Seguros

MetLife investe na “Uber dos seguros”

Conferência MetLife - Portugal Fintech. Como gerar novas oportunidades de negócio no ecossistema Fintech-Insurtech.
Rute Sousa Vasco, Nuno Costa, Miguel Quintas, Diogo Nesbitt, Rui Bairrada.
(LeonardoNegrão/Global Imagens)
Conferência MetLife - Portugal Fintech. Como gerar novas oportunidades de negócio no ecossistema Fintech-Insurtech. Rute Sousa Vasco, Nuno Costa, Miguel Quintas, Diogo Nesbitt, Rui Bairrada. (LeonardoNegrão/Global Imagens)

O contributo das fintech e insurtech para o negócio segurador esteve em debate no Impact Hub em Lisboa. Setor procura soluções tecnológicas inovadoras.

“A imagem geral dos seguros ainda é cinzentona”, reconheceu nesta semana Nuno Costa, AVP e diretor de Marketing Direct da MetLife Iberia, durante um encontro promovido pela MetLife Portugal sobre novas oportunidades para a indústria de seguros de vida e acidentes pessoais geradas pelo ecossistema das fintech e insurtech, aquelas que oferecem soluções tecnológicas inovadoras aplicadas ao mundo financeiro e dos seguros.

Como é que a MetLife, líder no mundo em seguros de vida e acidentes pessoais, quer transformar a forma como vemos o setor segurador? Um dos caminhos tem sido através da criação de uma comunidade empreendedora que gira em torna da companhia americana e que, em conjunto com as equipas da MetLife, apresenta novas ideias e desenvolvem novos projetos.
Para dar resposta a um dos grandes desafios da área seguradora, que é a transformação dos canais de distribuição, a MetLife lançou um concurso a nível internacional. Concorreram 1500 startups e a vencedora viu financiado o desenvolvimento de uma tecnologia, que, segundo Nuno Costa, é “a Uber dos seguros”.

Trata-se de uma pequena equipa com sede em Singapura que criou uma aplicação que permite ligar a pessoa que precisa de um seguro ao agente de seguros que melhor responda à sua necessidade.
Como funciona a nova ferramenta que deverá estar pronta em julho deste ano? Gera leads de potenciais consumidores interessados a partir de canais digitais da seguradora e direciona-os para o mediador mais adequado que depois contacta o cliente. Faz o match perfeito entre o potencial cliente e o agente, explicou o responsável perante um grupo de especialistas e players financeiros que se juntou no Impact Hub, aceleradora que funciona dentro do Museu da Carris, em Lisboa.
“Esta é uma solução simples que vem resolver um problema complexo”: como chegar ao potencial cliente e iniciar a venda. Neste momento a plataforma digital está desenhada para o mercado português, onde será testada, mas a MetLife quer estendê-la à região EMEA (Europa, Médio Oriente e África).

O encontro contou com a presença de Oscar Herencia, diretor geral da MetLife Iberia e vice-presidente pelo Sul da Europa, que fez o discurso de abertura. “O futuro está nas fintech e nas insurtech” disse. Na sua opinião, a inovação é crucial para chegar às novas gerações e criar uma experiência de compra diferenciadora que crie um vínculo duradouro com os clientes do futuro. Acredita também que as novas plataformas podem simplificar a indústria de seguros de vida.

Para João Freire de Andrade, cofundador da Portugal Fintech, há algumas dificuldades a superar para vingar no mundo das fintech e insurtech: acesso ao talento, ao investimento internacional, e no contacto com os reguladores e com os incumbentes, que são as organizações que apoiam o desenvolvimento destas novas soluções. Como agilizar o processo exigido pelos reguladores? Na sua opinião, uma boa solução é conhecer a regulação e começar, antes de tudo, por desenhar o produto de acordo com as diretrizes da regulação.

Um tema que deve ser debatido é a forma como um incumbente pode pagar às startups. Para João Andrade, há várias formas de cooperação entre as duas partes, tanto através de parcerias estratégicas como através de uma fusão ou aquisição.

Na mesa redonda participou Nuno Costa da MetLife Iberia, João Freire de Andrade, cofundador da Portugal Fintech, Diogo Nesbitt, cofundador da Bankonnect, Rui Bairradas, CEO da Doutor Finanças e Miguel Quintas, diretor-geral da Parcela Já, um serviço que permite fazer pagamentos em parcelas com cartão de crédito sem juros ou outros custos associados. Neste momento Miguel Quintas procura parceiros para fazer crescer a sua rede de aderentes.
Diogo Nesbitt, cofundador da Bankonnect está seguro que possui a tecnologia perfeita para seguradoras. Acredita que devemos dar a volta aos problemas para encontrarmos uma solução e nunca aceitar desculpas do tipo: “Isso não é legal” ou “Já fazemos assim há anos, mudar será um problema.”

Quem tem vontade de fazer, encontra sempre uma solução, concordaram os elementos do painel.
Sobre a falta de literacia financeira em Portugal, falou Rui Bairradas, CEO da empresa Doutor Finanças, que presta um serviço de intermediação para potenciais clientes da banca e seguradoras. “Somos burocráticos e usamos palavras caras”, o que dificulta o entendimento da terminologia dos bancos e companhias de seguros. Para ultrapassar esta dificuldade, a Doutor Finanças traduz por miúdos os termos técnicos, recorrendo à terminologia da medicina. “Fazemos diagnósticos da situação, prescrições e tratamentos.”

A empresa está neste momento a criar um novo modelo de ligação com os bancos e as seguradoras. “Não vendemos créditos à habitação, nem seguros”, destaca Rui Barradas, explicando que procuram encontrar a melhor solução para os seus clientes apenas com um objetivo: a poupança.

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