Prémio Inovação NOS

“Não há mão-de-obra” para hotéis e restaurantes

NOS

Empresários têm de investir em formação e pagar melhor para tornar a carreira mais atrativa.

A falta de mão-de-obra no setor para receber os milhões de turistas que visitam Portugal, todos os anos, foi a mensagem principal deixada no debate a três que juntou, na passada terça-feira aos microfones da TSF, Luís Araújo, presidente do Turismo de Portugal, José Roquette, administrador do Grupo Pestana, e João Ricardo Moreira, administrador da NOS.

“A empregabilidade do setor ronda os 90%. No caso dos cozinheiros sobe para 100%”, deixa claro Luís Araújo. E o apelo, naquele que foi o terceiro debate organizado pelo Prémio Inovação NOS, em colaboração com o Dinheiro Vivo e a TSF, é deixado aos jovens para que sigam uma carreira no turismo e aos empresários para que invistam na formação dos seus recursos humanos.

“Não se investe o suficiente ao nível da formação. Há aqui um desafio enorme e estamos agora a acordar todos para o problema, porque atravessamos um grande momento turístico e, de repente, percebemos que há falta de mão-de-obra”, começa por dizer José Roquette. E este desafio é qualitativo e quantitativo. “Existe uma certa dificuldade em atrair mão-de-obra para o setor. Trabalham-se longas horas e nunca foi um setor muito bom pagador. Se queremos atrair os melhores, temos de pagar melhor”, sublinha o responsável do Grupo Pestana.

“Não há mão-de-obra”, é tão simples quanto isto, resume Luís Araújo, que preside à autoridade responsável pela promoção internacional do turismo português. “A que há é formada é rapidamente absorvida pelo setor. As empresas têm de perceber – e eu acredito que já têm muito essa noção – que o investimento na formação é tão ou mais importante que o que se investe no produto.”
O problema é que “não existiu durante muito tempo uma tradição de investir seriamente nos recursos humanos e agora estamos a pagar um pouco por esse erro”, diz João Ricardo Moreira, administrador da NOS.

Há ainda um outro problema nesta questão da falta de recursos humanos, acrescenta Luís Araújo: claramente, a taxa de desemprego está a baixar e há outros setores que também andam à procura de mão-de-obra. Para contornar esse entrave, é preciso valorizar a carreira. Como? Mostrando, por exemplo, a possibilidade de ter uma rápida progressão. Enquanto um recém-licenciado entra noutra área qualquer e dificilmente chega a administrador de uma grande empresa, há muitos recém-formados em turismo, hotelaria e restauração que quando entram num hotel, ao fim de dois ou três anos, são promovidos e, ao fim de quatro ou cinco, já têm um cargo de gestão.

Momento ideal para investir
“Agora que estamos num ponto alto é que é a altura de fazer o investimento, não é depois”, frisa ainda José Roquette. O seu grupo, o Pestana, faz formação interna, mas admite que “é difícil conciliar os exigentes horários com o mínimo de horas de formação, porque o hotel quando abre depois não fecha para formação. Esse é um enorme desafio. Julgo que não estamos a fazer o que gostaríamos de fazer”.
“Penso que estamos todos conscientes que se esta aposta não for feita de uma forma séria, vamos passar de um ciclo muito positivo para um ciclo, porventura menos positivo, porque tudo é cíclico”, admite o administrador do Pestana.

“A hotelaria é um setor de muito capital intensivo, mas também de trabalho intensivo e julgo que em Portugal, desde há alguns anos, se começou a fazer um trabalho muito sério nessa área, mas eu diria que é insuficiente quer no público quer no setor privado. E nós como maior grupo hoteleiro sentimos muito isso”, conclui José Roquette.”

Ainda assim, já “começa a haver alguma formação que surgiu com esta preocupação com a falta de mão-de-obra disponível”, faz questão de acrescentar Luís Araújo. É ainda incipiente e precisa de um boost, mas já existe.

Aulas de teatro e dança
Consciente da necessidade de apostar na formação dos recursos humanos como uma aposta que tem de ser ganha no setor, o Turismo de Portugal introduziu aulas de soft skills nas 12 escolas de turismo técnico profissionais da sua rede. O projeto chama-se Tourism Training Talent (TTT, Formação de Talentos do Turismo, em português) e foi distinguido, já este ano, pela Organização Mundial do Turismo durante a FITUR (Feira Internacional de Turismo de Madrid). O Turismo de Portugal foi um dos galardoados nos Prémios para a Inovação no Turismo, na categoria dedicada a “políticas públicas e governação”, vencendo a Argentina e a China.

“É um prémio de inovação das políticas públicas. A questão técnica é importantíssima e valorizada pelos profissionais e pelas empresas, mas achámos que era preciso algo mais. E por isso começámos a introduzir dentro da formação, o ano passado, blocos formativos que falassem sobre o story telling, com aulas de teatro, dança, expressão corporal, comunicação, etc.”, explica Luís Araújo. É um programa focado no talento das pessoas, na inovação e na internacionalização dos profissionais.
“Acreditamos que hoje a experiência de um turista é muito mais sensorial, tem mais a ver com estas questões do que com o produto”, adianta o responsável do Turismo de Portugal. “Tem mais a ver com o software do que com o hardware”.

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