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Educação ajuda a proteger emprego

Na foto: João Cerejeira Silva, professor auxiliar de Economia da Universidade do Minho
(Paulo Jorge Magalhães/Global Imagens)
Na foto: João Cerejeira Silva, professor auxiliar de Economia da Universidade do Minho (Paulo Jorge Magalhães/Global Imagens)

Professor de Economia da Universidade de Minho, João Cerejeira Silva, abordou o impacto da tecnologia no emprego.

Portugal tem “57,6% de trabalhadores em ocupações passíveis de serem automatizadas no espaço de duas décadas”. O alerta foi deixado por João Cerejeira Silva, professor de Economia da Universidade do Minho, que abordou o “Impacto da tecnologia e inovação no futuro do trabalho e do emprego”, na conferência de Braga do Fórum PME Global. Isto não quer dizer que este emprego vá todo desaparecer, mas vai transformar-se e é preciso fazer adaptações no mercado.

A revolução tecnológica que está a chegar vai trazer aumento de produtividade e novas oportunidades de negócio, é certo, mas também o aumento do desfasamento entre as necessidades das empresas e as qualificações dos trabalhadores e uma maior polarização salarial, geradora de desigualdades.

A educação (e sua qualidade) pode ser um trunfo importante de “proteção”, pois “maior educação média está associada a profissões com menor probabilidade de serem automatizadas. Mas, em Portugal, o panorama é preocupante. “A região da Europa com menor percentagem de pessoas com ensino secundário ou superior são os Açores, depois a Madeira e depois a região norte”. Mesmo Lisboa, que está mais bem cotada, está “abaixo da média europeia”, explica o professor, considerando que o país está a começar o processo de renovação e transformação tecnológica sem estar ainda “devidamente equipado a nível de capital humano”.

Ainda segundo João Cerejeira Silva, as tarefas e profissões concentradas em capacidades manuais e físicas sofrerão a maior contração e haverá uma expansão do emprego em profissões em que as capacidades são tecnológicas ou as questões emocional e social são as mais relevantes. A formação ao longo da vida também será importante, porque vai ser necessário aumentar a mobilidade das pessoas, seja entre empregos ou mesmo dentro de uma empresa.

Para aumentar a mobilidade é preciso, volta a sublinhar o professor da Universidade do Minho, ter mais formação. “Provavelmente vamos precisar desses novos instrumentos financeiros, seguros de formação e desemprego.” Se a vida ativa for mais longa, será necessário, também, repensar “mecanismos de flexisegurança”, equacionar proteger não apenas o posto de trabalho, mas “proteger o indivíduo de quebras de rendimento que tenha ao longo da vida”.

“Há que redesenhar o financiamento da formação”, considera. E até as entidades seguradoras e de financiamento, acrescenta, vão ter de olhar para a parte da formação e “adaptar alguns instrumentos” para este contexto de transformação tecnológicas.

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