Poupança para a Vida

Jasmine Birtles: “Nem toda a gente pode poupar, mas a maioria poderia fazê-lo”

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Jasmine Birtles: “Nem toda a gente pode poupar, mas a maioria poderia fazê-lo”

A jornalista britânica sublinha a importância da intervenção estatal e dos pequenos gestos diários no fomento ao aforro.

Como podemos convencer as pessoas de que a poupança é importante num país como Portugal em que apenas uma pequena percentagem da população poupa e, mais do que isso, tem um rendimento que lhe permite poupar?
Nem toda a gente pode poupar, mas a maioria poderia fazê-lo. E penso que a razão por que não o fazem é, primeiro que tudo, porque a cultura lhes permite que gastem – há várias formas para gastar o dinheiro: cartões de crédito, facilidade em contrair empréstimos, etc. Mas também porque o governo não permite que as pessoas poupem de uma forma fácil e eficiente em termos fiscais. O que gostaria de ver acontecer em Portugal é algo como o que fizemos no Reino Unido – e, acredite, no Reino Unido temos muitos problemas, somos muito maus a poupar – em que temos agora o autoenrollement, em que as pessoas, a partir do momento em que entram para uma empresa, subscrevem automaticamente uma pensão, da qual dá algum trabalho sair. Isto significa que as pessoas estão a começar a poupar, incluindo aquelas que diziam que não conseguiam poupar.

E isso levou a que as pessoas começassem a procurar outras formas de poupança?
O que aconteceu foi que este sistema fez que as pessoas pensassem um pouco mais sobre a sua reforma – não muito mais, mas um pouco mais. E algumas pessoas até olharam para os números e viram que deviam pôr mais algum dinheiro de parte atualmente, se querem vir a ter uma reforma decente. Não acontece com todos, mas muito mais pessoas, como estão automaticamente incluídos no sistema de pensões da empresa, começaram a pensar mais em poupar dinheiro para o futuro.

E apps que permitem a poupança imediata, ajudam a mudar um pouco a mentalidade relativamente à poupança?
Sou uma grande fã destas apps bancárias. Temos algumas no Reino Unido e há pelo menos duas que permitem poupar alguns cêntimos de cada vez que fazemos uma compra. Por exemplo, de cada vez que compramos um café, a app pergunta se queremos pôr mais 20 cêntimos para investimento. É algo fácil, são só 20 cêntimos, mas a verdade é que, feito todos os dias, ajuda a ir somando algum dinheiro. Apps como essas podem ser muito úteis, sobretudo junto dos millennials e da geração z.

E as companhias de seguros podem ter um papel mais ativo no fomentar da poupança?
Gostaria de ver as companhias de seguros a terem um papel mais ativo. Honestamente, um papel que o governo devia ter, para encorajar as pessoas a poupar, era dar-lhes produtos de poupança interessantes. As seguradoras têm de trabalhar juntamente com o governo, porque precisamos de ver mais poupança incentivada pelos impostos – ou, simplesmente, um incentivo à poupança. Honestamente, apesar de as companhias de seguros poderem fazer muito, têm de ser apoiados por novos esquemas públicos que ajudem as pessoas a poupar para o seu futuro.

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