Smart Open Lisboa

Hora de voltar ao comércio não eletrónico (leu bem)

Brasileira Chiado

A startup de marketing digital Imagine Apps usa o mobile para dar vida ao comércio tradicional da capital.

Estudar a viagem do consumidor para detetar padrões de compra e a localização dos potenciais compradores é o objetivo da Imagine Apps. Ao contrário do que pode parecer, esta startup de marketing digital não quer promover o comércio eletrónico e os portais de vendas online. Está comprometida com a promoção das lojas físicas e em levar mais fãs das marcas ao comércio não online.

Através de uma aplicação mobile chamada AppyFans, a Imagine Apps, constrói soluções para o marketing digital das grandes marcas de consumo. “Percebendo a necessidade de controlo da informação gerada no comércio local físico e de conseguir ativar os consumidores com base nas suas preferências e localização, criámos a AppyFans, uma assistente de compras assente em algoritmos de inteligência artificial que conhece os fãs das marcas e lhes faz sugestões em função da sua localização e das suas preferências”, explica Filipe Romão, CEO e fundador da Imagine Apps.

A aplicação desta startup, uma das vencedoras da edição de 2017 do programa de inovação aberta Smart Open Lisboa (SOL), está disponível em regime de software as a service, o que significa que o software não precisa de ser adquirido – é um serviço a que se acede quando há necessidade. Uma clara vantagem para os utilizadores. No Smart Open Lisboa (SOL), programa da consultora Beta-i, em parceria com a Câmara Municipal de Lisboa, desenvolveram um projeto-piloto com as Lojas com História, rede criada pela autarquia da capital em 2015. Na prática, desenharam uma ativação para os turistas que, ao comprarem nas lojas aderentes – eram cerca de dez localizadas na zona do Chiado e do Rossio -, ganhavam “carimbos” da AppyFans. Juntando quatro recebiam uma entrada no Castelo de São Jorge.

Correu tão bem que a equipa saiu do SOL com dois prémios: acesso a um hub de tecnologias de ponta para smart cities e a participação no Lisbon Investment Summit de 2018, que este ano decorreu no Hub Criativo do Beato.

De negócio familiar a startup

Na origem da AppyFans está um negócio de família com 25 anos de experiência na promoção de produtos de grande consumo no retalho e eventos. Mas com o desaparecimento deste mercado, a empresa teve de se adaptar e substituir a antiga forma de operar pelos descontos em cartão criados pelos retalhistas e pelo digital, explica Filipe Romão, sócio maioritário da empresa, com 60% do capital.
A microempresa nasceu no Entroncamento em 2014, partindo da iniciativa de três sócios. Foi apoiada pela Startup Torres Novas na fase de testes da tecnologia e depois pela aceleradora Building Global Innovators, uma parceria entre o ISCTE e o MIT Portugal.

O arranque da aplicação mobile foi feito com capitais próprios, mas hoje esperam atrair investidores de capital-semente para financiarem o crescimento da plataforma e poderem “vender em quase todas as geografias no mundo”, como, por exemplo, em Espanha, Reino Unido, Estados Unidos e Brasil.
Com a expansão internacional à vista, o passo seguinte é contratar profissionais capazes de desenvolver e aperfeiçoar os algoritmos de machine learning, a tecnologia que permite avisar o consumidor quando há promoções nas suas lojas preferidas.

Para já, a equipa de quatro colaboradores procura estender o projeto a outras Lojas com História para revitalizar o comércio tradicional por meio de tecnologias digitais, como inteligência artificial, geofencing, hyperpersonalization marketing e cloud computing.

Um dos conselhos que este fundador e fazedor de 40 anos, formado em Gestão pela Nova SBE, deixa aos empreendedores é colocarem de lado o medo de falar com todas as pessoas desde o arranque, sem receios. E aprenderem com o feedback recebido.

“Os empreendedores devem falar abertamente com aceleradoras e investidores, desde o momento zero”, diz. Liberte-se e pare de ter medo que alguém roube as suas ideias. Muitos erros poderão ser evitáveis ao aprender com a experiência dos outros, defende Filipe Romão, cuja visão é aprimorar o conhecimento dos comportamentos de compra para que as sugestões da Appy sejam cada vez mais certeiras.

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