Revolução 4.0

Pôr as “mãos na massa” para desenvolver competências

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Com o intuito de potenciar o espírito científico nas escolas, a COTEC lançou o prémio Portugal País de Excelência em Engenharia, atualmente na segunda edição.

O ensino experimental é, cada vez mais, uma tendência, com muitas escolas de todo o mundo a aderir a métodos de aprendizagem baseados em projetos que promovem o espírito científico entre os mais novos. Em Portugal multiplicam-se os clubes de ciência e robótica, nos quais são trabalhadas capacidades de liderança, cooperação e iniciativa, soft skills altamente valorizadas no mercado de trabalho.

Consciente da importância dos aspectos práticos da aprendizagem, a COTEC criou, juntamente com o Ministério da Educação, o Prémio Portugal País de Excelência em Engenharia, cujo objetivo é promover o espírito científico, através do desenvolvimento de projetos com recurso a conceitos de engenharia.

Depois de uma primeira edição que recebeu 69 candidaturas e em que participaram 325 alunos – envolvendo de forma quase equitativa rapazes e raparigas, numa prova de que o interesse pela ciência e a engenharia não tem género -, decorre atualmente a segunda edição, cujo prazo de entrega de candidaturas termina a 31 de março.

Há quatro anos, foram os alunos do Agrupamento de Escolas Vale de Tamel, em Barcelos, os vencedores do primeiro prémio na categoria Alunos, com o projeto All Aboard, uma plataforma de aprendizagem de programação eletrónica dirigida a alunos do primeiro ciclo. “Desenvolvi com os alunos umas caixas em que, através de pesquisas, íamos aprendendo eletrónica. Quando surgiu o concurso da COTEC quisemos transformar o que fazíamos de uma forma muito simples em algo que já tivesse um conceito, em que havia a caixa com materiais de eletrónica e depois havia uma série de tutoriais feitos pelos alunos”, recorda Carlos Sousa, o professor que acompanhou o projeto.

Na altura, os alunos tinham de 13 a 15 anos e perfis distintos. “Neste tipo de ensino normalmente aparecem dois tipos de alunos: os que são bons a tudo e outros, que dentro da sala de aula parecem não ter capacidade, mas a quem interessa o lado mais prático”, recorda o docente para quem este tipo de projetos acaba por potenciar complementaridades.

Na categoria Escolas, o primeiro prémio coube ao Agrupamento de Escolas Padre Benjamin Salgado, de Vila Nova de Famalicão, com um projeto pedagógico de cariz experimental que envolve os vários graus de ensino que dura até hoje. “Esta dinâmica surgiu na sequência de um balanço que mostrava que os resultados dos alunos podiam ser melhores se estes tivessem mais literacia científica. Percebemos o tipo de alunos que gostávamos de ter e lançámos mãos à obra.”

Estimulados desde o pré-escolar, quando chegam ao terceiro ciclo os alunos do agrupamento dispõem de vários clubes – de ciência, de saúde ou de energias renováveis, por exemplo – e espaços como o “engenharia@epbs”, onde são desenvolvidos projetos práticos. “No início do ano os alunos elaboram um projeto. Entretanto assinamos um protocolo de colaboração estreita com a Universidade do Minho que permite aos alunos do secundário trabalharem com professores do ensino superior e utilizar os recursos da universidade”, explica Carlos Lima, para quem os resultados da estratégia pedagógica do agrupamento são visíveis e não apenas nos resultados dos exames nacionais, em que os alunos do agrupamento se destacam pela positiva. “São miúdos que se habituam a trabalhar em grupo e enquanto alunos finalistas do ensino secundário conseguem fazê-lo. Percebem que trabalhar em grupo é cada um assumir uma responsabilidade com vista a um resultado final. É um trabalho que dá origem a alunos completos”, garante.

Carlos Lima também acompanhou de perto os alunos distinguidos com o terceiro prémio, com um dispositivo de segurança para ciclistas. “Alguns vinham de bicicleta para a escola e houve um que sugeriu a utilização de sensores.” Dois anos mais tarde surgiu no mercado uma solução semelhante, o que, para Carlos Lima, vem comprovar a pertinência do projeto. Quanto aos alunos, são hoje estudantes de engenharia.

Jorge Portugal: As vantagens do ensino experimental

Diretor-geral da COTEC convida à participação na edição 2020 do prémio Portugal País de Excelência em Engenharia.

Qual a importância do ensino experimental na preparação para o mercado laboral?
O ensino experimental estimula a curiosidade do aluno para interrogar, o espírito de descoberta, e o pensamento não normalizado, bem como a introdução de forma sistemática de competências científicas transversais na resolução de problemas do quotidiano.

Qual o papel da denominada “aprendizagem por projeto” no universo tecnológico do 4.0?
A aprendizagem por projetos combina a aprendizagem tradicional com o aprender de forma ativa, através da resolução colaborativa e estruturada de problemas, competência essencial para o processo de inovação sistemática e contínua que caracteriza a era da 4.ª revolução industrial. Junta assim a aquisição consolidada de conhecimento na generalidade das áreas de formação clássica, com o desenvolvimento de competências ausente dos currículos clássicos como capacidade de iniciativa, interação social, colaboração e entreajuda recíproca e liderança.

Qual a importância de iniciativas como o prémio Portugal País de Excelência em Engenharia?
Dão visibilidade a projetos e práticas que, pelo seu mérito, podem ser replicados, estimulando a comunidade educativa – dirigentes, professores e alunos – a considerarem novas abordagens no quadro da descentralização educativa e flexibilidade curricular. As inscrições para a edição 2020 estão abertas.

 

 

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