"Era normal as empresas definirem estratégias a três, cinco anos e isso hoje já não é possível"

Rui Vaz, partner da Deloitte e um dos responsáveis pelo estudo anual da consultora, explica ao Dinheiro Vivo como a tecnologia é indissociável do planeamento estratégico e antecipa as principais tendências em áreas fundamentais como a cibersegurança.

A Deloitte prepara-se para divulgar, na próxima quarta-feira, dia 20, uma nova edição do estudo Tech Trends 2021, que antecipa as principais tendências tecnológicas para os próximos 18 a 24 meses. A apresentação vai mostrar aos gestores e setores empresariais, através de casos práticos, aquilo que podem esperar de um futuro a curto prazo para que possam adaptar os seus negócios às novas exigências. Conceção da estratégia, importância dos dados e a cibersegurança são três dos principais temas na agenda.

Em conversa com o Dinheiro Vivo, Rui Vaz, partner da consultora, explica que os estudos que a empresa desenvolve há 12 anos consecutivos trabalham, sobretudo, "tecnologias de disrupção" à escala global. E porque não se trata de um exercício de futurologia, o especialista esclarece que "identificamos em cada estudo entre nove a 12 tendências, mas depois temos a coragem de assumir, mais tarde, aquelas que resultaram e as que não se concretizaram". Também por isso, o modelo de recolha de informação que está na base da definição destas perspetivas assenta em três eixos - conversas com executivos, auscultação da comunidade académica e parceiros, nomeadamente desenvolvedores de plataformas como a SAP, Azure e outras semelhantes. "Isto dá-nos uma visão bastante abrangente, é um trabalho contínuo", diz.

Se é verdade que, tipicamente, a análise de tendências está muito ligada à realidade da economia norte-americana, Rui Vaz revela que "este ano, pela primeira vez, os casos práticos incluídos no estudo têm um português". Esse exemplo é o da Sogrape, produtor vínico centenário que abraça uma das principais tendências antecipadas no Tech Trends 2021: o core revival.

Reinventar o coração do negócio

A forma como o planeamento estratégico é pensado pelas empresas mudou muito nos últimos anos. O consultor partilha que uma das tendências analisadas prevê a aplicação "dos princípios da engenharia à estratégia das organizações", tornando-a indissociável da tecnologia. "Era muito normal as empresas definirem planos estratégicos a três, cinco anos, e isso hoje não é possível". Atualmente, a velocidade de transformação do mundo, da economia e das exigências dos consumidores implica, necessariamente, maior "capacidade para adequar a implementação da estratégia" e agilidade na gestão. Significa isto que existem cada vez mais plataformas tecnológicas desenhadas para dar suporte à definição de estratégias e cenários, permitindo que os executivos consigam, consoante a realidade de cada momento, adaptar a atuação da empresa de forma rápida e eficaz. "A Deloitte está também a trabalhar assim em consequência da pandemia, é uma tendência", afirma.

O core revival é outra das orientações antecipadas. O conceito implica repensar e reimplementar os sistemas centrais das empresas, que "por serem tão complexos as pessoas evitavam interferir". Rui Vaz lembra que, até aqui, este era um tema evitado por setores mais tradicionais como a banca e os seguros, mas que a realidade está a mudar com o aparecimento de soluções na cloud que permitem a migração de sistemas e a sua progressiva modernização. "É claramente algo muito comum a vários setores e acreditamos que vai explodir nos próximos meses", defende.

Segurança pensada de raiz

A transformação de um mundo analógico para uma versão digital trouxe vantagens competitivas às empresas, mas também preocupações adicionais com a cibersegurança. O modelo Zero Trust, ou Confiança Zero, é, por isso, uma das principais tendências antecipadas pela Deloitte. "No passado, quando desenhávamos um sistema, a segurança era pensada mais tarde", aponta Rui Vaz, que defende que "hoje tem de ser planeada "by design"". A desconfiança deve, assim, fazer parte destes sistemas que se querem "resistentes à capacidade de processamento atual". No entanto, e porque essa capacidade está em constante evolução, nomeadamente com o desenvolvimento da computação quântica, o consultor acredita que esta é uma tendência a longo prazo e que deve estar presente em tudo o que as empresas fazem.

A apresentação do estudo Tech Trends 2021 vai explorar, em detalhe e através de casos práticos, cada uma das principais tendências tecnológicas numa sessão de divulgação online marcada para a próxima quarta-feira, a partir das 9h30. A reinvenção dos temas e sistemas core das empresas, a importância do machine learning e da Inteligência Artificial na recolha e tratamento de dados, assim como o futuro da organização do trabalho estarão no centro da discussão no evento promovido pela Deloitte Portugal.

Link para o evento e inscrições

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