Millennium Horizontes

Costa quer que o país dependa menos do crédito

PMH-min

“Aprendemos que temos de estar menos dependentes do crédito. E que o crédito tem de estar menos dependente do crédito imobiliário e ao consumo”, referiu António Costa no palco da gala de entrega de Prémios Millennium Horizontes na Casa da Música, no Porto.

O primeiro-ministro chegou à gala do Millennium bcp, evento em parceria com o grupo Global Media, com um objetivo: partilhar os resultados da economia nacional com as empresas presentes, de quem, na sua opinião, depende o sucesso da economia portuguesa.

“No terceiro trimestre deste ano tivemos um crescimento superior ao do trimestre anterior com a redução progressiva do desemprego que caiu para os 8,5%”, referiu, quem diz considerar a inovação essencial para o modelo de crescimento focado na internacionalização e na capacidade exportadora.

“Em 20 anos, o peso das exportações duplicou na economia portuguesa. De 22% passámos para 44%. Também aumentou o peso do investimento português no estrangeiro, que subiu de 3% em 1996 para 48% em 2016.”

Como é que em duas décadas a economia se internacionalizou e as empresas ganharam capacidade exportadora? “A chave deste sucesso assenta tanto na inovação nos setores de ponta como na inovação sobre os setores tradicionais da nossa economia.”

A capacidade de incorporação da inovação tem sido a razão do seu crescimento. “Setores que antes eram considerados como estando em crise, até mesmo irrecuperáveis, como o setor têxtil, calçado ou o agroalimentar, são hoje grandes motores da economia portuguesa.” Hoje, existe um forte consenso: a chave do nosso crescimento tem de estar no conhecimento e na inovação. E, na sua opinião, “o investimento é crítico para podermos inovar. Tal como a inovação é crítica para podermos exportar e internacionalizar”.

Deste modo, “é decisivo que haja um alinhamento entre as políticas públicas e as prioridades dos Fundos Comunitários de apoio às empresas. Há dois anos, na aplicação do Portugal 2020 para empresas, estavam colocados 4 milhões de euros. “A primeira meta que tivemos foi chegar aos 100 milhões de euros nos primeiros cem dias de ação governativa. Correu bem e por isso estamos entusiasmados para chegar ao fim do ano com 600 milhões de euros.”

Para 2017 o governo quis realizar 1000 milhões de euros de fundos comunitários. Para António Costa, esta meta foi cumprida antecipadamente, em setembro.

Está convicto de que vamos chegar ao fim deste ano com 1250 milhões de euros de fundos comunitários realizados no tecido empresarial.

Já a meta que o governo tem para 2018 é colocar 2 mil milhões de euros nas empresas para financiar a sua modernização.

Estabilização do sistema financeiro
O financiamento passa pela estabilização do sistema financeiro. “Hoje, os bancos que tinham situações de subcapitalização conseguiram atrair capital e capital estrangeiro para reformar os seus capitais próprios. Bancos que tinham situações acionistas indefinidas conseguiram estabilizar. Bancos que tinham sido resolvidos e aguardavam comprador, encontraram comprador. A Caixa está capitalizada e tem condições de confiança das famílias e de apoio às empresas.”

Defende que “a situação crítica do balanço dos bancos tem vindo a ser absorvida”.

Reforçar capitais próprios
Como é fundamental o reforço dos capitais próprios num tecido empresarial composto por pequenas e médias empresas de base familiar, o governo definiu outros instrumentos de reforço dos capitais próprios através do programa Capitalizar.

As últimas medidas do Capitalizar entrarão em vigor com o Orçamento do Estado para 2018, completando um conjunto de incentivos ao reforço dos capitais próprios.

Como? Através da conversão de crédito em capital. E da isenção de IMT e de imposto do selo nas operações de reestruturação e com as medidas de apoio à tesouraria no novo regime do IVA alfandegário.

Medidas que, junto com o programa Capitalizar, com que se quer fortalecer o tecido empresarial português, devem contribuir para que metade das empresas com melhores condições possam investir com capitais próprios e assim poderem apresentar-se ao sistema financeiro em melhores condições.

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