Prémio Inovação NOS

João Ricardo Moreira: “A mensagem tem de passar fora dos setores tecnológicos”

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João Ricardo Moreira: “A mensagem tem de passar fora dos setores tecnológicos”

Administrador da NOS reforça o apelo aos setores tradicionais para que apresentem a sua candidatura

A organização dos prémios espera que as candidaturas sejam transversais aos vários setores de atividade. Para João Ricardo Moreira, não é apenas nas startups que há inovação.

Como vai a inovação em Portugal?
A inovação em Portugal vai bem. Não se fala de outra coisa, há eventos globais que acontecem cá, a temática está a ser trabalhada nos diferentes sítios. Aquilo que me parece é que devemos aproveitar esta notoriedade para nos assegurarmos de que falamos da inovação que interessa às pessoas, às empresas, aquela que acontece hoje, que já se vai fazendo e que merece ser partilhada e não tanto aquela que está mais distante.

Atualmente, a inovação em Portugal já é reconhecida lá fora?
A inovação que é reconhecida internacionalmente resulta muito das empresas que existem cá e que conseguem mercados lá fora. Resulta muito também da qualificação dos recursos humanos, que impressiona aqueles que nos conhecem menos bem. E, de facto, há aqui uma conjugação de condições que fazem que Portugal seja hoje reconhecido como tendo uma palavra a dizer em matéria de inovação.

O que é que o Estado poderia fazer mais para apoiar a inovação em Portugal em termos de legislação, apoios financeiros, etc.?
O Estado está a dar um grande passo com o Simplex, nomeadamente o Simples Mais, um conjunto de medidas que estão pensadas para tornar mais fácil a relação com os cidadãos, mais digital o acesso a serviços. É, de facto, um excelente passo, que não só facilita a vida dos cidadãos e das empresas como ainda dá exemplos a muitas empresas de como é possível repensar a forma como se interage com os consumidores, com os cidadãos e com isso marcar também a agenda de como se deve fazer.

Em que setores é urgente começar a inovar? Onde é que a mensagem tem de ser levada?
Queremos levar a mensagem o mais possível para fora dos setores tecnológicos e das startups. Não é nada contra os setores tecnológicos, a que a NOS pertence, nem contra as startups, que não têm nenhum problema, mas associar a inovação apenas às startups e à tecnologia é reduzir o espectro do seu impacto potencial.

Os setores tradicionais têm muito por onde inovar?
A inovação pode fazer-se na agricultura e faz-se hoje na agricultura, indústria, serviços. Faz-se no digital, claro, mas também nos serviços e indústrias tradicionais e portanto a mensagem precisa de ser reforçada fora dos setores normalmente associados à inovação.

Este prémio tem tido candidaturas de setores mais tradicionais nas edições anteriores?
Nas edições anteriores ficámos agradavelmente surpreendidos por ter visto setores tradicionais como a agricultura a submeter candidaturas. É a resposta a um repto que fazemos de que a inovação se faz de forma transversal. Gostaria, no entanto, de reforçar o apelo aos setores mais tradicionais, que estão muitas vezes a reformular o seu modelo de negócio e têm muito potencial para apresentar candidaturas interessantes.

Que expectativas tem para esta 3.ª edição dos prémios, nomeadamente em termos de número de candidaturas, diversidade de setores, etc.?
Não tenho meta definida para expectativas quantitativas. Tivemos centenas de candidaturas nas edições anteriores e eu acredito que é possível continuar a atingir ou mesmo superar esse número. Estamos mais interessados em ter o mesmo nível de qualidade que tivemos em edições anteriores, em ver a sua diversidade, na dimensão – com candidaturas de pequenas, médias e grandes empresas – a par da administração pública, e com participação de todos os setores de atividade. A quantidade esperamos que seja a maior possível.

Espera muitas candidaturas de setores tradicionais?
Os setores tradicionais como o calçado e o têxtil são dos que mais provas têm dado de inovação, de refundação até do modelo de negócio e das propostas de valor. Portanto, eu diria que é muito provável que vejamos esses setores a apresentar candidaturas. Naturalmente, quanto maior atenção for dada pelos setores tradicionais ao prémio, maior probabilidade terão de ganhar.

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