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Fernando Santos: “Talento é essencial, mas sem trabalho não se chega lá”

Fernando Santos.
(PAULO SPRANGER/Global Imagens)
Fernando Santos. (PAULO SPRANGER/Global Imagens)

Selecionador nacional de futebol, último convidado do ciclo de entrevistas organizado pelo grupo Portobay, admite que muitas vezes “joga à defesa na vida”

Quando Fernando Santos se põe em campo para encontrar as próximas estrelas do futebol procura duas coisas: talento e capacidade de trabalho. “O talento é essencial, mas sem trabalho não se chega lá”, defendeu na última entrevista do ciclo 30 Portugueses, Um País, que dará origem a um livro com o essencial das 30 conversas.

Que conselhos daria a um jovem jogador? Para se chegar ao topo e manter-se nele, “o talento não chega”, afirmou o selecionador nacional. Se um jogador se deixa deslumbrar e endeusar pelos outros, perde o foco, alertou quem já esteve em várias posições: foi jogador no Estoril Praia e no Marítimo, treinador em Portugal e na Grécia, e ainda diretor do Hotel Palácio do Estoril. Nas palavras de Fernando Santos, “sobrevivem mais os que trabalham muito e não têm tanto talento do que aqueles que têm um enorme talento mas não trabalham”.

Hoje, os jogadores são treinados para serem profissionais. “A ideia de que o jogador tem de jogar por amor ao clube já não existe. Continuamos a achar impróprio que um jogador mude de clube. Eu só não mudo de mulher e de religião, mas posso mudar de clube”, disse, com graça.

Reconhece que muitas vezes se fecha e “joga à defesa na vida.” Sabe que perante comentários negativos que ouve na rua o melhor é não responder. Um dia no Porto queria sair da sua garagem e tinha um carro a impedi-lo. Perguntou no restaurante ao lado de quem era a viatura e logo várias pessoas se juntaram indignadas pela falta de civismo, apoiando Fernando Santos. Quando o dono do carro chegou, o treinador não se conteve e expressou o seu desagrado. Resultado: nesse momento aqueles que antes o apoiavam passaram a criticá-lo. “As pessoas não admitem que um treinador tenha uma reação mais agressiva”, desabafou.

Uma das suas obrigações enquanto líder é dar-se a conhecer e conhecer cada pessoa da sua equipa. “Fui aprendendo que se queria que me conhecessem bem tinha também de conhecer cada pessoa.”
Aprender nunca passa para segundo plano. Mesmo que lhe custe ouvir alguns comentários na televisão, aproveita para refletir. “A primeira coisa que faço a seguir a um jogo é não dormir.” Começa logo a pensar em como pode melhorar o seu desempenho.

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