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Omnifish está a crescer, mas atenta a futuro difícil

Foto: Omnifish
Foto: Omnifish

Empresa de Peniche vai buscar peixe um pouco por todo o mundo. Administrador alerta para as consequências da sobrepesca.

Numa década de vida, a Omnifish foi crescendo em várias áreas, adaptando-se às necessidades do mercado, o que faz que o negócio do peixe seja positivo, mas o seu administrador não esconde alguma preocupação. Luís Clemente vê o futuro próximo tornar-se difícil num setor onde a sobrepesca continua a ser uma realidade: “Continuamos de olhos fechados e daqui a uns anos não temos acesso a produtos.”

A Omnifish é uma empresa dedicada à comercialização de pescado fresco, com sede em Peniche. “Começámos a trabalhar com a grande distribuição e fomos ao longo destes 10 anos crescendo em várias áreas, desde a restauração, à hotelaria, à pequena peixaria, digamos assim, aos mercados”, explicou Luís Clemente, um dos dois sócios, pois gere a empresa juntamente com Paulo Fonseca.

Há três anos apostaram na presença no Mercado Abastecedor da Região de Lisboa (MARL). “Foi importante porque nos dá acesso a um tipo de clientes que até à data não tínhamos. Ainda há clientes da restauração e da hotelaria que vão diretamente comprar no próprio mercado e as pessoas que trabalham nos mercados centrais de Lisboa, os que vendem ao público, os pequenos mercados, muitos vão ao MARL para comprar”, explicou. Entre Lisboa e Peniche, a empresa emprega cerca de 70 pessoas.

A venda do pescado é feita em Portugal, mas a sua origem é um pouco de todo o mundo. “Desde África – Marrocos, Mauritânia, Senegal, Costa do Marfim – até Espanha, França, Itália, Sri Lanka… Compramos espécies que não existem nos nossos mares.” Do Sri Lanka vem o atum, por exemplo, enquanto a garoupa vem de África, sendo este um peixe muito procurado na restauração e hotelaria, tal como o salmão, dourada e robalo. “Em França compramos bastante choco e alguns peixes que pontualmente não temos cá. Em Portugal é a sardinha que compramos mais.”

Como fator diferenciador, Luís Clemente destaca o “caminho com base na transformação” e assim tentar “dar mais-valia ao produto”. “Tentamos trabalhar mercados de venda, como a restauração e hotelaria, que cada vez mais querem produtos acabados. Nós temos capacidade para transformar, amanhar, o que o cliente quiser. E o caminho será sempre esse. Mesmo a própria distribuição, o caminho que vai fazer-se no futuro vai ser de termos produtos mais transformados de peixe fresco.”

No que diz ser um mercado muito dinâmico, o negócio corre por bem, mas Luís Clemente olha para o futuro com preocupação. “É um negócio com muitas flutuações, com preços muito instáveis. A lei da oferta e da procura faz que o negócio seja muito bom numas alturas e muito mau em outras”, afirmou e não hesita em alertar: “O peixe é um produto que garantidamente vai ser um luxo no futuro. Não é nenhuma fantasia pensarmos que daqui a cinco anos as coisas vão estar diferentes para mais difícil. Há cada vez mais dificuldade em comprarmos e termos acesso ao produto. Cada vez mais temos de procurar origens mais distantes para termos os mesmos produtos que temos hoje.”

O responsável fala da sobrepesca e de como a renovação das espécies não está a acontecer. “Preocupa-me bastante na medida em que continuamos a fechar os olhos ao que se passa à volta. Na Europa, fazemos estas coisas da sardinha, mas depois não se controla noutras origens. É difícil também. Em África há frotas chinesas ou russas que pescam de maneira altamente predatória.”

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