Conversas PortoBay

Dionísio Pestana: “Errar duas vezes na hotelaria é um prego no caixão”

Conversa entre Dionísio Pestana e o jornalista Luís Osório no Hotel Porto Bay Liberdade
(Diana Quintela/ Global Imagens)
Conversa entre Dionísio Pestana e o jornalista Luís Osório no Hotel Porto Bay Liberdade (Diana Quintela/ Global Imagens)

Dionísio Pestana foi o convidado do ciclo de entrevistas públicas 30 Portugueses, Um País, promovido pelo grupo hoteleiro madeirense PortoBay.

Não aprender com os erros é um luxo a que os empresários na hotelaria não se podem dar. Há muito dinheiro envolvido para simplesmente não ouvir as lições do próprio percurso. Esta é a opinião do hoteleiro Dionísio Pestana, que trabalha desde os 10 anos e fundou o grupo hoteleiro Pestana.
É preciso aprender com o que correu menos bem e fazer o que é preciso para não cometer o mesmo erro duas vezes. Os erros fazem parte e acontecerão sempre. Mas deixar que aconteça o mesmo problema uma e outra vez já não é tolerável. “Errar duas vezes na hotelaria é um prego no caixão.”

O que muitas vezes acontece é que, na dinâmica do crescimento, a organização endivida-se para abraçar grandes projetos. Mas depois não aguenta o barco quando a crise chega.
Dionísio Pestana prometeu a si mesmo que nunca mais estaria como a família Pestana esteve após o 25 de Abril de 1974, na época das nacionalizações, quando voltou da África do Sul para ajudar o pai a salvar o hotel que tinha na Madeira. “Perder o património que o pai conseguiu seria uma derrota de vida”, confessou por ocasião do ciclo de entrevistas públicas 30 Portugueses, Um País, evento promovido pelo grupo hoteleiro PortoBay.

Preparar a sucessão
Quer deixar aos seus filhos mais do que recebeu dos seus pais. “Essa é a minha grande motivação”, confidenciou a Luís Osório, o jornalista e escritor que modera estas conversas que acontecem todas as semanas no Hotel PortoBay Liberdade, em Lisboa.

A transmissão do património é algo com que se preocupa: “Penso sempre no dia em que tenho de passar o testemunho. Se eles quiserem estou lá para ajudar, mas a próxima geração é que tem de tomar as decisões.” Muitas vezes escreve no seu caderno de notas lições e mensagens que quer passar aos filhos. Por exemplo, regista experiências que envolveram uma tomada de decisão, dicas para saberem como fazer o trabalho de casa ou como ter um plano B.

O que faria diferente sabendo o que sabe hoje? Olhando para trás, considera que devia ter-se internacionalizado mais cedo. “Tenho pena de ter demorado tantos anos a dar o salto.” Hoje, com quase uma centena de unidades, o grupo é composto pelas marcas Pestana Hotels & Resorts, Pestana Collection Hotels, Pestana CR7, que é uma parceria com o futebolista Cristiano Ronaldo, e as Pousadas de Portugal, propriedades históricas que a cadeia privada portuguesa gere desde 2003.

Uma das dicas mais importantes que o empresário nascido em Joanesburgo e formado pela escola inglesa deixou a quem o ouvia nesta semana foi que “é muito importante desenvolver um projeto de cada vez”. Há muito risco e tempo envolvido quando se cria uma nova unidade hoteleira. A operação hoteleira não é fácil, defende, mas a boa notícia é que, quanto mais não seja, “no final do ciclo fica sempre a valorização do imóvel”.

António Trindade, pai de Bernardo Trindade e mentor do grupo PortoBay, pediu ao amigo de longa data para partilhar o que é preciso para projetar um hotel a dez anos. É que, na sua opinião, há uma disfunção no tempo entre a oferta e a procura, o que obriga o empresário a ser visionário porque tem de antecipar o que vai acontecer no longo prazo.

Há duas componentes que determinam o investimento, disse Dionísio Pestana: a racionalidade e a emoção. “O primeiro hotel é sempre muito emocional.” Mas nos projetos seguintes é difícil manter a motivação por quatro a cinco anos, o tempo que, na melhor das hipóteses, levam até serem inaugurados. “A partir do segundo projeto, o racional domina sempre.”

Qual é o segredo do sucesso da sua cadeia hoteleira? Uma das coisas que apontou foi a diversidade da Comissão Executiva, em que apenas dois membros são da hotelaria. O facto de os restantes membros terem origem em outras áreas (um veio da Google, outro da Sonae, por exemplo) gera um know-how ímpar que permite concorrer em pé de igualdade em Barcelona, Londres, Miami e Nova Iorque.
Depois há o calor humano português que os hotéis Pestana levam quando saem do país e que é uma vantagem competitiva. “A parte humana do serviço é 100% portuguesa.” Ou seja, a simpatia, a comunicação com o cliente são padrões de serviço que o diferenciam de outras cadeias internacionais onde esse trato humano está a desaparecer, explicou um dos homens mais ricos de Portugal.

O que o move? “Ainda estou no primeiro ato, a crescer com toda a energia e entusiasmo, apaixonado pelos projetos novos. Todos os dias de manhã, quando acordo, adoro ir para o escritório e fazer o que faço.”

Os encontros com portugueses que se destacam, e que darão origem a um livro editado pela Guerra e Paz, a publicar no final de 2019, são à terça-feira, às 18.00, na Rua Rosa Araújo, em Lisboa. Para a semana temos encontro marcado com a artista Joana Vasconcelos.

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