na economia da partilha são os principais obstáculos que só poderão ser resolvidos através da regulação.

Para Portugal ficar na linha da frente das smartcities, mais do que criar projetos cidade a cidade, é necessária a “adoção de projetos integrados pelas comunidades intermunicipais, ultrapassando em parte este tema de escala e servindo melhor as populações”. Só com esta mentalidade é que será possível desenvolver iniciativas que “influenciem o percurso de casa para o trabalho e que, em grande parte dos casos, extravasam os limites dos concelhos”, conclui Miguel Eiras Antunes.

Comentários
Outras Notícias que lhe podem interessar
Hoje
(Artur Machado / Global Imagens)

Dinheiro Vivo mantém-se líder digital dos económicos

(Artur Machado / Global Imagens)

Dinheiro Vivo mantém-se líder digital dos económicos

O ex-governador do Banco de Portugal (BdP), Vítor Constâncio, na II Comissão Parlamentar de Inquérito à Recapitalização da Caixa Geral de Depósitos e à Gestão do Banco, na Assembleia da República. TIAGO PETINGA/LUSA

BCP, Berardo e calúnias. As explicações de Constâncio no inquérito à CGD

Outros conteúdos GMG
Cidades inteligentes pedem soluções integradas