E-Commerce

Nilo Fonseca. “A atual realidade obriga a presença online visível e dinâmica”

Alexandre Nilo Fonseca, presidente da ACEPI. 
(Sara Matos/ Global Imagens)
Alexandre Nilo Fonseca, presidente da ACEPI. (Sara Matos/ Global Imagens)

Presidente da Acepi - Associação da Economia Digital faz o balanço e antecipa os novos passos do programa Comércio Digital.

As compras online são já uma realidade, com mais de 35% dos portugueses a adquirirem produtos e serviços por internet em 2018. Por seu turno, os smartphones e as apps são cada vez mais usados por turistas (nacionais e estrangeiros) que procuram serviços locais. Duas razões que, de acordo com Alexandre Nilo Fonseca, tornam incontornável a entrada dos pequenos negócios de comércio e serviços no universo digital.

O programa Comércio Digital irá decorrer até 2020. Oito meses depois do lançamento, que balanço faz da iniciativa?

O programa “Comércio Digital” – uma iniciativa nacional desenvolvida pela ACEPI (Associação da Economia Digital) em parceria com a CCP – Confederação do Comércio e Serviços de Portugal com o cofinanciamento do Compete, Portugal 2020 e UE/FEDER – teve a primeira iniciativa em janeiro deste ano com a capacitação de mais de 80 consultores digitais nas associações parceiras do programa. Esta ação marcou o arranque do programa e é uma das suas componentes fundamentais, pois as associações comerciais, quer locais quer setoriais, são a linha da frente do contacto com os seus destinatários – os pequenos comerciantes locais.

Entre fevereiro e julho deste ano decorreu o arranque do roadshow Comércio Digital num primeiro conjunto de 27 cidades. A partir de setembro, iremos percorrer mais 123 cidades em 18 meses, de norte a sul, com sessões de informação que pretendem ajudar os pequenos comerciantes a entender a importância da internet nos negócios e como poderão dar os primeiros passos neste que é para muitos ainda um novo mundo.

Qual a reação imediata ao roadshow?

O interesse demonstrado pelos comerciantes e pelas associações locais tem sido extraordinário em cada uma das 27 cidades onde já estivemos. A preocupação em ter uma presença digital está já presente na mente dos pequenos comerciantes, mas muitos não sabem como dar os primeiros passos, e estas sessões, que em média duram cerca de três horas, permitem esclarecer muitas dúvidas e incentivar a uma tomada de decisão no sentido da sua adesão a uma presença digital básica.

Consegue quantificar a adesão das empresas?

Depende muito da dimensão das cidades: tivemos várias com centenas de empresas presentes e outras com dezenas de empresas – o que é normal quando consideramos cidades tão diferentes como Braga, Guarda ou Vila Franca de Xira. Quanto à adesão, cada comerciante acaba por optar pelos seus fornecedores habituais de tecnologia – ou aqueles que lhes estão mais próximos geograficamente para implementar a sua presença digital -, verificámos também que a entrega de cerca de sete mil vouchers “3-em-1” pelo nosso parceiro “.PT” (um voucher que permite o acesso a ferramentas para construção de sites, contas de e-mail, domínio gratuito .PT por um ano) tem sido bem recebida pelos comerciantes e tem estimulado os fornecedores locais a dinamizar a sua oferta. Estamos muito satisfeitos com os primeiros resultados do roadshow, até porque a divulgação nesta fase inicial foi somente através das parcerias locais. Vale a pena referir que são as associações locais e setoriais que fazem um trabalho relevante de ligação ao tecido empresarial antes e depois do roadshow.

Como será feita essa promoção?

A divulgação do programa Comércio Digital vai, a partir de meados de setembro, ganhar um grande fôlego, com uma campanha publicitária com especial destaque para a imprensa escrita nacional e local, que ainda é maioritariamente utilizada pelos pequenos comerciantes locais como fonte de informação. Iremos divulgar onde irá passar o roadshow e, claro, continuar a promover as vantagens da internet. No site www.comerciodigital.pt são divulgadas as iniciativas, nomeadamente o calendário do roadshow – com três meses de antecedência – e é permitido o acesso à Academia Comércio Digital, uma plataforma que disponibiliza conteúdos formativos básicos e ferramentas de capacitação para os pequenos comerciantes locais.

Das 50 mil empresas-alvo quantas estão já digitalizadas?

O programa está ainda numa fase de arranque – ainda nem sequer 20% das cidades foram percorridas – e só a partir de agora se está a iniciar a campanha publicitária nacional. Há muito trabalho a fazer pela nossa equipa – que vale a pena referir está sediada em Viana do Castelo – e ainda nos faltam 123 cidades. Ou seja, há muitos comerciantes para mobilizar para o digital. Por outro lado, a análise de impacto de um programa de mais de dois anos passa por um estudo que irá ser realizado numa fase mais avançada e que irá cruzar várias fontes e dimensões de avaliação. Há sempre espaço para melhorar ao longo do decorrer do projeto e estou convencido de que vamos nos próximos meses continuar a apresentar melhoramentos e até novidades.

Porque é que tantas empresas portuguesas estão ainda afastadas da realidade digital?

Em 2008, a percentagem de portugueses que usava a internet estava abaixo dos 50%. Hoje, situa-se nos 80%. Em dez anos foi um crescimento tremendo! A previsão para a próxima década é que a utilização da internet em Portugal atinja quase 100% da população. Tem sido crescente a utilização de serviços públicos digitais das empresas e do Estado e uma grande maioria utiliza hoje a internet para consultar informação sobre produtos, serviços e preços. Vale a pena referir que, em 2018, mais de 35% dos portugueses já fizeram compras online, o que correspondeu a um volume de quase cinco mil milhões de euros. A expectativa é que em 2025 esse valor possa atingir os nove mil milhões de euros e que mais de sete milhões de portugueses façam compras online.

Qual o principal desafio encontrado até agora?

O principal desafio de Portugal é a falta de competências digitais das pequenas empresas. O tecido empresarial português é constituído em 95% por microempresas (menos de dez colaboradores), onde grande parte dos donos das empresas são gestores com muito baixas ou nenhumas competências digitais. Por isso é tão importante a existência de um programa como o Comércio Digital. Grande parte dos turistas estrangeiros que nos visitam usam smartphones e apps para procurar os serviços dos comerciantes locais – cabeleireiros, restaurantes, floristas, lavandarias, lojas com história ou até atrações turísticas. É fácil compreender que, para as empresas, qualquer que seja a sua dimensão, a atual realidade obriga não só uma presença online visível e dinâmica para manter relacionamentos efetivos com o mercado mas também adaptar os processos e as pessoas para a revolução digital.

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