e-Commerce Report 2018

CTT entram no comércio eletrónico que cresceu 12,5% em Portugal

Lisboa, 09/11/2018 - Realizou-se na Fundação Portuguesa das Comunicações a conferência E-Commerce Day dos CTT. Francisco de Lacerda

(Filipe Amorim / Global Imagens)
Lisboa, 09/11/2018 - Realizou-se na Fundação Portuguesa das Comunicações a conferência E-Commerce Day dos CTT. Francisco de Lacerda (Filipe Amorim / Global Imagens)

CTT lançam novos serviços para fazer face à concorrência no correio expresso e querem ganhar presença no e-commerce com abertura de centro comercial virtual em 2019.

Quatro em cada dez portugueses compra online. Apesar de timidamente face à generalidade dos países do sul da Europa, o comércio eletrónico tem vindo a dar sinais de crescimento: em 2017 cresceu 12,5%, mais dois pontos percentuais do que em 2016.

De acordo com a terceira edição do e-Commerce Report dos CTT – Correios de Portugal, os portugueses optam pelas compras virtuais devido aos preços mais baixos, a facilidade de compra, as promoções e a conveniência pelo facto de poderem comprar a qualquer hora.

A convergência das visões dos vendedores e dos compradores eletrónicos foi o que mais impressionou Alberto Pimenta, diretor de e-Commerce dos CTT. O relatório, apresentado na sexta-feira na Fundação Portuguesa das Comunicações, em Lisboa, concluiu que quem compra fá-lo cada vez com mais frequência: os compradores fazem mais quatro compras em média do que em 2016 e cerca de 60% fazem uma ou mais compras por mês (mais 17% face ao ano anterior).
Contudo, o valor médio por compra é mais baixo. Um fenómeno que, de acordo com o relatório, reflete um maior grau de confiança na decisão de compra online, o que sustém as compras por impulso, aproveitando promoções e campanhas. Oito em cada dez compradores admitem vir a comprar cada vez mais a vendedores portugueses.

Do lado dos vendedores, cerca de 70% esperam ver as encomendas aumentar em 30% dentro de um ano e encaram os espaços de comércio na internet (marketplaces) como o canal de venda online com maior potencial de crescimento nos próximos dois anos.
“Esta convergência de resultados vem ao encontro das nossas expectativas sobre o crescimento do e-commerce, confirmando que há oportunidade para o desenvolvimento de iniciativas, envolvendo competências de retalho, marketing digital e logística”, defendeu o responsável em entrevista ao Dinheiro Vivo, referindo-se ao lançamento de um novo marketplace, o Dott, uma joint venture entre os CTT e a Sonae.

Com inauguração prevista para início de 2019, o Dott quer chegar aos cinco milhões de produtos online nos próximos dois anos. Gaspar D’Orey, CEO do Dott faz questão de sublinhar o fato da plataforma vir a ser uma oportunidade de crescimento para as marcas portuguesas, mesmo para os pequenos produtores. O investimento para a implementação do projeto será de 10 a 15 milhões de euros repartidos em partes iguais pelos dois acionistas. São esperados mais de 100 mil clientes no primeiro ano.

Trata-se de um shopping online generalista baseado numa estratégia de conteúdos. “Serve para que o cliente possa não só comprar, mas acima de tudo ‘passear’ no Dott.”
Como pensam pôr os portugueses a comprar mais online? “Não basta ter variedade para conquistar o cliente, é preciso conveniência, segurança e também emoção. Vamos apostar em conteúdos, na rapidez da entrega e na ultra personalização”, explicou Gaspar D’Orey.

Do ponto de vista do cliente, explica o responsável pelo Dott, “queremos que a experiência de compra seja realmente diferente e que o deixe deliciado com o nosso serviço de apoio ao cliente.”
Para a equipa desta nova empresa, que não é startup, mas tem alma de startup, o “e” de e-commerce também pode ser de emoção. Como assim? “Com conteúdos diferenciados, que criem uma ligação com o cliente, uma experiência de compra única e com pormenores que marcam pela diferença.”
O negócio será focado no mercado nacional, para já. Mas como o comércio eletrónico é por definição um mercado global, o responsável espera entrar em novas geografias no futuro.

De velhinhos não têm nada os CTT de hoje. Desde que o Estado vendeu o resto da sua participação e os Correios de Portugal passaram a ser 100% privados que a revolução não tem parado. Começou com o despedimento de pessoas e a substituição dos balcões tradicionais pela requalificação dos colaboradores e oferta dos seus serviços noutros espaços, e continuou a fazer face à concorrência na área de correio expresso. É na era do digital que tem sentido os maiores desafios e respondido com uma série de novos serviços.

Além do Dott, os CTT querem ser uma referência no ecossistema português de e-commerce através do e-Segue, do CTTAds.pt, do Express2Me, dos Cacifos Automáticos, de um acordo com a China Post, do SuperExpress e da parceria com a AliExpress para o Black Friday da China.
A ideia é, segundo o presidente da Comissão Executiva dos CTT, Francisco de Lacerda, dinamizar o e-commerce em Portugal e, ao mesmo tempo, colocar os CTT no centro desta área. “Há que continuar a acrescer e ir ao encontro das necessidades do mercado”, defendeu.

Comentários
Outras Notícias que lhe podem interessar
Hoje
(João Silva/ Global Imagens)

Há quase mais 50 mil imóveis de luxo a pagar AIMI

(João Silva/ Global Imagens)

Há quase mais 50 mil imóveis de luxo a pagar AIMI

Angela Merkel e Donald Trump. Fotografia: REUTERS/Kevin Lamarque

FMI corta crescimento da Alemanha, mas Espanha ainda compensa

Outros conteúdos GMG
CTT entram no comércio eletrónico que cresceu 12,5% em Portugal