debate ctt

CTT estão a surfar a onda da digitalização

Debate CTT E-Commerce moments -  Marta Lousada, E-Commerce Sephora; Joana Santos, Google; Daniel Santiago,Deeply; Pedro Faraústo,CTT 

(João Silva/Global Imagens)
Debate CTT E-Commerce moments - Marta Lousada, E-Commerce Sephora; Joana Santos, Google; Daniel Santiago,Deeply; Pedro Faraústo,CTT (João Silva/Global Imagens)

Desde a conclusão da privatização, em 2014, a empresa mudou o foco e apontou a estratégia para novos mercados.

Os primórdios dos CTT – Correios de Portugal têm origem no século XVI, mas muito mudou neste setor nos últimos 500 anos. Aliás, essa transformação ganhou um ritmo particularmente acelerado na última década, altura em que a entrega de cartas e postais começou a ser trocada por caixas de correio eletrónicas, bem como o surgimento do comércio eletrónico. É precisamente aqui, no e-commerce, que está assente a estratégia dos CTT modernos.

Apesar de o mercado português ser “relativamente emergente”, Alberto Pimenta, head of e-commerce da empresa, acredita que as vendas online vão crescer “entre 10% e 20%” por ano. O responsável discursava a propósito da segunda edição do CTT E-Commerce Moments, que juntou em Lisboa dezenas de empresários para trocar ideias e fomentar sinergias. A aposta no comércio eletrónico justifica-se pelos números, que mostram um crescimento do setor de 12,5%, em 2017, e estabelecem o valor do mercado acima dos quatro mil milhões de euros.

Assim, os CTT têm vindo a investir não só na transformação digital como também na infraestrutura de distribuição. “Vamos investir 40 milhões de euros, nos próximos dois anos, na adaptação de toda a nossa infraestrutura para se preparar cada vez mais para distribuir encomendas e menos cartas”, explica Francisco Simão, CTO da organização, em declarações ao Dinheiro Vivo. Não obstante o foco no digital, o responsável financeiro reforça que a empresa continuará a distribuir cartas, “mantendo a sustentabilidade do serviço universal e a qualidade de distribuição, com as quais estamos amplamente comprometidos”.

O maior exemplo desta estratégia digitaliza-se com o recente lançamento do Dott, o primeiro marketplace português, criado com uma parceria entre os CTT e a Sonae para conquistar os e-buyers nacionais.

A juntar-se à lista estão ainda o CTT Now, um serviço que garante entregas até duas horas na região de Lisboa; os lockers, cacifos automáticos que permitem levantamento de encomendas; ou o Express2Me, que permite aos compradores portugueses encomendar produtos em marketplaces internacionais e recebê-los na sua morada, mesmo quando o vendedor não garante esse envio.
Todos estes investimentos permitem tornar a estrutura mais eficiente, por um lado, e prepará-la para o boom das encomendas. “Estamos a falar de crescimentos de dois dígitos todos os anos nas encomendas e é para isso que estamos a preparar-nos”, garante Francisco Simão.

Entregas mais rápidas são alavanca para crescimento do e-commerce

Apesar de o mercado nacional de e-commerce não estar ainda em velocidade de cruzeiro, são cada vez mais os portugueses que compram online. Segundo o e-Commerce Report 2018 dos CTT, quatro em cada dez pessoas já o fazem, comprando em média 2,1 produtos, e gastam mais de 51 euros por encomenda. “E há ainda um grande espaço de crescimento do lado da procura”, garante Alberto Pimenta.

Na abertura do evento que reuniu em Lisboa empresários da área, Alberto Pimenta reforçou a potencialidade do negócio, defendendo que “o retalho online está a crescer seis ou sete vezes o crescimento do retalho físico”. O fortalecimento do mercado, cujo crescimento atingiu 12,5% em 2017, deve-se, em parte, à crescente aposta de empresas como a Deeply, Sephora, Lanidor ou PCDIGA.
“Começámos com uma curva de crescimento brutal, mais de 300%”, partilhou Daniel Santiago, head of digital da Deeply, que deixou as lojas físicas para se especializar em artigos de surf numa montra online. O sucesso no e-commerce está intimamente ligado à velocidade de carregamento dos sites, formas de pagamento disponíveis, rapidez no processamento de encomendas e métodos de entrega.
Pedro Bordonhos, da Lanidor, considera que a entrega no próprio dia é a próxima coisa muito importante a escalar”, uma ideia partilhada por Nelson Arrifes, da PCDIGA. “Percebemos que há clientes que não se importam de pagar até duas vezes mais para entregas same day.” O rumo é unânime: entregas mais rápidas e cómodas serão alavanca de crescimento do e-commerce.

Comentários
Outras Notícias que lhe podem interessar
Hoje
O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa (D), agraciou o empresário, Alexandre Soares dos Santos (E), com a Ordem de Grã-Cruz de Mérito Empresarial, no Palácio de Belém, em Lisboa, 20 de abril de 2017. 

Fotografia: PAULO NOVAIS/LUSA

Morreu Alexandre Soares dos Santos, o senhor Jerónimo Martins (1934 – 2019)

Alexandre Soares dos Santos

Soares dos Santos: Momentos marcantes da sua liderança

ng3091740

O dono do Pingo Doce sobre o Estado, a crise e a Europa

Outros conteúdos GMG
CTT estão a surfar a onda da digitalização