Prémio Inovação NOS

Já há 80 empresas na linha da frente da 4.ª revolução industrial

David Dinis (TSF), Reinaldo Coelho (BA Vidro), Francisco Mendes (Beeverycreative) e, Nuno Martinho (IPL) debateram a Inovação na Indústria. Fotografia: Paulo Spranger/Global Imagens
David Dinis (TSF), Reinaldo Coelho (BA Vidro), Francisco Mendes (Beeverycreative) e, Nuno Martinho (IPL) debateram a Inovação na Indústria. Fotografia: Paulo Spranger/Global Imagens

Empresas, startups e associações discutiram desafios da digitalização da Indústria. Governo acredita que Portugal pode liderar este processo

O governo já conta com 80 empresas nos grupos de trabalho que criou para definir prioridades no que toca à digitalização da economia e, assim, posicionar Portugal na linha da frente da quarta revolução industrial.

O número foi avançado, via Skype, pelo secretário de Estado da Indústria, João Vasconcelos, que acredita que há todas as condições para que as startups portuguesas liderem o “mercado global enquanto agentes de inovação dos setores mais tradicionais”.

“Ao todo, são cerca de 80 empresas que já estão a bordo nestes grupos de trabalho, incluindo multinacionais que operam de Portugal para o mundo, mas também startups flexíveis e ágeis, que dominam as linguagens características da quarta revolução industrial”, precisou o governante.

João Vasconcelos falava no encerramento da conferência Inovação na Indústria 4.0, no âmbito do Prémio Inovação NOS, que decorreu ontem em Leiria e onde se procurou responder a uma questão: como é que as empresas devem tornar-se digitais e, ao mesmo tempo, focar-se nas pessoas. Ou, como colocou Victor Ribeiro, CEO do Global Media Group, “entender a viagem vertiginosa que é a da digitalização da indústria”.

Que o diga Susana Sargento. Há oito anos, a startup que cofundou não passava de um projeto académico. Hoje, a Veniam, que desenvolve uma tecnologia que torna carros em hotspots móveis, já fechou rondas de financiamento no valor acumulado de 30 milhões de dólares e é considerada uma das 50 empresas mais disruptivas do mundo.

Portugal é um espaço fantástico para o crescimento de startups, defende Susana Sargento, da Veniam

O percurso foi feito numa altura em que a confiança em Portugal era pouca. Hoje, o cenário é bem diferente. “Portugal é um espaço fantástico para o crescimento de startups. Há imensas formas de financiamento de que na altura não se ouvia falar. Agora, se quiser criar uma nova empresa, sei com quem falar, não só porque já criei uma, mas porque há bastante mais hipótese de o fazer”, disse.

Exemplo disso é a linha de financiamento para startups que o governo abriu na segunda-feira. “São até 10 milhões até ao fim do ano, para empresas em early stage desenvolverem produtos protótipos, com apoios que podem ir até aos 500 mil euros por empresa”, detalhou João Vasconcelos.

Há também um esforço de aproximação entre academia e empresas. Jorge Santos, presidente da Associação Empresarial da Região de Leiria (NERLEI), vê a produção de conhecimento como um dos “grandes desafios” da inovação.

Para que esse conhecimento chegue às empresas, há que criar uma relação estreita com o ensino, algo que a NERLEI tem feito. “Criámos um protocolo com o Instituto Politécnico de Leiria, através do qual levamos empresários às universidades e professores e alunos às empresas”, lembrou.

Se falhar, falhe rapidamente
O elogio do falhanço é assunto recorrente quando a conversa passa pela inovação. A conferência de ontem não foi exceção. Para os oradores, uma coisa é clara: se é para falhar, que seja rápido, para que a aprendizagem com os erros também o seja.

“Temos de falhar rapidamente e aprender com as coisas que não correram bem par avançarmos. Só assim chegamos lá. Não pode ser só andar a idealizar, temos de dar vários passos pequenos”, referiu Reinaldo Coelho, administrador da BA Vidro, na Marinha Grande.

O importante, acrescenta Nuno Martinho, coordenador da licenciatura em Engenharia Automóvel no IPL, é que se queira refletir sobre o que correu mal. “Se o falhanço numa parceria com uma empresa for partilhado desde o início, de certeza que o projeto seguinte vai ter um sucesso melhor”, frisou.

Enquanto empreendedor, Francisco Mendes também aceita o falhanço, mas tem uma visão diferente. “Ninguém quer falhar”, diz o cofundador da Beeverycreative. Até porque falhar pode significar “ser apontado como alguém que não está a atuar bem na sua área”. Seja como for, defende, aprender com os erros é a estratégia chave. “Deviam usar-se também casos de estudo de insucesso”, salientou.

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