Revolução 4.0

Empresas que criam tecnologia para indústria apostam na internacionalização

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Setor nacional das tecnologias vocacionadas para a indústria 4.0 “está bem e recomenda-se”, com mais empresas a promoverem soluções no exterior.

O setor nacional das tecnologias vocacionadas para a indústria 4.0 “está bem e recomenda-se”, com as empresas a apostarem na internacionalização das suas soluções. Ao mesmo tempo, projetos que integram aceleradores de inovação e tecnologias de terceira plataforma apoiam as empresas portuguesas a ganhar novos mercados.

O Grupo ISQ é uma multinacional de origem portuguesa a trabalhar na área de engenharia, no setor denominado internacionalmente por TIC (Testing, Inspection and Certification). “Ajudamos tudo o que é indústria – automóvel, oil and gas, aeronáutica, aeroespacial, energias renováveis – a otimizar os seus processos de produção e a inspecionar e tornar mais eficazes e eficientes as operações”, explica Pedro Matias, presidente do grupo, que vê o 4.0 como a “fórmula 1” da indústria. “É onde se aplica o estado da arte da inovação tecnológica e industrial”.

Com isto em mente, o Grupo ISQ tem vindo a investir na área de Investigação & Desenvolvimento, contando atualmente com cerca de 70 projetos de inovação para as empresas, fornecendo-lhes soluções de última geração para o seu negócio. “Muita da nossa ação é antecipar o futuro e colocar esse futuro ao serviço da indústria.

Hoje estamos a usar algoritmos que desenvolvemos, que instalamos em máquinas de filmar transportadas por drone para inspecionar parques eólicos. Os algoritmos fazem a leitura permanente das pás e do gerador, transmitem esses dados para um software que deteta algum problema que exista. Tudo sem ter de parar o gerador”, explica Pedro Matias. “Do ponto de vista económico, permite ao promotor fazer a inspeção do seu ativo sem ter de o parar. É como fazer uma viagem de Lisboa ao Porto e fazer a inspeção ao carro sem ter de o parar”, exemplifica o responsável.

Também a plataforma UNO, desenvolvida pela EQS, aposta na recolha e tratamento de dados como forma de prover uma solução de apoio à decisão. Criada há 15 anos, a EQS dedicou-se inicialmente à gestão de risco e gestão de ativos. Há cinco anos, a necessidade de criar mais valor nas propostas apresentadas aos clientes – indústrias de capital intensivo -, levou à criação e patenteação de um sensor.

“O objetivo foi produzir informação através de uma solução que receba os dados, os contextualize e os apresente em tempo útil e de uma forma legível. Foi assim que surgiu a plataforma UNO”, explica Hugo Branquinho, executive VP de Soluções Digitais.

“A área de soluções digitais tem dois objetivos: aumentar o valor dos trabalhos que fazemos através de soluções mais digitais e entregar serviços de digitalização para a indústria 4.0. Queremos recolher, tratar e contextualizar dados e entregar essa informação aos stakeholders relevantes para que possam ter um processo de decisão mais rápido e correto”, afirma Hugo Branquinho.

A plataforma UNO foi entretanto apresentada no European Innovation Council, em Berlim, e na Hannover Messe. “Estamos em concursos para os EUA e para Portugal, onde já implementámos a nossa solução na indústria de águas e na indústria da refinação e petroquímica”, congratula-se o responsável para quem a forma como a UNO está a ser entregue potencia o seu sucesso. “A EQS tem mais de 15 anos de experiência em operações na indústria e temos componentes de hardware e software que nos permitem entregar um serviço quase ‘chave na mão’”, afirma.

A Sqédio apostou numa solução que permite a integração de todo o processo produtivo. Criada em 1995 para fornecer soluções na área da engenharia, em 2008 ganhou novas valências quando foi integrada no grupo espanhol Ibermática.

“O grupo tinha uma área de desenvolvimento de software para gestão. Decidimos trazer para Portugal uma tecnologia que ligasse as áreas administrativas e de engenharia. Quando, em 2009 as empresas portuguesas tiveram que apostar na internacionalização percebemos que era a oportunidade de utilizar uma tecnologia que integrasse verticalmente e horizontalmente todo o processo”, recorda João Ribeiro, diretor-geral da Sqédio.

Entretanto a empresa especializou-se na modelação tridimensional e na informação por esta passada ao processo produtivo e à conceção, numa solução que permite acompanhar o desenvolvimento de produto, desde a proposta ao cliente à manutenção. “Todo o ciclo de vida do produto é gerido pela nossa plataforma”, assegura.

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