Smart Open Lisboa

Parcerias para dar inteligência às cidades

Lisboa,13/07/18, Smart Open Lisboa (SOL) Bootcamp Mobility (Jorge Firmino / Global Imagens)
Lisboa,13/07/18, Smart Open Lisboa (SOL) Bootcamp Mobility (Jorge Firmino / Global Imagens)

O Smart Open Lisboa escolheu 15 startups para trabalhar lado a lado com as entidades promotoras da mobilidade e das smart cities

Já estão escolhidas as 15 startups que irão desenvolver projetos-piloto na área da mobilidade em conjunto com as organizações parceiras do Smart Open Lisboa (SOL), uma iniciativa da Câmara Municipal de Lisboa gerida pelo hub de inovação Beta-i.

Na terceira edição deste programa de inovação aberta aplicada a Lisboa, o foco está na mobilidade. A ideia é abrir as empresas a novas soluções de startups avançadas, que, como condição de seleção, devem apresentar um produto minimamente viável (MVP). Não basta uma ideia. As equipas têm de ter criado um protótipo de uma solução de mobilidade que funcione.

Neste ano concorreram 130 startups. Destas, 80 foram selecionadas pela Beta-i que as sujeitou à avaliação de todos os parceiros sem exceção: Câmara Municipal de Lisboa, NOS, Cisco, Axians, Tomi, Turismo de Portugal, Santa Casa da Misericórdia de Lisboa, Carris, Metro, Emel, Brisa, Ferrovial e Daimler.

As startups começaram por explicar, num pitch escrito e num curto vídeo, o que pretendiam testar em casa dos parceiros; e estes decidiram se o projeto viria ou não a acrescentar valor às suas organizações. Do total de 80, foram escolhidas 30 startups que passaram à fase do pitch online.

Na última fase da seleção ficaram 24 startups que foram convidadas a viajar a Lisboa e a participar no bootcamp dedicado às soluções de mobilidade. Quatro eram portuguesas e as restantes com origem em países como África do Sul, Rússia, Canadá, Suécia, Espanha, Reino Unido e Alemanha. Durante uma semana, estas 24 empresas de alto potencial de crescimento trabalharam nos seus projetos juntamente com os parceiros no oitavo piso da sede da Beta-i, na Avenida Casal Ribeiro, em Lisboa. Deviam conhecer-se e alinhar estratégias, explicou, no penúltimo dia do bootcamp, Gonçalo Faria, diretor do SOL.

Foram cinco dias, cada um com uma temática diferente: segunda-feira foi dedicada à estrutura dos projetos, terça-feira ao modelo de negócio, quarta-feira às parcerias técnicas, quinta-feira às competências de apresentação de projetos-piloto, e o último dia, das 09.30 da manhã às 15h45 da tarde, foi ocupado com os pitch finais – a última hipótese que as startups tiveram de impressionar os parceiros e de lhes dizer de que forma poderiam contribuir para os seus negócios. Seguiu-se a reunião de parceiros para decidir aquelas que passavam para a fase de projeto-piloto.

Houve vários pitch de startups para parceiros e vice-versa. As empresas também se apresentaram e disseram ao que vinham. Afinal, o que se pretendia era fazer um namoro que acabasse em casamento com um final feliz. Com ambas as partes a saírem ganhadoras.

Entre si, os partners também se conheceram e trocaram ideias. Uma das novidades deste ano é que, além dos matches (parcerias) entre startups e parceiros, existiu a possibilidade de projetos entre parceiros e parceiros e mesmo entre startups e startups, explicou Gonçalo Faria ao Dinheiro Vivo. Para aqui chegar foram úteis as one-to-one meetings, reuniões individuais entre duas partes.

Para as startups, o facto de poderem vir a ser integradas no mundo corporativo através de um projeto-piloto é uma oportunidade única para testarem as suas soluções no terreno, junto do mercado real, e, muitas vezes, dentro das paredes de potenciais clientes.

Os custos são partilhados ou mesmo cobertos pela entidade parceira e, no final, se a organização gostar da “relação” pode contratar a startup para um projeto real – o sonho de muitos fundadores com quem o Dinheiro Vivo falou.

Alguns empreendedores estrangeiros querem mudar-se para Lisboa enquanto outros encontram empresas parceiras em Lisboa que lhes permite gerir o projeto-piloto à distância.

Depois do bootcamp, que terminou dia 13 de julho, os parceiros escolheram 15 startups que estão dispostos a acolher durante dois meses, dentro das suas casas. Ninguém se despediu com as mãos a abanar. “Todas as startups saíram da experiência com algum tipo de parceria para agora ou depois, noutra zona geográfica, noutro momento do tempo ou noutro contexto”, destacou Gonçalo Faria.

De 16 de julho a 16 de setembro decorre a fase de preparação, em que se define o plano de trabalhos, os dados e tecnologia que as equipas precisam e quem são as pessoas a contratar dentro das organizações. Daqui parte-se para a experimentação que acontece de 17 de setembro a 14 de novembro. O demoday, o dia da apresentação dos resultados, é a 15 de novembro.

OS PROJETOS

CardioID Technologies
Volante indica sonolência e stress

-Hardware de sensores
Com o slogan “O seu coração é único”, a portuguesa CardioID desenvolve hardware de sensores em torno de sinais cardíacos. A tecnologia é incorporada em objetos da vida quotidiana, como volantes, adquirindo, a partir das mãos dos utilizadores, neste caso dos condutores, sinais de eletrocardiograma. Estes sinais são úteis porque permitem reconhecer, tanto a identidade do utilizador através de dados biométricos como a sonolência e o stress.

A startup foi fundada em 2014 por um grupo de investigadores da Universidade Técnica de Lisboa que trabalhou mais de cinco anos na investigação do reconhecimento de padrões em sinais fisiológicos. Esta tecnologia foi materializada no CardioWheel, um volante integrado com vários produtos de geolocalização e telemática, e no sistema anticolisão Mobileye. O resultado é o CardioID, que permite que os operadores de autocarros e camiões tenham uma visão completa de todo o processo de condução. A ideia é reduzir o número e a gravidade dos acidentes nas estradas.

MotionTag
Experiências para cidadãos e turistas

-Transportes
A startup alemã MotionTag possui uma plataforma para a emissão de bilhetes sem necessidade de pagar cada uma das viagens. Basta um smartphone para fazer o check-in no início da viagem, integrando vários modos de transporte. O check-out é detetado automaticamente e o melhor preço calculado. Não é preciso pensar nos vários bilhetes dependendo das zonas tarifárias. No âmbito do SOL, lançou a aplicação Smart Lisboa.

Uma aplicação de smartphone que ajuda os utilizadores a entender o seu estado de fitness em quilómetros percorridos e as horas gastas no transporte. A ideia é reunir informação valiosa sobre os padrões de mobilidade de Lisboa de modo a que os operadores de transporte consigam criar experiências contínuas e centradas nos cidadãos e nos turistas. Melhorar a oferta, operações e infraestruturas é o objetivo. A MotionTag cria serviços a partir de dados do sensor do smartphone. Os algoritmos de machine learning ajudam a detetar, de forma passiva e totalmente automática, dez modos de transporte.

Eccocar
Frotas de carros partilhados

-Gestão de frotas
A Eccocar desenvolve soluções de partilha de carros para empresas, rent-a-car e revendedores. Hoje, as frotas das empresas são superdimensionadas, fazendo que os carros e as carrinhas fiquem a maior parte do tempo estacionados. A solução Eccocar pode ser aplicada em três etapas: conectar um dispositivo no carro (não é intrusivo, portanto não há problemas de garantia); criar uma plataforma de marca branca para o gerente de frota com as suas preferências; e criar uma aplicação mobile para que os funcionários possam reservar e abrir o carro com o smartphone sem necessitar de chave.

No âmbito do SOL, a startup espanhola quer converter alguns dos carros dos parceiros em carros partilhados com o objetivo de reduzir em 30% a sua frota. Quer ainda reduzir o consumo de combustível e as despesas com táxis. A solução Eccocar também pode ser aplicada para promover a mobilidade elétrica, na medida em que a autonomia dos veículos é mostrada em tempo real, tanto para o funcionário como para o gerente da frota.

Wall-I
Ecrãs para interagir com quem viaja

-Informação
A Wall-I é uma rede de “montras” físicas construídas através da Internet das Coisas (IoT) e visão por computador. Um dos principais desafios que os parceiros de mobilidade têm é mostrar informações relevantes aos cidadãos e viajantes, criando interações e melhorando as relações. Hoje, os sistemas de comunicação têm por base o papel, são estáticos e não interativos. Além disso, querem entender os hábitos dos turistas e as formas de melhorar a sua viagem.

Conectando o dispositivo Plug-and-Play IoT da Wall-I a qualquer ecrã, em qualquer autocarro, metro, posto de gasolina ou espaço público é possível fornecer dinamicamente toda a informação integrada, tanto aos players da mobilidade como aos seus passageiros. A solução portuguesa Wall-I fornece informações que realmente importam e criam relacionamentos, ao mesmo tempo em que melhoram a qualidade do serviço de transporte público, levando as pessoas a deixarem os carros particulares em casa.

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