Ocean Talks

Ideias em 24 horas que podem influenciar o mundo

O Innovathon 2019 Ocean Edition aconteceu na Praia de Carcavelos e contou com a visita da Ministra do Mar.

( Nuno Pinto Fernandes/ Global Imagens )
O Innovathon 2019 Ocean Edition aconteceu na Praia de Carcavelos e contou com a visita da Ministra do Mar. ( Nuno Pinto Fernandes/ Global Imagens )

Innovathon Ocean Edition decorreu na praia de Carcavelos dias 7 e 8 de junho e juntou uma centena de alunos. Vencedores vão agora trabalhar em protótipos com a ajuda do CEiiA.

Durante 24 horas, sem dormir, uma centena de alunos divididos por 20 equipas, oriundos de universidades de norte a sul do país, dos Açores e até de Edimburgo, na Escócia (Heriot-Watt), elaboraram projetos dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável número 14 das Nações Unidas, de proteção da vida marinha. Conservação das espécies, turismo, aquacultura e não faltou o tema do plástico nos vários projetos apresentados.

As ideias vencedoras do Innovathon Ocean Edition 2019 basearam-se nestes aspetos e agora, durante um ano, os alunos vão trabalhar com o CEiiA de forma a criar protótipos. No final de maio de 2020, a praia de Carcavelos receberá novamente o concurso, mas numa vertente internacional, esperando-se cerca de 150 alunos um pouco de todo o mundo. O evento decorrerá antes da conferência das Nações Unidas sobre os oceanos, que se realizará em Lisboa.

O Innovathon Ocean Edition foi organizado pelo CEiiA – Centro de Engenharia e Desenvolvimento de Produto e pela plataforma Global Compact das Nações Unidas, em parceria com a Câmara Municipal de Cascais, a Universidade Nova e a Galp.

Os membros do júri foram: Helena Silva, diretora da área de valorização do CEiiA (presidente do júri); Soraia Carvalho, diretora do departamento de Ambiente e Cidadania da Câmara Municipal de Cascais; Luís Veiga Martins, diretor de sustentabilidade da Nova SBE; Vera Lourenço, engenheira química da área de desenvolvimento e produção da Galp; e Ana Raquel Sousa, diretora de projetos da área de valorização do CEiiA.

Innova Teco | Atacar de raiz o problema do plástico nos oceanos
O problema dos plásticos é uma preocupação para os cinco alunos da JUNITEC – Júnior Empresas do Instituto Superior Técnico – os Innova Tecos – que querem que não só se limpe como se ataque o problema de raiz. Para tal, pretendem mostrar ao consumidor como está realmente a contribuir ao ter escolhas no ato de compra mais sustentáveis.

“Em vez de se atacar e limparmos aquilo que já existe, que sem dúvida tem de ser feito, o que nós quisemos foi atacar o problema de raiz, ou seja, no consumo. Nós estamos a produzir cada vez mais plástico. O que nós quisemos foi diminuir e atacar isso. Como? Criámos uma moeda virtual, que são os oceanos, os consumidores, a partir de agora, quando forem a uma grande superfície, quando fizerem as suas escolhas, como por exemplo, entre uma escova de plástico ou de bambu, a escova de bambu como é mais sustentável vai-nos dar esta moeda virtual. Vamos ganhar oceanos. Estes oceanos vão depois parar a uma app, onde eu consigo saber não só quantos oceanos é que já tenho, mas o que isso representa”, explicou ao Dinheiro Vivo Gil Coelho (20 anos), o porta-voz da equipa.

O aluno do 3.o ano de Aeroespacial exemplificou: “A app consegue dizer-me que eu evitei que 50 quilos de plástico fossem parar ao oceano, que salvei 35 vidas marinhas, por exemplo. O nosso contributo é palpável.” Mas o Innova Tecos pretende ir mais longe com o seu projeto. “Queremos que estes oceanos [a moeda] possam ser trocados por benefícios, ter um desconto, doar à nossa instituição preferida…
Portanto, é um sistema integrado. As grandes superfícies também ganham, pois estamos aqui a gamificar a experiência do consumidor. Cria-se mais fidelização, mais lealdade. Estão a incentivar o consumo de produtos muito mais sustentáveis”, salientou.

Gil Coelho não escondeu o privilégio de agora poder desenvolver a ideia criada em 24 horas com o apoio do CEiiA e apresentá-la internacionalmente, com os seus colegas do projeto: João Santos (20 anos, 3.o ano de Eletrotécnica), Sara Farias (23, 4.o ano de Biomédica), Gonçalo Chambel (22, 4.o ano de Eletrotécnica) e Francisco Serralheiro (19, 2.o ano de Informática).

Ocean’s Keepers | Ecoturismo e estudo científico ligados por uma aplicação
Foi a única equipa composta apenas por biólogos marinhos e sem formação para criar softwares. No entanto, os cinco alunos do ISPA e Universidade do Algarve idealizaram uma aplicação que tanto pode ser benéfica para o ecoturismo como para a comunidade científica. Catarina Abril não escondeu alguma surpresa por os Ocean’s Keepers estarem entre os três vencedores do Inovathon, mas agora só pensa em tornar realidade o projeto. A ideia diz que “foi de caras” dada a área de estudo.

“O nosso projeto é criar uma plataforma que junte dois tipos de informação: o tracking sobre as rotas de animais de grande porte que têm interesse a nível do ecoturismo e conseguir globalizar a informação para os investigadores poderem usar não só a nível local, mas poderem integrar a informação e ao mesmo tempo informar o público e dar o revenue para o ecoturismo”, explicou ao Dinheiro Vivo a aluna de 23 anos de Mestrado de Biologia Marinha e Conservação do ISPA. “Será através de uma base de dados que serão registadas todas as tags e a fotoindenticação. Completa acaba por dar todas as rotas de migração dos animais”, acrescentou.

A ideia foi também inspirada por uma possível tese de uma das participantes da equipa, segundo explicou Catarina Abril. “Nós somos a única equipa puramente de biólogos marinhos desta competição e não fazia sentido fazer outro tema que não fosse a preservação dos ecossistemas. Existe muita falta de comunicação dentro da comunidade científica e foi daí que partiu a nossa visão, do nosso dia-a-dia. Nós somos mergulhadores, observamos cetáceos e passamos horas à frente de fotografias para tentar descobrir aquele golfinho ou aquele tubarão que ali está”, realçou.

Além de Catarina Abril, a equipa dos Ocean’s Keepers foi constituída por Alexandre van Heerden (20 anos, licenciatura em Biologia Marinha na Universidade do Algarve), Adriana Oliveia (23, Mestrado em Biologia Marinha e Conservação no ISPA), Leandro Marinho (20, licenciatura em Biologia Marinha na Universidade do Algarve) e Maria Costa (22, licenciatura em Biologia Marinha na Universidade do Algarve).

Storm Breakers | Tornar a aquacultura mais sustentável e rentável
Depois de cinco horas a preparar uma ideia que acabou por não avançar, os Storm Breakers criaram um projeto dedicado à aquacultura. “A nossa ideia é juntar empresas eólicas com empresas de aquacultura.
A aquacultura, especificamente a offshore, é muito interessante e muito rentável. O problema são os custos iniciais para montar as estruturas. A onshore é mais fácil porque o mar é mais calmo, enquanto no mar alto as ondas são muito maiores, logo os custos são muito maiores. Por isso tivemos a ideia de aliar a aquacultura com estruturas já existentes de empresas eólicas. Estas já têm as infraestruturas montadas, com cabos até ao fundo do oceano e pode-se usá-las para impulsionar a construção e ficar mais barato e mais rentável”, explicou ao Dinheiro Vivo Pedro Oliveira (20 anos).

O aluno do 2.o ano de Informática do ISEP referiu que “há três pontos-chave”: “O primeiro é a dimensão de custos da infraestrutura. O segundo é se se usar a energia da eólica será [um projeto] sustentável, ou seja, não vai gerar emissões de carbono. E terceiro, claro que se tem de ganhar algo com isso, portanto a empresa de aquacultura paga tanto pela energia como pelo aluguer da infraestrutura.”

Pedro Oliveira considera que a ideia “não tem como não ir para a frente com tanta gente a incentivar-nos”, mostrando-se muito entusiasmado com a possibilidade de poder trabalhar com o CEiiA e de apresentar a ideia do grupo internacionalmente daqui a 12 meses. Também não escondeu alguma emoção por estar entre as três equipas vencedoras e de saber que: “Podemos influenciar o mundo.”
“Não estava nada à espera. Nunca estive envolvido em algo tão grande. Demorámos muito em ter esta ideia”, recordou. Agora só pensa em ver tornar-se realidade o projeto que acabou por ser pensado em menos de 24 horas.

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