Conversas grupo SIMAB

Mercados abastecedores da SIMAB a operar a 100% e a preparar o futuro pós-Covid

Rui Paulo Figueiredo, presidente da SIMAB. Foto: Gerardo Santos / Global Imagens
Rui Paulo Figueiredo, presidente da SIMAB. Foto: Gerardo Santos / Global Imagens

SIMAB ativou plano de contingência a 6 de março. Situação das empresas difere mediante o setor onde operam. Algumas aumentaram o volume de negócios.

Em poucos dias, as 1500 empresas da Sociedade Instaladora De Mercados Abastecedores (SIMAB) e o próprio grupo que gere os mercados de Braga, Lisboa, Évora e Faro tiveram de se adaptar a uma nova realidade. Os quatro estão a operar a 100%, contudo, enquanto algumas empresas até viram o volume de negócios aumentar, outras já enfrentam dificuldades e tentam apostar em novos caminhos para vender os seus produtos. O pensamento está concentrado no presente, mas é preciso começar a preparar o futuro, com uma crise económica a ganhar forma. Rui Paulo Figueiredo assegura que, por agora, a situação não é preocupante, mas já estão a ser estudadas medidas.

O presidente do Conselho de Administração do grupo SIMAB recordou como nos primeiros dias da pandemia o MARL recebeu 20 mil pessoas por dia, quando o pico era de 15 mil às segundas e sextas. “Todos os dias eram de pico e com um aumento de um terço da procura”, contou. No entanto, realçou: “No planeamento não foi difícil. Já tínhamos experiências de outras situações – não comparáveis a esta – e até pelo facto de na nossa atividade internacional termos muita ligação à China [onde começou o surto de covid-19 no final de 2019], depressa percebemos que tínhamos de ter um plano delineado com tempo, que entrasse em ação logo no início do mês do março.” A 6 desse mês foi ativado o plano de contingência nos quatro mercados e o responsável assegurou que “vai sendo adaptado consoante o evoluir da situação, quer em termos de pandemia, quer em termos dos desafios operacionais” com que o grupo SIMAB é confrontado. Até ao momento não há qualquer caso positivo de covid-19 nos quatro mercados.

“Reforçámos a limpeza interior e exterior – tudo com detergentes aprovados pela Direção-Geral da Saúde -, fazemos desinfeção dos espaços públicos, reforçámos a segurança, nos pavilhões mais pequenos dos produtores passámos a condicionar as entradas e reforçámos tudo o relacionado com a sua atividade em termos de gel, sabão azul e branco, caixotes do lixo”, explicou. Acrescentou que as médias e grandes empresas têm os seus próprios planos de contingência e adotaram medidas como “venderem pelos cais, condicionarem o acesso aos seus espaços e armazéns, criarem regras próprias para a acostagem dos camiões das transportadoras.”

Rui Paulo Figueiredo considera cedo para se medir o impacto nas empresas, mas sublinhou que se verificam situações díspares, mediante o setor no qual operam: “tivemos em todos aqueles que se posicionam no negócio das frutas e legumes um crescimento bastante sustentado daquilo que foi o volume de negócios e que depois estabilizou. Tivemos um aumento de compra e venda nesses produtos de cerca de 25%. Portanto, essas empresas continuam com uma situação saudável e a procura está a estabilizar”.

Já noutros setores, como as empresas que apostaram no canal Horeca (hotéis e restauração), verificou-se uma “uma diminuição substancial do volume de negócios”. Porém, estão a procurar reinventar-se, procurando outros clientes, posicionando-se no comércio eletrónico e nas entregas ao domicílio”, realçou. No setor do pescado acontece o mesmo, ou seja, aquelas que trabalham com as grandes cadeias de distribuição, supermercados ou grandes peixarias não estão a ter grandes quebras, mas as empresas mais ligadas ao canal Horeca estão a sofrer uma diminuição e também procuram posicionar-se no comércio eletrónico e na entrega ao domicílio.

A situação mais grave afeta o setor das flores, enquanto no da logística e transporte, as empresas “que têm muita atividade nos bens agroalimentares, nas entregas ao domicílio, nos produtos farma, ou seja, aquelas que têm muito negócio relacionado com o fornecimento aos hospitais e às farmácias”, o negócio aumentou”.

E quanto à aposta em diferentes marketplaces, com destaque para o comércio eletrónico, Rui Paulo Figueiredo salientou como a própria SIMAB tem uma parceria com a mercachefe.pt que, dada a atual conjuntura, já não vende apenas às empresas, mas também aos consumidores finais. “Temos ajudado as nossas empresas a integrar esse marketplace e assim manterem ou aumentarem o seu volume de negócios e é mais uma medida para que as pessoas não precisem necessariamente de vir aos nossos espaços.” As entregas, disse, têm sido feitas num máximo de 48 horas, mas a maioria em apenas 24.

Rui Paulo Figueiredo considera que a SIMAB enfrenta atualmente três desafios. O primeiro centra-se em manter os mercados abastecedores a funcionar em pleno e com todas as medidas de higienização e de segurança que o momento exige. O segundo foca-se na procura de perceber as dificuldades das empresas e ajudá-las a, por exemplo, conhecer as medidas que o governo tem divulgado.

Para terminar, o terceiro desafio: “teremos de fazer uma profunda revisão dos nossos planos de atividade, dos nossos orçamentos e teremos de reescalonar os investimentos previstos, assim como adequar a nossa estrutura de custos àquilo que venha a ser a estrutura de receitas que venha a resultar de toda esta situação.” Contudo, reitera que, por agora, “a situação não é preocupante. Mas, com o prolongar desta situação, naturalmente que teremos uma recessão, não há dúvidas nenhumas disso, e nós teremos de adequar a nossa atividade para corresponder a isso”, afirmou.

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