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Portugal deve dar incentivos aos carros elétricos como fez a Noruega

Fotografia:      REUTERS/Mike Blake
Fotografia: REUTERS/Mike Blake

Mais do que apoios fiscais, Portugal deve ter medidas para tornar os carros elétricos mais convenientes para clientes particulares.

Na Noruega, os carros híbridos e elétricos já são mais vendidos do que os veículos movidos a combustível. Este é o mercado automóvel mais amigo do ambiente e no qual Portugal deve inspirar-se para aumentar a mobilidade elétrica, defende Pedro de Almeida, administrador executivo da SIVA. Mais do que incentivos fiscais, o governo português deve apostar noutro tipo de ofertas para atrair os particulares para estes veículos.

Portugal não tem incentivos de conveniência para o cliente. Na Noruega, os proprietários de carros elétricos tem vários serviços grátis, como os ferryboats e o estacionamento nas cidades e podem ainda utilizar as faixas dos autocarros”, destaca Pedro de Almeida.

A introdução destes apoios teria mais efeito do que o aumento dos apoios financeiros para a compra de carros elétricos por clientes particulares, defende. Atualmente, há um ‘cheque’ do Fundo Ambiental de 2250 euros para as primeiras 1000 unidades e isenção de imposto sobre veículos (ISV). As empresas contam com mais incentivos na hora de comprar um veículo elétrico, como a dedução em sede de IRC e a isenção de tributação autónoma.

Em Portugal, Volkswagen e Audi são as marcas importadas pela SIVA que vendem carros elétricos e híbridos. A Volkswagen tem versões híbridas e elétricas do Golf, modelo elétrico do citadino Up e ainda versão híbrida do Passat; na Audi, para já só há versões híbridas do A3 e Q7.

As vendas destes carros ainda têm muito pouca expressão em Portugal: “são dezenas de unidades”, lamenta Pedro de Almeida. O administrador da SIVA lembra que as marcas automóveis precisam de acelerar as vendas de carros elétricos para diminuir as emissões. Investir na redução significativa das emissões nos carros a gasóleo e a gasolina “seria possível tecnologicamente mas isso implicaria bastante investimento”.

A Noruega é considerado o país mais avançado na mobilidade elétrica. Segundo a Agência Internacional de Energia, a quota de carros totalmente elétricos subiu para 39% no ano passado, um aumento de 10 pontos percentuais face a 2016. A Holanda é o segundo país neste ranking, onde estes veículos têm uma quota de 6,4%.

Em 2025, o Parlamento norueguês quer que todos os carros à venda não tenham emissões. Para isso, num dos países mais exportadores de petróleo do mundo deverão manter-se os incentivos fiscais para compra de veículos e medidas para promover a sua utilização.

Em Portugal, além do ‘cheque’ de 2250 euros para os primeiros 1000 carros elétricos, as motas mais amigas do ambiente também deverão contar com um novo apoio este ano, prevê o governo.

Vendas de carros híbridos e elétricos em aceleração

As vendas de carros movidos a energias alternativas aceleraram em 2017. A quota de mercado destes automóveis passou de 2,5% para 4% no ano passado, segundo os dados provisórios da ACAP – Associação Automóvel de Portugal – e que foram ontem divulgados pela SIVA.

Entre híbridos e carros 100% elétricos, os modelos plug-in foram os que mais cresceram no ano passado (+122%). Foram vendidos 2427 carros em que as baterias são utilizadas para alimentar o motor elétrico e são carregados por tomadas próprias.

Nos modelos totalmente elétricos, foram comercializadas 1638 unidades. Ou seja, houve 638 veículos que já foram comprados sem terem beneficiado do incentivo direto de 2250 euros atribuído pelo Fundo Ambiental e que é válido apenas para as primeiras unidades.

Este incentivo, em conjunto com o reforço da infraestrutura de carregamento de veículos, terão sido os dois fatores que mais contribuíram para a aceleração das vendas deste tipo de automóveis.

Até ao final de novembro, o Renault Zoe, o Nissan Leaf e o BMW i3 foram os três automóveis elétricos mais vendidos no mercado português, segundo a ACAP. Os dados finais de vendas em 2017 deverão ser conhecidos nas próximas duas semanas.

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