Conferência AON

O problema das pensões é a falta de crescimento económico

Rosália Amorim, João César das Neves, Margarida Bolseiro Lopes e Carlos Pereira da Silva
(Diana Quintela/ Global Imagens)
Rosália Amorim, João César das Neves, Margarida Bolseiro Lopes e Carlos Pereira da Silva (Diana Quintela/ Global Imagens)

“As Pensões e os Desafios da Evolução Demográfica” foi o tema do primeiro debate do encontro Empower Results Day for Clientes.

“Se tivéssemos juízo quando as coisas estão bem, poderíamos evitar o sofrimento quando as coisas pioram. Mas isso nunca aconteceu em Portugal, não é agora que vai acontecer.” Quem o diz é o professor catedrático João César da Neves, um dos oradores do debate Empower Results Day for Clientes, uma parceria entre a Aon e o Dinheiro Vivo, que se realizou quinta-feira, em Lisboa.

César das Neves integrou o primeiro painel “As Pensões e os Desafios da Evolução Demográfica”, moderado pela diretora do Dinheiro Vivo, Rosália Amorim, segundo a qual esta é “uma temática determinante e estruturante para o país”. A frase do professor surge na sequência de uma constatação: “Pela primeira vez em seis anos, o total das quotizações e contribuições para a Segurança Social é maior do que o total das pensões. E, pela primeira vez, voltámos a acertar contas.” No entanto, na Europa dos 15 “somos aquele que gasta mais e aquele que ganha menos”. César das Neves lamenta que, estando nós no pico do ciclo, tenhamos “o crescimento mais baixo dos últimos 70 anos, tirando as crises”.

Ora, sendo nós “um dos países da Europa que cresce menos, o único problema das pensões é de crescimento económico”, diz o orador, alertando que “se tivermos crescimento económico, depois teremos um problema complicado que é o de partilhar esse crescimento económico”.

Criticando o facto de a resolução deste problema não ter sido um assunto inserido no recém-aprovado Orçamento do Estado para 2019, César das Neves diz que o problema de fundo da economia portuguesa reside, fundamentalmente, em questões demográficas e de produtividade.

Quanto a elas, o também professor catedrático Carlos Pereira da Silva divulga números assustadores para o futuro do país. “Temos uma taxa de fecundidade à volta de 1,30, que é claramente insuficiente”, começou por dizer, dando a conhecer algumas contas que fez baseadas no Ageing Report 2018, da Comissão Europeia.

Até 2040, Portugal passará de “10,3 milhões de pessoas, em 2016, para 9,5. A população jovem passa de 14% da população para 11,5%. Os futuros trabalhadores (entre 25 e 54 anos) passam de 41,2% da população para 34%. A população com mais de 65 anos passa de 20,9% para 31,9%. A muito idosa, acima dos 80, passa de 6% para 10,7%”. Este cenário, alerta, vai ter um peso enorme nas pensões e no mercado de trabalho. Carlos Pereira da Silva sublinha que se não houver uma reflexão sobre este assunto, para pagar pensões “será necessário ir aos impostos ou, como muitos defendem, ir buscar dinheiro ao valor acrescentado líquido”. Fala-se também, diz, em ir às contribuições, mas não vai haver trabalhadores. Haverá robôs, não é? E estes, se calhar, deveriam ser tributados. Margarida Balseiro Lopes, líder da JSD e outra dos três intervenientes neste debate, diz que “mais do que estar com discursos fatalistas de que os robôs vão ficar com o nosso emprego, devíamos mentalizar-nos de que forma vamos fazer face a isto”.

Com César das Neves a dizer que no futuro “é evidente que toda a gente vai ter pensões”, mas que há que pensar a economia a longo prazo; e com Carlos Pereira da Silva a alertar para poupar. Margarida Balseiro Lopes diz que não há como poupar, pois “o desafio que os jovens têm é chegar ao fim do mês e ter liquidez para pagar todas as contas”. Perante um trabalho instável e sem acesso a habitação – e com Margarida a criticar o OE 2019 por dizer “zero sobre alojamento” – esta oradora diz que para os jovens como ela torna-se difícil pensar em constituir família.

E ficam assim justificados os números lançados pelo professor Carlos Pereira da Silva: baixa natalidade, menos força de trabalho, reflexo negativo nas pensões.

Margarida, que como lembrou Rosália Amorim, ficou mais conhecida após o seu discurso no 25 de Abril sobre “Liberdade e Direitos Fundamentais – o que conseguimos e o que falta fazer”, diz que falta muito e o painel está de acordo que “isto só lá vai com crescimento económico”.

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