Revolução 4.0

Design e customização dão nova vida ao setor do mobiliário

Indústria do mobiliário. Fotografia: Global Imagens
Indústria do mobiliário. Fotografia: Global Imagens

Apesar de apenas 20% das empresas de mobiliário estar numa fase avançada da indústria 4.0, setor tem vindo a ganhar dinamismo e a reforçar-se lá fora

O setor do mobiliário ganhou dinamismo na última década. As exportações cresceram mil milhões de euros nos últimos oito anos e representam atualmente cerca de 90% da produção do setor. “Existem menos empresas e menos trabalhadores no global, mas com maior capacidade de produção e isso só se explica pelo investimento na tecnologia”, assume Vítor Poças, presidente da direção da Associação das Indústrias de Madeira e Mobiliário de Portugal (AIMMP).

O design e a criação de marca também foram determinantes no dinamismo que faz do cluster do mobiliário um dos atuais front runners da economia nacional. “O setor evoluiu imenso, quer pelo processo de internacionalização da indústria, apoiado pelos diversos quadros comunitários nos projetos de conjunto da APIMA – Associação Portuguesa das Indústrias de Mobiliário e Afins com o apoio da AICEP quer pela criação de marca, que levaram ao momento atual em que somos reconhecidos internacionalmente como um dos melhores produtores do mundo neste setor”, sublinha Joaquim Carneiro, presidente da APIMA.

Joaquim Carneiro alerta, contudo, para o facto de, apesar de existir no setor uma boa combinação entre as últimas tecnologias e os saberes tradicionais, apenas 20% das empresas estarem numa fase adiantada da Indústria 4.0. “Temos instalados os melhores equipamentos, mas, devido à dimensão das nossas empresas – maioritariamente PME -, não temos uma mass production, mas sim uma mass costumization, e é aí que está a nossa vantagem competitiva”, afirma o responsável da APIMA para quem o facto de este ser um setor “pulverizado por PME”, facilitar a adaptação a esta nova revolução.

Como forma de apoiar as empresas na transição para uma lógica 4.0, a APIMA elaborou um manual de implementação Lean e Indústria 4.0. “É uma ferramenta que facilitará o autodiagnóstico e o processo de implementação nas empresas, que passam a dispor de um guião com as melhores práticas.”

Já Vítor Poças alerta para a necessidade de captação de recursos humanos bem capacitados para fazer face à nova realidade. “Não podemos andar com o carro à frente dos bois porque corremos o risco de estarmos bastante avançados tecnologicamente e não termos recursos humanos devidamente preparados para essa nova tipologia de indústria, mais tecnológica, digital e robotizada”, afirma o responsável da AIMMP, associação que, juntamente com a Confederação Europeia da Indústria de Madeira, lançou um seminário internacional que tem como um dos objetivos melhorar a imagem e atratividade do setor como forma de captação e retenção de talentos para a indústria 4.0. “Se conseguirmos ter recursos humanos capazes, um design capaz, a ligação entre a conceção e a produção e uma produção mais automatizada e robotizada, começamos a ter uma estrutura muito forte neste caminho da indústria 4.0”, admite.

A Nautilus, empresa nacional especializada em mobiliário inteligente, é um bom exemplo da importância da tecnologia e desenvolvimento de produto. Fundada há 23 anos, a empresa evoluiu com o salto tecnológico dado em 2004. “Criámos um núcleo interno, com uma equipa de engenheiros e designers para apostar no desenvolvimento de novos produtos e inovar nos atuais com a integração das novas tecnologias para a educação”, explica Vítor Barbosa, CEO da Nautilus. O esforço deu frutos com produtos-bandeira como uma mesa e um quadro interativos a serem premiados a nível internacional.

Há dois aspetos que nos diferenciam: o mobiliário inteligente, que é a nossa assinatura, e a evolução dos processos de produção, nomeadamente a injeção de polímeros que nos permite ter “produtos que respondem aos princípios da economia circular, uma vez que se trata de produtos reciclados”, afirma o responsável da empresa que exporta 60% da produção.

“O desafio para a Nautilus é permanente e consiste em tentar antecipar as necessidades dos clientes. Qualquer empresa que consiga antecipar essas necessidades e criar as soluções vai estar sempre no pelotão da frente”, garante.

A Movecho, empresa com 30 anos, apostou há mais de uma década na digitalização do processo de fabrico. “Foi em 2013 que foi feita a interligação das máquinas com o nosso ERP, com a aquisição do nosso primeiro armazém de placas robotizado em 2013. Foi o início de uma reestruturação/reorganização cultural a todos os níveis, que apelidámos de desassossego 4.0”, recorda Luís Abrantes, administrador.

Hoje, todo o processo de transformação e preparação de componentes da Movecho está interligado. “As mudanças foram feitas essencialmente ao nível dos equipamentos que foram customizados de acordo com a nossa estratégia e necessidades”, explica Luís Abrantes, que destaca os ganhos de produtividade conseguidos, a par de uma maior sustentabilidade.

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