Mercado imobiliário vai sair da pandemia mais fortalecido

Pressão do IMT e incerteza nos programas Golden Visa e Residentes Não Habituais são ameaças ao desenvolvimento do segmento mais alto, porém, apesar da desaceleração do mercado com a pandemia, a retoma está a sentir-se de uma forma muito positiva

O setor imobiliário tem, ao longo dos anos, atravessado diversos ciclos que oscilam entre crise e crescimento. O que se assistiu no último ano e meio, com a crise pandémica, não se pode chamar propriamente de crise neste setor, sobretudo no segmento premium onde atuam as empresas Porta da Frente e LUXIMOS, mas antes de um ciclo menos positivo. "Houve uma crise que afetou toda a sociedade sim, e praticamente todas as áreas de atividade, mas o imobiliário foi uma exceção comparativamente a outras", afirmou Rafael Ascenso, fundador e diretor-geral da Porta da Frente, num webinar emitido ontem no site do Dinheiro Vivo.

Este responsável explica, no arranque da conversa, que, ao longo dos últimos, foi possível construir um mercado sólido, muito menos assente em crédito, muito menos volátil, e isso foi posto à prova durante este período de pandemia e, que apesar de haver uma grande redução do número de negócios, estes foram recuperando. "Acho que estamos num bom momento, que não será, claro, igual em todos os segmentos, mas no premium atravessamos uma fase optimista e acredito que teremos boas notícias no futuro".

Rafael Ascenso, cuja área de atuação se situa sobretudo na região de Lisboa e Alentejo, afirma ainda que acredita que passando esta fase mais conturbada o mercado imobiliário venha a sair mais fortalecido da pandemia, e que este seja cada vez mais um porto seguro dos investidores, que já estão a transferir investimento de aplicações financeiras para o imobiliário.

Conduzido por Joana Petiz, diretora do Dinheiro Vivo, o evento online foi subordinado ao tema "As perspetivas e tendências do mercado imobiliário premium em Portugal" e contou ainda com a presença de Ricardo Alves da Costa, fundador e CEO da LUXIMOS. Ambas as empresas, que atuam no mercado imobiliário nacional de gama alta, fazem parte da rede Christie"s International Real Estate. Esta conceituada marca de leiloeiras, com 250 anos de história, constituiu a cadeia internacional de consultoras imobiliárias em 1995, a partir da compra de uma rede de luxo, a Great Estates. A área de imobiliário desta insígnia tem hoje presença em cerca de 47 países, com operações significativas no mercado premium em diversas cidades do mundo.

Importância do impulso digital

Já Ricardo Alves da Costa, cuja área de atividade se situa ao nível do Algarve e norte de Portugal, entende que esta situação pandémica não foi propriamente uma crise com os contornos habituais e que trouxe algumas aprendizagens ao mercado, como uma maior incidência das ferramentas digitais. "Não somos uma área de atividade que acredite que é possível fazer os negócios de forma totalmente digital, mas progressivamente fomo-nos adaptando, e o impulso digital foi perfeitamente decisivo para colmatar algumas ineficiências que esta pandemia trouxe", referiu, acrescentando que, apesar de tudo houve alguns clientes que fecharam as compras sem visita presencial aos imóveis.

"A marca Christie"s, que representamos, deu confiança aos investidores e concedeu-nos uma valorização importante. Em termos de quota de mercado, as nossas empresas foram favorecidas", explica. O fundador da LUXIMOS refere que, quando a pandemia se instalou, a empresa sentiu receio em relação ao mercado algarvio, no qual a esmagadora maioria dos clientes são estrangeiros. Porém, "o Algarve já tem massa crítica de estrangeiros a viver na região e por isso o processo de compra continuou ativo", explica.

Como principais ameaças, os dois responsáveis entendem que a incerteza gerada em relação à crescente pressão fiscal, como a subida do IMT, e a questão do programa Golden Visa e o regime de Residentes Não Habituais que afastam possíveis interessados em comprar imóveis no nosso país. "A ideia de o Governo retirar o investimento das grandes cidades e levar o Golden Visa só para as periferias e para o interior é surreal. O que vai acontecer é que os compradores de casas em Lisboa, Porto, Algarve, vão virar-se para Barcelona, para Madrid, para o Chipre, para as grandes capitais", alerta este responsável. Este poderá transformar-se num problema de competitividade nacional a médio e longo prazo.

Rafael Ascenso e Ricardo Alves da Costa revelam ainda, neste debate, algumas tendências que o mercado acentuou com a pandemia: por um lado, assistiu-se a uma aceleração na estabilidade do patamar de preços nos imóveis de cidade, condomínios e apartamentos usados, por outro lado, verificou-se o fenómeno da procura por propriedades fora da cidade, com mais espaço. De futuro, esperam atrair mais clientes estrangeiros, nomeadamente norte-americanos, que investiam pouco em Portugal e começaram agora a comprar mais, com um foco grande na segurança.

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