Poupança para a Vida

Eliza Filby: “A geração Z é mais sabedora, mais realista, tem mais mundo”

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Falta-lhe a memória do período pré-crise, mas a geração Z é talvez a que mais recursos tem para enfrentar o futuro.

De alguma maneira comunicação e educação são duas palavras-chave se quisermos mudar o modo de pensar atual, de maneira a orientá-lo para a poupança?
Os millennials são a geração mais bem preparada da história – em todo o mundo e também em Portugal. Houve uma evolução enorme ao nível do sistema educativo, mas não tanto ao nível da educação financeira. Os millennials são muito inseguros em relação à sua literacia financeira e, compreensivelmente, em relação às suas opções financeiras e nos serviços e opções que existem para eles no longo prazo. Por isso, essa educação tem de vir na mesma linha do seu modo de pensar: tem de ser em vídeo, falar a sua linguagem e responder às suas prioridades, preocupações e valores.

De que forma é que podemos usar a tecnologia para educar para o longo prazo, para a poupança e investimento?
Uma das coisas que me entusiasma é a “gamificação”: o modo como podemos usar o gaming para imergir a pessoa no seu “eu futuro” e assim deixá-la descobrir e aprender de que forma o seu atual plano de poupanças e gastos vai influir no resto da sua vida.

Isso não requer uma mudança de mentalidade por parte dos atuais decisores?
Uma das coisas com que os decisores políticos e os restantes stakeholders da economia têm de aprender a lidar é que o ciclo de vida e a longevidade dos millennials vão ser completamente diferentes dos dos baby boomers. A vida dos baby boomers estava dividida em três fases: a da formação e educação, que durava mais ou menos até aos 21 anos, um longo período de emprego sustentado em que se poupava para a reforma e depois uma reforma longa e feliz. Os millennials não vão ter essa organização de vida: devido à automação, também pelas mudanças no mercado de trabalho, aos constrangimentos da sustentabilidade dos sistemas de segurança social, e também pelas suas próprias escolhas, já que querem um estilo de vida mais dinâmico e multifacetado, em que não estão presos a um único sítio, trabalho ou carreira.

Sendo a geração X aquela que mais sofreu com a recente crise, de que forma é que pode pensar na poupança para o futuro?
A geração X foi a mais afetada: aquela que tinha empregos, bens, responsabilidades – e que agora está “ensanduichada” entre os cuidados que tem de prestar aos filhos e aos pais idosos. A geração X preocupa-me muito porque acho que são a geração com maior sentimento de frustração. Penso que lhes deve ser prestada tanta atenção quanto aos millennials.

E há esperança para a geração Z?
Penso que há mais realismo. Os millennials ainda se lembram dos bons tempos e podem sentir que o futuro lhes foi roubado pelos pais ou até pelos avós, ao passo que a geração Z é mais sabedora, mais realista e tem mais mundo. Vê as oportunidades de poder fazer as coisas por si. A nível mundial, 47% da geração Z vê-se a dirigir o seu próprio negócio e como um empreendedor. E o que é interessante – e para mim bastante otimista – é como a crise afetou esta geração (é a geração que não recorda os bons tempos, apenas a crise), mas ao mesmo tempo lhe deu mais recursos e a agilidade de que necessitamos no século XXI.

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