Cuidadores do património e guardiões da história

"São pessoas que, orgulhosamente, guardam, vigiam e partilham as histórias do seu monumento, num verdadeiro compromisso de vida, pessoal e familiar", assim define a Rota do Românico (RR) os 44 cuidadores do património que, distribuídos pelas diversas capelas, igrejas e mosteiros da RR ajudam a preservar os monumentos e a perpetuar a história. Pelas mais diversas razões, os cuidadores são pessoas que conhecem a história do monumento que adotaram, cuidam dele e alertam a quem de direito sempre que é necessária alguma intervenção. São também guias na visitas turísticas e, quase sempre, têm a chave do monumento que veneram.

É o caso de Rosa Carvalho, que desde há 45 anos é a "cuidadora" da igreja do Mosteiro de Travanca, em Amarante. Dona Rosinha, como é conhecida, conta que nasceu a poucos passos do Mosteiro de Travanca. "O mosteiro fica na minha freguesia e é a minha paróquia. O meu avô foi aqui sacristão, o meu pai nasceu numa casa que fica em frente ao mosteiro e também colaborava na igreja. Um dia um padre pediu-me para limpar o altar, eu não queria mas o meu pai convenceu-me, porque este era o altar que a minha avó paterna enfeitava. Portanto, há 45 anos que trato do altar, limpo, lavo as toalhas, há uns anos que também tenho a chave da igreja para abrir a porta aos turistas".

Classificado como monumento nacional desde 1916, o Mosteiro de Travanca impressiona pelas suas dimensões, sobretudo a igreja, edificada no século XIII. Associado à linhagem dos Gascos, a que pertencia Egas Moniz, o aio de D. Afonso Henriques, constituiu um dos mais poderosos institutos monásticos da terra de Sousa durante a Idade Média. Do monumento, o que mais sobressai no conjunto é a torre isolada, considerada uma das mais elevadas torres medievais portuguesas.
Joaquim Pereira, outro cuidador do património da RR, é quem zela pelo Mosteiro de Santa Maria de Cárquere, em Resende. "Sou caseiro numa quinta vizinha da igreja e, por tradição, é habitual dar aos caseiros uma chave da igreja. Abro a porta a quem quiser visitar o mosteiro", relata. O Mosteiro de Santa Maria de Cárquere está classificado como monumento nacional desde 1910. Joaquim Pereira conta que "o Livro de Honra já vai com o quinto volume" e que as pessoas "fazem questão de deixar registada a passagem".

O projeto Cuidadores do Património foi um dos 11 vencedores do concurso "Histórias do Património Europeu 2020", promovido pelo Conselho da Europa e pela Comissão Europeia.

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