Imobusiness

Licenciar depressa é o grande desafio do imobiliário em Portugal

Pequeno-almoço debate sobre o tema "Mercado imobiliário na vertente empresarial". Ana Margarida Pinheiro, jornalista; Carlos Oliveira, responsável pelo Departamento de Escritórias da Cushman Wakefield; Rosália Amorim, Diretora do Dinheiro Vivo; Francisco Horta e Costa, Managing Diector da CBRE; Patrícia de Melo e Liz, CEO da Savills Aguirre Newman; José Araújo, Millenium BCP.

(Filipa Bernardo/ Global Imagens)
Pequeno-almoço debate sobre o tema "Mercado imobiliário na vertente empresarial". Ana Margarida Pinheiro, jornalista; Carlos Oliveira, responsável pelo Departamento de Escritórias da Cushman Wakefield; Rosália Amorim, Diretora do Dinheiro Vivo; Francisco Horta e Costa, Managing Diector da CBRE; Patrícia de Melo e Liz, CEO da Savills Aguirre Newman; José Araújo, Millenium BCP. (Filipa Bernardo/ Global Imagens)

O volume de negócios bate recordes todos os anos mas há obstáculos a travar o potencial de investimento. A era dourada do imobiliário em Portugal esteve no centro do debate organizado pelo Dinheiro Vivo.

A construção é pouca e a mão-de-obra praticamente não existe. Já a burocracia parece não ter fim. O mercado imobiliário português atravessa um ciclo virtuoso raro, do qual os players do setor querem tirar o máximo partido, mas todos os dias se deparam com obstáculos.

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O Dinheiro Vivo convidou alguns dos mais reputados especialistas para a primeira edição da iniciativa ImoBusiness. CBRE Portugal, Cushman & Wakefield, Savills e Millennium bcp foram as empresas representadas no debate, no qual foram discutidas as tendências do presente e perspetivas para o futuro do imobiliário em Portugal.

“É impressionante a rapidez com que o mercado se adaptou. Há um ano só havia procura pelo mercado residencial, porque era o mais rentável, e hoje os investidores já querem escritórios”, constatou Patrícia Mello e Liz, CEO da Savills Portugal.

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A escassez de espaço para empresas é um dos atuais “bons problemas” que o setor tem de resolver. Segundo as contas da Cushman, até 2022 deverão nascer 300 mil metros quadrados de novos escritórios no país. “São projetos em fase de aprovação que estão agora a sair da gaveta. Deverão absorver as necessidades do mercado durante um ou dois anos. No próximo verão já irão começar a ser pré-arrendados”, antecipa Carlos Oliveira, líder da divisão de escritórios da Cushman.
Com tanta procura, o mercado adaptou-se com engenho. “Todos os edifícios com 20 ou 30 anos colocados no mercado foram absorvidos para escritórios. Sofreram melhorias, mas não são iguais à construção de raiz. Por isso, atualmente já estamos a negociar espaços que ainda nem começaram a ser construídos”, sublinha Francisco Horta e Costa, diretor-geral da CBRE Portugal.

Para isso, a banca dará um contributo valioso. “As carteiras dos bancos têm uma percentagem larga de lotes que precisam de ser escoados. Miraflores, Lumiar, Amadora, Montijo e outras zonas junto ao Tejo do lado sul estão a ter uma procura substancial”, revela José Araújo, do Millennium bcp.
Se a procura existe, o que falta para dar um empurrão à oferta? A resposta dos especialistas é unânime: acelerar os licenciamentos. “Esse é o maior desafio, as câmaras municipais têm de ser mais ágeis. Não é por acaso que o Porto tem demonstrado tanta dinâmica. A câmara soube mexer-se. Em Lisboa não há hoje nenhum projeto que demore menos de um ano e meio a ser licenciado”, diagnostica Patrícia Mello e Liz.

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A posição é secundada por José Araújo. “A digitalização aqui é muito importante e tem de avançar. Até porque as câmaras são as principais interessadas em despachar processos, pois é daí que vêm as suas receitas. É um facto que há estrangeiros a ponderar se investem ou não em Portugal por causa deste fator. Dois anos de espera é muito tempo para qualquer setor da economia.”

O outro muro que o imobiliário terá de derrubar com urgência é a falta de mão-de-obra. “É o elefante na sala. E não falamos apenas de engenheiros e arquitetos mas de operários. As empresas estão a recusar trabalho porque não conseguem recrutar”, acrescenta Francisco Horta e Costa. O resultado, concluem os especialistas, tem sido um aumento continuado, nos últimos dois anos, dos custos de construção. Um obstáculo que está a abanar os alicerces do setor que mais tem contribuído para a atração de investimento e para a redução do desemprego em Portugal.

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