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O potencial das flores de corte e plantas de vaso em Portugal

Rui Algarvio, vice-presidente da Associação Portuguesa de Produtores de Plantas e Flores Naturais (APPPFN).
(Carlos Costa/Global Imagens)
Rui Algarvio, vice-presidente da Associação Portuguesa de Produtores de Plantas e Flores Naturais (APPPFN). (Carlos Costa/Global Imagens)

A mão-de-obra é um dos maiores problemas de um setor que vai crescendo, mas vive a fase mais complicada. A qualidade é muita e já se pensa em aumentar as exportações.

“É um negócio rentável”, mas as flores e as plantas de vaso tendem a ser mais ou menos procuradas de acordo com a disponibilidade das carteiras dos portugueses. Hoje, vive-se uma fase mais complicada, reconhece Rui Algarvio, vice-presidente da Associação Portuguesa de Produtores de Plantas e Flores Naturais (APPPFN), mas o que é produzido no país é de elevada qualidade e “não fica nada atrás dos produtos que são produzidos na Holanda”.

Nesse país, assim como na Bélgica e em Inglaterra, há a tradição de comprar flores. Em Portugal não é tanto assim, embora haja um aumento na procura de plantas de vaso. “Há uns anos, as pessoas não eram muito adeptas [das plantas de vaso], mas hoje em dia sim. As flores de corte têm mantido a dinâmica, cresceu, decresceu, voltou a crescer, agora apresenta-se novamente numa fase mais complicada. Os jovens não compram flores, a não ser nas épocas especiais, como o Dia dos Namorados ou o Dia da Mãe, ao contrário do que se passa no norte e centro da Europa.”

Rui Algarvio explica que o negócio ainda é rentável, mas nota-se um decréscimo das vendas nos últimos dois/três anos: “O preço das flores mantém-se quase inalterado há anos e os fatores de produção e da mão-de-obra têm subido a um ritmo elevado.”

A mão-de-obra é uma das dificuldades. “Não é fácil encontrar. Poucos são portugueses. Durante algum tempo trabalhámos com algumas pessoas que vinham do Leste da Europa, que a pouco e pouco foram saindo. Ainda arranjámos alguma mão-de-obra em países como a Tailândia, Vietname. Passam aqui períodos de quatro/cinco anos e regressam aos seus países, mas tem sido o escape das empresas para arranjar mão-de-obra.”

A APPPFN conta com mais de cem associados e com 80% dos produtores. Ajuda a nível jurídico, na produção, na divulgação, sendo uma das bandeiras a Lusoflora, evento anual que muito contribui para mostrar o que de bom se faz em Portugal.

Muita da produção fica no país, mas já se vai dando passos rumo a uma maior exportação. “Já existem processos em curso de exportação contínua de plantas em vaso. No caso das flores de corte é mais demorado e é bom que assim seja, para que não se erre. Hoje há umas exportações pontuais para a Holanda, Espanha, para alguns países da África lusófona. Mas não é um processo continuado.”
A cooperação com a Sociedade Instaladora de Mercados Abastecedores (Simab) tem sido muito importante, principalmente na forma de comercialização do produto, como realçou Rui Algarvio. A gerbera portuguesa, a rosa, os crisântemos são das flores mais procuradas. E, garante Rui Algarvio, de grande qualidade.

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