Conversas PortoBay

“Portugal não pode falhar no investimento em Educação e Inovação”

António Costa diz que ganhou margem para apostar agora no investimento público. (Fotografia: Gustavo Bom/ Global Imagens)
António Costa diz que ganhou margem para apostar agora no investimento público. (Fotografia: Gustavo Bom/ Global Imagens)

O primeiro-ministro foi o convidado da semana do ciclo 30 Portugueses, Um País, organizado pelo grupo PortoBay. Costa defendeu uma aposta na educação, formação profissional, inovação, ciência e cultura.

O que não pode falhar em Portugal? Esta foi uma das perguntas que o jornalista Luís Osório fez ao primeiro-ministro, António Costa, no arranque de mais uma conversa do ciclo 30 Portugueses, Um País, evento promovido pelo grupo hoteleiro PortoBay. “O que não pode mesmo falhar em Portugal é a convicção de que a sociedade portuguesa recuperou e que é fundamental investir em educação, formação profissional, inovação, ciência e cultura.” Na opinião do líder do governo, cujo mandato acaba neste ano, é isto que fará a diferença e que explica o nosso atraso estrutural.

Antecipar desafios é outra das suas preocupações. Com o ex-colega Diogo Lacerda Machado sentado na assistência, enunciou os “quatro grandes desafios” que não podemos ignorar, respondendo a uma questão do, como o definiu, “belíssimo amigo”: alterações climáticas, demografia, transição digital e superação das desigualdades. Serão estes os pilares do seu programa para a próxima legislatura se continuar à frente do governo. Pilares esses apresentados no mesmo fim de tarde em que o Parlamento do Reino Unido chumbava o acordo que a líder britânica negociou para a saída do Reino Unido da União Europeia.

Educação essencial
Apesar de considerar a educação uma peça essencial, admite não poder satisfazer as queixas dos professores por “falta de condições.” Compreende que um professor se indigne com o facto de ter tido um certo número de anos de carreira e que isso não tenha expressão remuneratória. “Mas não posso deixar para o futuro algo que não sei se é possível cumprir.”

“No princípio da legislatura assumimos compromissos que alguns achavam que não conseguíamos cumprir e cumprimos: reposição de vencimentos, de horários, descongelamento das carreiras, atualização salarial, eliminação dos cortes de subsídios de refeição e outros. O que nos pedem é que façamos algo que nunca dissemos que faríamos e que não podemos fazer.”

Mas o verbo fazer não passou à história e está bem vivo na agenda da equipa de António Costa. A quem o criticou há três anos por ter esquecido o investimento público, o líder socialista responde agora com o Programa Nacional de Investimentos 2030.

A sua ideia foi começar por repor rendimentos para dar confiança às pessoas e aos empresários. Estimular o investimento privado para levar à criação de emprego foi a estratégia seguida. “Precisávamos desse tempo para ganhar margem orçamental e fazer mais investimento público”, explicou.

“O sucesso desta política é ter conseguido fazer tudo simultaneamente: crescimento económico, do emprego e redução da divida. Anualmente temos mais recursos para investir e que antes estavam a ser consumidos por juros e serviço da dívida. Podemos aumentar o investimento público e ao mesmo tempo baixar o défice.” Mas reconhece que é hora de “não pôr em risco o que já foi conquistado e de andar sem dar passos maiores do que a perna”.

Aquilo a que se chamou geringonça foi, nas suas palavras, “a dinâmica que permitiu ir mais longe do que acordámos inicialmente”. E isso parece ter feito explodir os ânimos e levado descontentes à rua.

“Há o problema da panela de pressão”, disse, explicando que a pressão tem vindo a aumentar nos últimos 20 anos e que as pessoas explodem num momento em que pensam que conseguem mais avanços. “A perceção é de que é agora ou nunca, porque depois das eleições as condições podem não existir.”

Manter a normalidade
Nomeia Mário Soares como o político mais completo de todos. Como se define um bom político? “Pelas suas boas características de ser humano, seriedade, responsabilidade e comprometido com a sua missão. Deve ter a visão do que quer fazer, definir e organizar um programa, reunir meios financeiros para o executar e mobilizar uma base política e social.

Sente ímpeto pelo poder, lançou Osório, um dos mentores desta iniciativa que virá a dar origem a um livro editado neste ano pela Guerra e Paz. “Procuro todos os dias não sentir [o ímpeto pelo poder] e manter-me o mais normal possível”, disse gracejando.

O seu primeiro pedido do dia é um café. Antes de se ter mudado para Lisboa, os jornais do dia eram sempre lidos nos 40 minutos de viagem até chegar ao gabinete. Com a mudança recente para a zona de Benfica, terá este ajuste para fazer e não perder nada daquilo que o quarto poder tem para dizer.

Catarina Martins, a coordenadora do Bloco de Esquerda, é a convidada da próxima semana deste ciclo de entrevistas públicas com portugueses que se destacam.

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