Conversas PortoBay

“Gostava de construir o meu trono”

“Tenho um lado triste para sempre”, contou Ana Moura em conversa com Luís Osório, que modera o 30 Portugueses, Um País.
( Gustavo Bom / Global Imagens )
“Tenho um lado triste para sempre”, contou Ana Moura em conversa com Luís Osório, que modera o 30 Portugueses, Um País. ( Gustavo Bom / Global Imagens )

De timbre encorpado e voz velada, a fadista Ana Moura foi a convidada desta semana do ciclo de entrevistas públicas 30 Portugueses, Um País.

Admira a diva do nosso fado e diz que Amália é dona de um trono eterno. Contudo, acredita que podem existir vários tronos e, durante o novo ciclo de entrevistas do grupo hoteleiro madeirense PortoBay, admitiu: “Gostava de construir o meu trono.”

A fadista de “timbre encorpado e voz velada”, segundo a própria, foi a última convidada de “30 conversas sobre Portugal” que começaram em maio de 2018 e terminam em fevereiro de 2019. São entrevistas públicas, abertas à participação de todos, que decorrem na sala Madeira do hotel PortoBay Liberdade, na Rua Rosa Araújo, em Lisboa.

A última conversa está prevista para 12 de fevereiro de 2019, tendo Marcelo Rebelo de Sousa como convidado. As terças-feiras são o dia escolhido para o evento, que começa às 18.00.

O seu maior êxito comercial foi o Desfado, produzido por uma nova equipa em Los Angeles, num “estúdio cheio de história”. O disco esteve mais de cem semanas no top 10 nacional de vendas. Mas tanto a decisão de gravar fora de Portugal como o nome da obra foram alvo de controvérsia. Foi uma provocação que quis fazer, perguntou Luís Osório, o jornalista que modera o 30 Portugueses, Um País, o ciclo de conversas que deve dar origem a um livro a publicar em 2019.

“Foi uma necessidade de experimentar e fazer uma coisa nova. Eu venho de um meio em que a opinião das pessoas tem um peso muito grande. Mas, mesmo que o Desfado não tivesse sucesso, Ana Moura já tinha ganho, graças à felicidade que sentia por ter lançado aquela obra. “Estava disposta a correr o risco de não correr bem.”

Já trabalhou com os Rolling Stones e com Prince – a primeira coisa que o músico, entretanto já falecido, lhe disse ao telefone foi: “A tua voz é ainda mais profunda do que a minha”-, contou Ana Moura, revelando como nas primeiras horas da manhã a sua voz ainda é mais rouca do que o normal e que precisa de tempo para aquecer. Prince assistiu a um dos seus concertos e chegou com um quarto de hora de antecedência. Um elogio para a cantora portuguesa. Vestia-se todo de vermelho e trazia uma bengala brilhante. “Tive sempre a ver aquela figura vermelha a olhar para mim na plateia”, desabafa em tom baixo e tímido.

Timidez é um adjetivo que a fadista usa muitas vezes para se definir. Mas não se considera fraca, como muitos julgavam. Na casa de fado onde começou a sua carreira, e para onde ia todas as noites acompanhada da mãe, cantava três fados; em cada um virava-se para um lado diferente da sala. “Era tão tímida que nem me consegui mexer”, respondeu a Luís Osório. “Sempre fui menina da mamã”, afirmou, concordando com o moderador.

Hoje, sente-se feliz por ter conseguido tornar-se a pessoa que sempre quis ser e melhor na sua pele. Apesar de fazer aquilo que adora e de não duvidar que contribui para a felicidade de muita gente, como a própria diz, não hesita quando revela: “Tenho um lado triste para sempre”.

Ao Observador, por ocasião do documentário Moura, o Outro Lado, revelou que não separa a sua vida profissional da pessoal. “Na minha vida pessoal continuo a ser cantora, não há distinção.”
No futuro, a artista de ascendência angolana que passou a infância em Coruche, na região de Santarém, vê-se a viver em Portugal, mas ambiciona trabalhar noutras cidades por períodos de tempo definidos. Sair para trabalhar em Los Angeles, Nova Iorque, Paris e Londres, mas voltar sempre a Portugal.

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