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Filipa Fixe: “Queremos facilitar a viagem do doente”

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Filipa Fixe: “Queremos facilitar a viagem do doente”

A tecnológica portuguesa Glintt apoia o cidadão desde a fase saudável até à fase da doença

A Glintt é cotada na Bolsa de Lisboa Euronext foca a sua atividade no desenvolvimento de software e soluções na área da saúde para farmácias e unidades prestadoras de cuidados de saúde. Falámos com a mais recente administradora da Glintt, Filipa Fixe, responsável pelo mercado de Healthcare, pelos projetos em curso e as tendências de futuro.

As soluções da Glintt são utilizadas em mais de 200 hospitais e clínicas e em cerca de 16 mil farmácias em toda a Península Ibérica. Quais são os projetos de maior destaque?
São projetos focados na transformação digital da nossa solução nativa GlobalCare, um software que integra todo o ciclo de vida do paciente, desde a admissão na unidade de saúde até ao acompanhamento à distância, passando pelas consultas, exames, cirurgia… O que fazemos é garantir a interoperabilidade, ou seja, que todas as aplicações existentes nos hospitais estejam ligadas e que não haja duplicação de informação. Deste modo, o médico consegue interligar todos os dados sobre a doença, alergias, medicamentos, alimentação e fazer uma prescrição mais segura. A solução GlobalCare é também um enabler da maturidade digital nos hospitais, garantindo que as tecnologias de informação sejam um facilitador para os profissionais de saúde e envolvam o doente no seu autocuidado. Estamos fortemente orientados para a certificação da maturidade digital das entidades hospitalares, sendo que recentemente o Hospital de Cascais, fruto de uma parceria com a Glintt e outros players de mercado, conseguiu atingir o nível 7 do HIMSS (Information and Management Systems Society), o nível máximo deste tipo de certificação. Em Portugal é o único e na Europa é um dos quatro hospitais posicionados neste patamar, sendo reconhecido como uma unidade “sem papel”, em que os sistemas de informação põem o doente no centro da atenção. A Glintt, enquanto parceira tecnológica, garante que as tecnologias de informação sejam adotadas, tanto pelos profissionais como pelos utentes. Pretendemos reduzir erros clínicos e taxas de readmissão, aumentar a produtividade e rentabilizar os custos com recursos humanos. Em fase de desenvolvimento temos ainda um projeto-piloto a decorrer no Centro Hospitalar da Cova da Beira. O Medon é um programa cofinanciado pelo Portugal 2020, que garante a toma assertiva da medicação por parte dos utentes e com total segurança. É uma arma poderosa junto do doente idoso, bem como no combate aos efeitos adversos da medicação, tanto nas unidades de saúde como em casa. Outro projeto em curso, e igualmente cofinanciado pelo Portugal 2020, é o Knowlogis que incide sobre a logística hospitalar e permite saber, por exemplo, o que a unidade possui em stock a dado momento. Trata-se de uma parceria com o INESC e está em fase experimental no Centro Hospitalar de Vila Nova de Gaia. Para a gestão de camas, temos o Wisewards que, em função da informação clínica e administrativa, é uma solução que permite saber, e por consequência gerir, quantas camas a entidade hospitalar vai precisar mediante a sua atividade. Falamos de exemplos como as altas, as cirurgias programadas ou outras ocorrências periódicas, como a gripe.

Em que soluções é que os hospitais investiram mais nos últimos anos?
Em soluções de interoperabilidade e centralizadas que garantam partilha de informação entre profissionais e unidade de saúde, bem como na monitorização da saúde à distância. A sustentabilidade financeira das instituições de saúde apenas é possível alavancada em tecnologia e a prevenção é um fator decisivo para reduzir o número de episódios agudos e a ida às urgências.

E as farmácias hospitalares?
As farmácias dos hospitais investiram num sistema que permite gerir todo o processo, desde a prescrição feita pelo médico dentro do hospital, e que é enviada para o farmacêutico hospitalar para validação, até à administração da medicação pelos profissionais de enfermagem. Esta solução Glintt permite o acesso do farmacêutico ao processo clínico do doente (medicação, interações, diagnósticos) e a possibilidade de comunicar com todos os intervenientes: médico e enfermeiro.

Que aplicações mobile já foram lançadas pela Glintt?
Para o utente, destacamos uma aplicação e um portal para a instituição de saúde com uma área reservada. Temos ainda aplicações para os profissionais de saúde e estamos a investigar soluções para cuidados remotos aos utentes, como os que resultam de tecnologias da telemedicina e telemonitorização.

As vossas aplicações estão integradas com o SNS. Que vantagens podem haver?
Permite-se que a circulação da informação seja bidirecional. Que se consiga um retorno de dados qualificados, uma vez que existe diálogo e interação entre as diferentes instituições de saúde. Para além disto, permite que a informação seja focada no cidadão.

Que investimento tem a Glintt realizado em I&D nos últimos anos?
Temos vindo a fazer, desde 2016, um forte investimento em I&D dirigido ao Globalcare, solução 100% nativa da Glintt. A nossa sede de I&D está no Porto e contamos com uma equipa de 190 colaboradores totalmente dedicados.

E que tendências antecipa?
Cuidados remotos, transformação de dados em informação (inteligência sobre os dados), usabilidade das soluções e genómica no point–of-care.

O HINTT 2018 está agendado para dia 3 de outubro na Fundação Champalimaud. Que novidades há na segunda edição?
Vamos continuar a destacar o impacto das tecnologias no setor da saúde e dar especial atenção ao desafio da utilização massiva de gadgets. Os sete princípios do futuro e o que significam para o setor da saúde na próxima década será o tema da apresentação do autor futurista Gerd Leonhard. O orador convidado da edição deste ano abordará ainda o paradigma “Humanidade-Tecnologia: o que farão as máquinas e que papel terá o Homem?” A ideia é explorar o confronto da máquina versus humanidade, que, nas palavras de Gerd, fará todas as outras revoluções industriais parecerem algo como um jardim-de-infância.

Saiba mais sobre o Hintt 2018 aqui.

Até 31 de maio ainda é possível candidatar-se ao prémio HINTT, iniciativa com que a Glintt quer destacar aquilo que de melhor se faz nas tecnologias de informação e comunicação (TIC) aplicadas à saúde. As candidaturas serão avaliadas até 14 de setembro, os projetos finalistas publicados até 21 de setembro e o prémio será atribuído no evento HINTT 2018, que irá acontecer no dia 3 outubro de 2018 na Fundação Champalimaud, em Lisboa.

“Esperamos projetos que privilegiem um ambiente paperless conducente a ganhos relevantes para a segurança do doente, apoio à decisão clínica e eficiência global”, explica Filipa Fixe.

As entidades prestadoras de cuidados de saúde nacionais, públicas, privadas, startups do setor, bem como profissionais, individualmente ou integrados numa equipa, que exerçam funções na mesma entidade, podem concorrer. Ficam de fora as entidades e profissionais que pertençam ao universo da Associação Nacional de Farmácias, uma vez que a ANF é o acionista maioritário da empresa. Cada candidatura deverá estar integrada numa de quatro categorias: Patient Safety, Value Proposition, Clinical Outcomes e Startup Innovation.

No caso das unidades de saúde (que não sejam startups), o prémio são duas inscrições no curso de pós–graduação Gestão na Saúde de uma “escola de negócios de prestígio nacional”; a divulgação do caso apresentado junto da entidade certificadora HIMSS e a publicação do caso nos media. Caso o projeto vencedor seja de uma startup, o prémio são ações de coaching, a publicação do projeto nos media e a possibilidade de vir a ser incorporado no ecossistema da Glintt.

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