Revolução 4.0

Maturidade digital e desempenho de mercado – uma relação direta

Mistolin Theia 4.0

O nível de digitalização tem uma influência direta no desempenho das empresas. Para apoiar as organizações, a COTEC lançou o Theia, uma ferramenta de apoio à gestão.

Aspetos como o volume de negócios, o valor acrescentado bruto gerado e a capacidade exportadora. Esta é a conclusão do estudo realizado pela Nova Information Management School da Universidade Nova de Lisboa, a pedido da COTEC, coordenado pelo investigador Pedro Simões Coelho, que reuniu uma amostra de 323 empresas, distribuídas por diversas tipologias e setores de atividade.

“A análise dos dados demonstrou que o aumento de dez pontos no índice de maturidade digital para uma média empresa com um nível de maturidade digital também mediano induz um crescimento de 5% no volume de negócios e de mais de 10% no seu valor acrescentado”, avança Pedro Coelho, para quem estes resultados são fundamentais, já que permitem confirmar que a digitalização e a maturidade da respetiva gestão têm impactos concretos no negócio.

O estudo mostra que a repercussão no desempenho da empresa varia consoante as etapas de maturidade digital. “Os resultados permitem perceber que os ganhos no negócio se fazem sentir muito cedo. A relação caracteriza-se por um crescimento moderado em fases iniciais (até 63 pontos), disparando a partir de níveis intermédios (entre 63 e 78 pontos) e voltando depois a ter uma pequena atenuação”, afirma o investigador.

A análise dos dados das 323 empresas permitiu criar um modelo que decompõe a maturidade digital em quatro dimensões: inovação e gestão da mudança, gestão de ativos intangíveis, operações e processos, e orientação para o mercado – sendo a orientação para o mercado e a inovação e gestão da mudança que mais contribuem para a maturidade digital. “Confirma-se que a maturidade digital não se confunde nem se limita à adoção de tecnologias. A maturidade digital não é mais do que a própria maturidade da gestão, que tira partido da digitalização para aumentar a eficiência dos processos de negócio, aumentar as propostas de valor para os seus clientes e que suporta a sua tomada de decisão com dados e análises que permitem decisões mais rápidas, fundamentadas e indutoras de inovação”, frisa Pedro Coelho.

Do estudo resultou também a criação da ferramenta de autoavaliação Theia, em fase de teste junto de associadas da COTEC como a Mistolin e a Argacol. “Nos últimos cinco anos, a Mistolin passou por processos de modernização e inovação em que as práticas de Indústria 4.0 estiveram muito presentes. Como tal, a proposta de parceria com a Theia pela COTEC assumiu-se como uma excelente ferramenta para avaliar o grau de implementação e de maturidade de Indústria 4.0, bem como identificar as melhores oportunidades”, garante Ricardo Santos, diretor-geral da empresa. Até agora, as respostas ao questionário de autoavaliação e a revisão do mesmo com o apoio de um facilitador especialista da COTEC permitiu mapear 24 ações que serão realizadas ao longo de 12 trimestres e que incluem, por exemplo, a criação de um portal para fornecedores integrado no processo de compras da Mistolin.

Embora numa fase mais inicial – a visita do facilitador especialista realizou-se apenas há dias – também para a Argacol as vantagens são claras. “O facilitador obriga-nos a refletir verdadeiramente sobre os temas e a perceber que há coisas simples que podemos fazer”, afirma André Vieira de Castro, administrador. “Percebemos que uma área em que temos muito a ganhar é a integração quer vertical quer horizontal da cadeia de valor e daqui resultaram algumas iniciativas como a nossa interligação digital com o nosso operador logístico”, avança o responsável da Argacol. “Estamos a viver um vórtex tecnológico e não queremos ser apanhados no seu centro, por isso pareceu-me uma boa oportunidade fazermos um exercício de autoanálise que nos permite antecipar cenários.”

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