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Portugal pode ser líder no digital, tem é de apanhar o comboio

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Portugal pode ser líder no digital, tem é de apanhar o comboio

É possível abrir uma empresa na Estónia sem ter de se ir lá. Portugal tem de seguir o exemplo se quer atrair mais investimento

Portugal tem todas as condições para ser líder no digital e devia pôr os olhos no que se passa na Estónia. Ironicamente, há uns anos, os estónios vieram a Portugal aprender sobre governo digital e administração pública digital, tudo o que a Autoridade Tributária portuguesa estava a fazer. E agora passou-nos à frente. Esta foi uma das principais conclusões do debate realizado ontem na TSF sobre “O poder da economia digital”, promovido pela iniciativa Prémios Inovação NOS/DinheiroVivo/TSF.

“Hoje, na Estónia, pode-se pedir cidadania, abrir uma conta bancária, montar uma empresa, criar postos de trabalho, pagar impostos, tudo isso sem ter de lá ir”, afirmou João Vasconcelos, conselheiro sénior da Clearwater International, empresa de consultadoria (corporate finance house) com sede em Londres, um dos intervenientes do debate. “E a Estónia também pertence à União Europeia, à zona euro, tem a mesma regulação europeia do que nós”, por isso, isso não serve de desculpa, acrescentou Sebastião Lancastre, CEO da Easypay, instituição de pagamentos eletrónicos que reúne diferentes opções de pagamento numa única plataforma.

Esta “é a primeira revolução de todas que podemos acompanhar. Não pudemos fazê-lo com a Revolução Industrial e a máquina a vapor. Chegaram cá dezenas de anos depois. Os primeiros computadores e robôs chegaram cá nos anos 90; nesta revolução não podemos ir atrás dos outros”, defendeu João Vasconcelos. “No digital a nossa ambição devia ser sermos líderes. Neste momento somos dos melhores sítios para se ter uma empresa tecnológica digital na Europa, sem esquecer de apoiar as nossas. Não é só atrair as de fora.” Um dos problemas é que a legislação ainda é um obstáculo em Portugal. A administração pública tem essa noção, criou o Programa Simplex , por exemplo, “mas temos de ir muito, muito mais longe”, sublinhou o ex-secretário de Estado.

Para Sebastião Lancastre, “O Estado tem de simplificar e conseguir sair da frente, criar regulação para que o setor seja controlado. Mas quem tem de fazer é o privado”.

Para uma empresa vingar na área digital o que tem de acontecer de diferente? “Todos os anos há uma rapidez tal, que nos obriga a repensar o modelo de negócio de seis em seis meses”, diz Miguel Santo Amaro, o CEO da Uniplaces, uma plataforma de arrendamento online para estudantes. Por outro lado, “quando tenho outros negócios, a competência é numa escala local. A realidade é diferente”.

Também a competitividade que existe a nível do recrutamento é muito mais exigente. “Estamos a competir numa plataforma internacional, ou seja, o talento que tenho de atrair vem de Londres, Berlim, EUA e isso é uma realidade completamente diferente.”

Por outro lado, é preciso pensar de forma diferente no que diz respeito à captação de “investimentos internacionais de fundos europeus ou fundos internacionais. Nunca tinham investido em Portugal numa escala como nos últimos cinco, seis anos”, sublinha o CEO da Uniplaces.

Percebendo o potencial de crescimento deste negócio, a Uniplaces optou por não ter, para já, uma estrutura lucrativa, para poder crescer. “Percebemos que existe uma oportunidade global”, diz o CEO da Uniplaces. Há muitas startups à procura de uma posição dominante no mercado e isso implica volumes altos de investimento, sem uma fase lucrativa e é preciso crescer uma estrutura para conseguir daqui a dois ou três anos alavancar essa estrutura. Miguel Santo Amaro dá o exemplo da Jerónimo Martins, que investiu durante anos na Polónia e hoje é um player dominante nesse mercado.

João Vasconcelos, por seu lado, insiste que “no digital, a nossa ambição devia ser sermos líderes. As melhores empresas do mundo daqui a 10 anos estão neste momento a ser criadas. Gostava que fossem criadas aqui, são empresas que estão a crescer a 200% e 300% ao ano. Não vêm negociar isto ou aquele incentivo fiscal, esta ou aquela isenção”. E temos de aproveitar porque “somos dos melhores sítios para se ter uma empresa tecnológica digital na Europa”, sublinha o ex-governante.

Não é por acaso que a multinacional alemã Mercedes criou cá centenas de postos de trabalho, só para dar um exemplo”, acrescenta.

Ao atrair este tipo de empresas estamos a criar um “ecossistema”, usando a expressão de João Vasconcelos, a segunda geração de empreendedores que hoje são funcionários de startups e vão sair para formar os seus negócios, com muito mais formação e ambição, e se calhar até vão ser estrangeiros. “Foi isso que aconteceu em Berlim, em Londres e está a acontecer aqui.”

Saiba mais no site do Prémio Inovação NOS.

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