Inov Contacto

Do Brasil até ao Quénia: 200 jovens partem para estágio internacional

Campus Inov Contacto 2020
Foto: DR

Programa Inov Contacto vai levar mais de 200 jovens até estágios internacionais, com a duração de seis meses.

No ano em que o divórcio com a União Europeia fica definitivamente concluído, é o Reino Unido quem mais estagiários Inov receberá. Ao contrário de anos anteriores, destinos na Ásia ficam fora da lista de colocações do programa de estágio internacional da Aicep.

Distribuídos pelo auditório do ISEG, em Lisboa, os jovens selecionados para a 24.ª edição do campus Inov Contacto não conseguem esconder o nervosismo. Vindos de vários pontos do país, as duas centenas de rostos que ocupam a sala têm algo em comum: a ambição de um estágio além-fronteiras, em diferentes pontos do globo. A cerimónia põe fim a dias de aulas, palestras e exercícios de grupo; agora é hora de saber em qual dos 31 países é que passarão os próximos seis meses de vida.

Ao longo destas duas décadas, o programa Inov Contacto já levou seis mil inovs, como são conhecidos, além-fronteiras. Ao todo, são 1200 as empresas e organizações que já receberam os estagiários do programa, em 82 países. Na lista de destinos contam-se países como Brasil, Moçambique, Namíbia, Gana, Irão ou Cazaquistão. Este ano, por causa do coronavírus, que eclodiu em Wuhan, na China, não haverá estagiários internacionais colocados neste país asiático. “Não vamos colocar ninguém na China, não vamos correr riscos desnecessários”, avisa Maria João Bobone, diretora do programa. O vírus detetado no país asiático implicou alterações na colocação dos estagiários internacionais, habitualmente distribuídos por embaixadas e escritórios de advogados na China.

Para a responsável, o programa de estágios representa a oportunidade de “partir à aventura, de coração aberto e tudo pode acontecer”, aponta Maria João Bobone, que descreve os participantes do campus deste ano como “preparadíssimos para interagir com o futuro, são realmente uma geração privilegiada. São altamente motivados para isto, não só durante o processo de seleção e recrutamento, matching em que sabem o seu destino, até aos dias em que estão aqui em sala, que são intensivos, a receber tudo quanto há, para mostrar que são o futuro do mundo e que podem fazer a diferença, se quiserem aproveitar esta oportunidade que lhes vai mudar a vida”.

Na edição deste ano, é o Reino Unido quem mais estagiários receberá – no total, são 32 pessoas. Ana Luísa Almeida é um dos exemplos, com destino marcado para Londres. Descreve o programa como a oportunidade de viver no estrangeiro, que não teve durante a licenciatura. “Acabei a minha licenciatura em Economia e estava à procura de novas experiências. Não tinha feito Erasmus, não tive a oportunidade de viver tanto tempo fora.” Durante vários anos representou a seleção nacional de ténis, mas nunca com uma experiência além-fronteiras tão longa. “Soube por amigos meus e conhecidos [do Inov] e achei uma ótima oportunidade de promover Portugal e de ter, na minha própria vida profissional, um desafio gigante de viver sozinha e de conhecer coisas novas.”

Com pontos de contacto no Reino Unido, afirma estar tranquila com o cenário do brexit. “Não estou muito preocupada, porque é um país vizinho, é familiar, um país onde tenho muitos amigos e familiares a viver. E, se eles não estão preocupados, também acho que não vou estar e que vai ser uma experiência incrível. Vou aproveitar e se houver algum obstáculo tudo se há de resolver.”

A estreia do Quénia e novas empresas

Além do Reino Unido, serão Espanha, Estados Unidos, Brasil ou Moçambique a receber os maiores grupos de estagiários. David Santos, licenciado em Ciência Política e Relações Internacionais, é o primeiro e único inov a estagiar em Nairobi, no Quénia, ao longo deste ano.

Durante a semana de formação, o mistério de quem seria o escolhido para o Quénia foi aumentando entre os participantes, confessa. “Durante esta semana falou-se muito sobre o Quénia, havia quem estivesse reticente e quem considerasse o pior destino. Vejo-o como um desafio pessoal grande, inclusive na carreira. Mas o meu saldo é extremamente positivo, estou contente. Espero ter um trabalho não só nas várias vertentes da Embaixada, mas também representar o meu país”, explica David Santos.

Com jovens de diferentes áreas de estudo, desde a gestão, à engenharia e às relações internacionais, há novas empresas que quiseram receber os estagiários portugueses. A filial da Warner Music, no Reino Unido, é um dos exemplos de novas organizações que se junta ao programa coordenado pela Aicep. A sueca Ikea ou a Queen Mary University of London também fazem a estreia no programa. No total, a 24.ª edição do campus conta com 175 empresas e organizações.

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