Revolução 4.0

Como a tecnologia está a mudar as indústrias do têxtil e calçado

(Gonçalo Delgado/Global Imagens)
(Gonçalo Delgado/Global Imagens)

Rotulados ainda há poucos anos como indústrias “tradicionais”, os setores do têxtil e calçado são hoje uma referência internacional, potenciados pela tecnologia.

O crescimento da produção na Ásia, e os desafios tecnológicos fizeram com que, há poucos anos, a indústria têxtil nacional fosse rotulada de “tradicional” e vista como um setor moribundo. Centros tecnológicos como o CITEVE e associações empresariais recusaram esta perspetiva. Apostaram na tecnologia, fizeram da diferenciação uma imagem de marca e abriram as empresas a novos modelos de negócio. “O que se produz hoje não tem nada a ver com o que se produzia há 10, 15 ou mesmo cinco anos.

“A indústria têxtil vive diariamente uma evolução tecnológica incrível, com novos produtos de altíssimo valor acrescentado. A diferenciação permite marcar pontos a nível internacional e a economia 4.0 foi um impulso muitíssimo grande. Hoje a indústria têxtil portuguesa é pioneira e uma referência internacional”, assume António Amorim, presidente do CITEVE.
O setor, que tem apostado na sustentabilidade e na economia circular tem assistido a alterações nos modelos de negócio. “Há uma cada vez maior aposta no comércio digita, com muitas empresas a basearem boa parte das vendas no sistema online”, afirma António Amorim, que realça a importância das feiras internacionais, numa indústria exportadora – 70 a 80% da produção destina-se ao estrangeiro.

Segurança com estilo
A AMF Safety Shoes é uma das empresas que mais tem apostado na tecnologia e na diferenciação. Nascida em 1999, sofreu uma transformação profunda em 2005, com a criação de uma marca própria e a especialização em calçado de segurança de visual contemporâneo. Com 145 trabalhadores, a empresa tem vindo a apostar cada vez mais na economia 4.0 .

“O impacto do 4.0 é brutal nas empresas do setor”, afirma Rui Moreira, diretor-geral da AMF Safety Shoes, para quem este tem de ser um esforço transversal à cadeia de valor, juntando empresas, fornecedores e clientes. É com um fornecedor de máquinas que a empresa está a realizar um projeto com uma duração de dois anos e cujo objetivo passa por uma cada vez maior automação. “Queremos perceber como conseguimos automatizar por um lado e que informação conseguimos recolher e tratar de modo a que nos sirva de apoio à decisão. Essa parte é fácil. Agora, pegar nesses dados e pôr as coisas a tomar pequenas decisões locais e a atuar sozinhos já é muito diferente, mas é neste campo que queremos atuar”, explica.

“Falamos da indústria 4.0 e da internet das coisas, mas quando tentamos ver como é que as coisas vão comunicar entre elas, é complicado, porque cada parceiro usa linguagens e softwares diferentes. Tem de haver um processo de integração e acabam por ser empresas como a AMF, que têm a capacidade de receber essa informação, de tratá-la”, explica. Com isto em mente, a AMF criou um departamento de informática interno capaz de criar sistemas de integração.

No que toca ao processo em curso, as expectativas é que venha a ser determinante no futuro. “Espero que consigamos ter um processo mais eficiente, mais informação durante todo o processo. O objetivo é ficar com uma das linhas de produção com um nível de informação diferente, que sirva de base para requalificar aquilo que nós chamamos a fábrica do futuro”.
Inovação como DNA

“A procura e a apresentação de soluções diferenciadoras, o tentar antecipar as necessidades de mercado e antecipar propostas, é algo que está na génese da Inovafil”, diz Rui Martins, administrador. Criada para responder à necessidade da Mundifios – empresa portuguesa que é a maior trader europeia de fiação – de fios com valor acrescentado, a Inovafil foi estruturada desde o início com equipamentos capazes de serem integrados na lógica de 4.0.

“A questão do 4.0 vem ao encontro das necessidades atuais e futuras da Inovafil. Sendo uma indústria flexível e uma empresa que não faz produção em massa, muitos dos conceitos que estão subjacentes à indústria 4.0 serão aplicados na digitalização e informatização de todo o processo. Quer a ligação aos fornecedores, quer aos clientes e na própria reestruturação interna da empresa, que devido à enorme variedade e mudança constante de produtos e consequente afinação de máquinas, exige muita informação”, explica o responsável.

Contudo, há desafios. “As soluções não são costumizadas para o têxtil e para as fiações e isso vai implicar quase o desenvolvimento de soluções feita à medida da Inovafil”, afirma Rui Martins, para quem seria importante encontrar parceiros para desenvolver este tipo de solução.

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