Portugal Exportador 2019

Motores para a internacionalização da economia portuguesa

Lisboa, 27/11/2019 - 14ª Edição do Portugal Exportador, a decorrer durante o dia de hoje no Centro de Congressos de Lisboa

( Filipa Bernardo/ Global Imagens )
Lisboa, 27/11/2019 - 14ª Edição do Portugal Exportador, a decorrer durante o dia de hoje no Centro de Congressos de Lisboa ( Filipa Bernardo/ Global Imagens )

Comércio digital e os setores do agroalimentar e metalomecânica mereceram especial destaque.

“Se os sites são o equivalente a uma loja de rua, os e-marketplaces são um centro comercial.” Foi desta forma que João Carlos Freitas, fundador da Blairs, resumiu a importância assumida por plataformas como a Amazon para as pequenas e microempresas que apostam no comércio digital como forma de internacionalização.

Com as novas gerações a optarem pela aquisição de bens e serviços online, o e-commerce tem tido um forte incremento. Visto por empresas como a Blairs – empresa têxtil dedicada à natureza e desportos ao ar livre – como uma forma de garantir uma presença internacional, o e-commerce é também, em si mesmo, oportunidade de negócio. Empresas como a buyin.pt, que gere e-marketplaces, colocam produtos nacionais no exterior, oferecendo apoio no processo de exportação. Contudo, apesar das vantagens, existem também desafios, sobretudo ao nível do aprovisionamento e transporte.

Com sete milhões de euros de exportações em 2018 (12% do total nacional) e um peso de 4% no PIB, o setor agroalimentar, de acordo com Carlos Andrade, economista principal do Novo Banco, para quem o setor enfrenta problemas específicos, tem capacidade de aumentar o seu potencial de exportação. “A capacidade de aumentar a produção tem limites, há necessidade de reduzir o desperdício alimentar, o que implica que as coisas se façam de modo diferente”, afirma Carlos Andrade.

Para o economista, também aqui o comércio digital deve ser olhado como uma oportunidade, já que “permite competir de forma muito mais fácil e gera ambiente concorrencial mais aguerrido”. Ao mesmo tempo, as empresas nacionais devem aproveitar as vantagens competitivas que os produtos nacionais oferecem num mercado que valoriza o que é único, sustentável e local. “O setor pode alavancar-se no boom do turismo nacional, promovendo a marca Portugal com base na diferença e qualidade.”

Pedro Queirós, diretor-geral da FIPA, discorda: “O que vende e fideliza são as marcas das empresas, que têm de ser fortes e de se afirmar lá fora. A marca Portugal é contagiada por isto”, garante, destacando o papel da grande distribuição na divulgação dos produtos e marcas agroalimentares no estrangeiro. “A definição dos mercados não pode ser feita pelos políticos ou por consultoras”, diz Pedro Queiroz, para quem é necessário um trabalho coeso das organizações de cúpula.

O setor da metalomecânica é, sem dúvida, um dos motores da economia portuguesa, cujo volume e valor das exportações tem crescido significativamente na última década. Os 18 mil milhões de euros exportados em 2018 revelam um crescimento de 11,3% face a 2017 e representam mais de 20% das exportações nacionais.

São sobretudo os setores da indústria automóvel, ferroviária, aeroespacial e química os responsáveis pelo sucesso externo da indústria metalúrgica e metalomecânica no exterior. Com um terço das exportações nacionais a seu cargo, as empresas do setor estão presentes em cerca de duzentos mercados.

Comentários
Outras Notícias que lhe podem interessar
Outros conteúdos GMG
Hoje
Ilustração: Vítor Higgs

Indústria têxtil em força na principal feira de Saúde na Alemanha

O Ministro das Finanças, João Leão. EPA/MANUEL DE ALMEIDA

Nova dívida da pandemia custa metade da média em 2019

spacex-lanca-com-sucesso-e-pela-primeira-vez-a-nave-crew-dragon-para-a-nasa

SpaceX lança 57 satélites para criar rede mundial de Internet de alta velocidade

Motores para a internacionalização da economia portuguesa