17º COTEC Innovation Summit

Pandemia mostrou “importância de acelerar” transformação digital e ambiental

Foto: Deutsche Messe
Foto: Deutsche Messe

O 17º COTEC Innovation Summit, pela primeira vez realizado em versão digital, motivou a discussão em torno da importância de uma economia europeia mais sustentável, circular e apoiada na industrialização europeia.

A pandemia de covid-19 deixou a nu muitas das fragilidades de uma economia cada vez mais globalizada e tornou-se, em muitos casos, um elemento de aceleração para as transformações que os especialistas apontam como necessárias – a digitalização e a sustentabilidade. O digital assumiu, nos últimos três meses, um papel central na vida das pessoas e no dia a dia das empresas, alicerces que a COTEC quis aproveitar para mostrar as suas potencialidades através da realização do primeiro Innovation Summit totalmente virtual, no passado dia 22.

O evento dedicado à inovação tecnológica, realizado anualmente, juntou, na sua 17ª edição, cerca de 20 oradores nacionais e internacionais e 1500 participantes para pensar o futuro a partir do mote “Do 4.0 ao Renascimento Industrial da Europa”. Isabel Furtado, presidente da COTEC, destacou o formato inédito e inovador da conferência numa altura em que “os choques nas cadeias de abastecimento e outras perturbações económicas precipitadas pela pandemia” motivam a discussão sobre comércio livre e a importância de uma “indústria europeia forte e competitiva a nível global”. A ideia foi reforçada em vários painéis de discussão ao longo da tarde, mas também por Marcelo Rebelo de Sousa, que apontou a incapacidade da Europa em garantir a produção de material sanitário para responder à crise pandémica.

“[A Europa] teve de ir a correr, não direi mendigar, mas negociar em posição difícil, atropelando-se, para logo a seguir perceber que era necessário ter esse tipo de resposta industrial no quadro do continente europeu”. O presidente da República defendeu ainda que é “urgente” agir e olhar para esta estratégia como opção estrutural a médio e longo prazo, para que a Europa possa antecipar e não ir “a reboque dos acontecimentos”.

Apesar de Pedro Siza Vieira alertar que “o impacto [da pandemia] vai ser muito duro, tão duro como o ritmo a que o confinamento chegou”, o responsável pela pasta da economia sublinha que a aposta na digitalização das empresas, transição ambiental e industrialização não pode parar. “Esta pandemia veio mostrar a importância de acelerar estas transformações”, assinala, apontando que os planos de recuperação que estão a ser preparados pelo Governo e pela Comissão Europeia serão essenciais no apoio à retoma. “Mais importante é que, enquanto garantimos estímulos à economia através de apoio ao investimento, vamos construir as fundações para a competitividade futura da nossa economia”, garantiu.

Desafios e oportunidades
A tarde desta cimeira digital contou com painéis como “É o futuro da Europa Industrial? Tecnologias do futuro e Campeões Mundiais feitos na Europa”, em que se apontaram os principais desafios e oportunidades do velho continente.

Pierre Herben, representante do Conselho de Investigação e Inovação Industrial do SPIRE (associação europeia da indústria), defende que a Europa deixou de produzir bens comuns “por conveniência” e que a covid-19 mostrou “o risco de depender de outras regiões” como a China, que se tem vindo a afirmar cada vez mais como uma potência mundial também a este nível. O especialista considera que não é necessário “parar e reverter tudo”, mas antes encontrar uma fórmula balanceada que permita aos europeus ter mais autonomia e tirar partido das vantagens de que o continente beneficia. Um mercado geograficamente concentrado e desenvolvido, com capacidade tecnológica, é uma das principais mais-valias apontadas.

“A economia europeia está viva, as empresas são inovadoras, temos altos níveis de educação e tecnologia de ponta”, concorda Maurizio Gattiglio, vice-presidente da italiana Primo Electro. O desafio, diz, está em conseguir que todos os players remem no mesmo sentido. George Chryssolouris refere ainda que “a energia tem sido sempre o ponto fraco da Europa”, um obstáculo que Herben acredita poder ser vencido com a reconversão das infraestruturas de gasodutos para hidrogénio, diminuindo a dependência energética e política de países fornecedores. Chryssolouris, professor de engenharia na Universidade de Patras, Grécia, defende a reestruturação da cadeia de abastecimento europeia e uma maior aposta no “design e desenvolvimento de produto porque o impacto ambiental não vem tanto do processo produtivo”, mas antes da forma como os produtos são pensados.

Neste campo, as opiniões são unânimes: o Green Deal que está a ser preparado pela Comissão Europeia e os apoios ligados à digitalização serão essenciais para alavancar a transformação que consideram necessária. “Tornarmo-nos verdes não é apenas reduzir emissões, mas também ter uma economia circular”, reforça Pierre Herben.

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