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Empresas do Algarve devem apostar na diversificação

Fórum PME Global -  AGEAS Seguros, na Associação Empresarial da Região do Algarve.
Camilo Lourenço; Gustavo Barreto; Nuno Battaglia; Paula Martins; Reinaldo Teixeira; Vitor Neto;
(André Vidigal / Global Imagens)
Fórum PME Global - AGEAS Seguros, na Associação Empresarial da Região do Algarve. Camilo Lourenço; Gustavo Barreto; Nuno Battaglia; Paula Martins; Reinaldo Teixeira; Vitor Neto; (André Vidigal / Global Imagens)

A competitividade da região algarvia esteve em debate em Loulé, numa iniciativa da Ageas Seguros.

“No país, a coisa está feia. No Algarve, está um bocadinho melhor.” Quem o diz é Luís Serra Coelho, presidente da Ordem dos Economistas no Algarve, ao apontar para números a vermelho na apresentação de PowerPoint. Numa sala lotada, público e intervenientes seguem com atenção os dados que o economista garante serem inovadores, retirados do Amadeus, uma plataforma global que concentra 23 milhões de empresas, com 100% de capital privado, incluindo sociedades por quotas e anónimas.

Luís Serra Coelho faz zoom e foca-se no turismo. São 41 mil empresas em Portugal, 14% do total, com um volume de negócios de 21,4 mil milhões de euros. Mais zoom, o Algarve: 3735 empresas ligadas ao turismo, 1,8 mil milhões de receitas. A grande maioria ligada ao alojamento e restauração, claro. Primeiro, a boa notícia: no PIB per capita, a região sobe ao segundo lugar do pódio, logo atrás da Área Metropolitana de Lisboa. Depois, vem o choque. Em Portugal, 38,8% das empresas turísticas estão tecnicamente falidas ou são economicamente inviáveis. 43,9% reportaram prejuízo. No caso do Algarve, o número baixa para 32% no primeiro caso, 36,1% no segundo.

Algo que faz que a prevenção de risco, sobretudo na área operacional, se torne ainda mais urgente, diz José Gomes, membro da Comissão Executiva da Ageas Seguros: “se uma empresa tem apenas uma máquina para criar um determinado bem e essa máquina se avaria, a seguradora cobre e paga uma máquina nova. Mas, o que acontece entretanto?” – questiona. De olhos bem abertos para o panorama nacional, assente fundamentalmente em PME, a seguradora tem investido em consultoria gratuita, em software e know-how, especializando-se nesta área de risco e ajudando a prevenir, em vez de remediar.

Os empresários presentes admitem que apesar da tendência positiva, o cenário não é de festa. “Nós estamos com uma boa conjuntura, há muitos clientes a investir no Algarve, mas isto pode não durar muito tempo”, reconhece Reinaldo Teixeira, administrador do grupo Garvetur/Enolagest que inclui 41 empresas ligadas ao imobiliário, seguros, rent-a-car, trabalho temporário, entre outros. A solução é diversificar e aproveitar a qualidade que o Algarve tem para oferecer, fazendo face às incertezas da concorrência.

“Nós temos sabido aproveitar as oportunidades. Por exemplo, atualmente, o Algarve tem beneficiado muito do mercado francês, que anteriormente não existia. Para já, ainda não sentimos os efeitos do brexit. Aliás, quanto mais se afasta o Reino Unido da Europa mais perto nós teremos de estar deles” – adverte -, garantindo que o investimento do grupo na educação, através da aquisição do Colégio Internacional de Vilamoura, por exemplo, se tem revelado uma aposta acertada na estratégia de captação de novos mercados.

Outro dos temas quentes, ao aproximar-se o verão, é a falta de mão-de-obra. Algo que no Algarve se torna crítico, dada a dificuldade dos assalariados em encontrar habitação que não seja a preço de turista. “Como é possível pagar rendas de 600 euros e ter salários de 700 ou até 1000 euros?”, questiona Reinaldo Teixeira. “Há câmaras que têm terrenos! Desafiem os empresários a construir a custos controlados! Também é negócio!”, desafiou.

Vítor Neto, presidente do Núcleo Empresarial da Região do Algarve (NERA) – que acolheu a conferência -, concorda que o problema é grave e admite que a solução não é fácil, dada a assimetria demográfica na região. “O Algarve tem um desequilíbrio estrutural. 80% da população vive em 20% do território. E 70% desta realidade verifica-se no litoral”, recorda, explicando parcialmente o desequilíbrio nos preços da habitação. Por outro lado, não esquece o abandono dos campos: “A primeira produção do Algarve no século XIV era de figos. Hoje, importamos figo, amêndoa, azeite! Nós não temos turismo a mais, temos é outras áreas a menos!”, conclui o ex-secretário de Estado do Turismo.

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