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Indústria financeira tem um forte entrave chamado regulação

Carlos Costa, governador do Banco de Portugal
Carlos Costa, governador do Banco de Portugal

Para as startups, a solução tem chegado através de investimento internacional.

A regulação das instituições financeiras é um dos principais entraves a que a aproximação entre os bancos e os negócios inovadores se faça, defenderam os intervenientes no debate O poder da economia digital.

“A indústria financeira está protegida por regulação, o que não acontece no comércio, no turismo, na indústria. Quando prestamos um mau serviço nesses setores, vem um concorrente e leva-nos o cliente. Na banca não”, defende João Vasconcelos, conselheiro da equipa portuguesa da Clearwater International.

“A grande diferença da empresa do Miguel [Santo Amaro, Uniplaces] para a minha é que eu tenho um regulador e ele não”, acrescenta Sebastião Lancastre.

O principal entrave, na opinião de João Vasconcelos, nem é tanto a a legislação portuguesa mas a europeia. “Este é talvez o único setor onde a Europa está em terceiro lugar no mundo. A China e os Estados Unidos já nos deram um baile. No comércio eletrónico, por exemplo. A Europa não consegue manter a sua inteligência, os seus empreendedores, os seus centros de saber e plataformas tecnológicas.”

No entanto, o ex-secretário de Estado da Indústria faz questão de salientar que “o regulador não tem um papel fácil. O nosso [o português], muito menos, porque até há um ano estávamos a falar de sobrevivência e a ver se ainda tínhamos bancos”. Como a banca tradicional não está preparada para ajudar este tipo de negócios, nos últimos dois, três anos, a Uniplaces – como outras empresas da área tecnológica – conseguiu “captar investimento internacional, o que lhes permitiu catapultar o negócio para fora de Portugal”, explica Miguel Santo Amaro, adiantando que a captação de fundos europeus e de outros países tem crescido muito nos últimos anos.

Neste momento, a Uniplaces abdica do lucro para continuar a crescer. “Percebemos que existe uma oportunidade global”, diz o responsável da Uniplaces. A ideia é ter elevados volumes de investimento sem uma fase lucrativa. “É preciso fazer crescer a estrutura para conseguir, daqui a dois ou três anos, alavancá-la. Como a Jerónimo Martins que investiu, durante anos, na Polónia e hoje é um player dominante nesse mercado. A tecnologia não é exceção”, explica. A ambição da Uniplaces é alargar o negócio a outros países da Europa e mesmo para fora da União Europeia.

“Todos os anos há uma rapidez tal, que nos obriga a repensar o modelo de negócio de seis em seis meses, também a nível do recrutamento de talento estamos a competir numa plataforma internacional, ou seja, tenho de atrair talento de Londres, Berlim e EUA”, conclui Miguel Santo Amaro.

Para o CEO da Uniplaces, não estamos a assistir, de forma nenhuma, ao fim da bolha de empreendedorismo em Portugal. “Pelo contrário, acho que é o início de uma oportunidade que Portugal deverá abraçar ainda com mais força”, defende. Até porque “temos excelente tecnologia a nível do online em Portugal”. E é preciso aproveitá-la.

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