Revolução 4.0

Portugal produz cada vez mais tecnologia para fábricas do futuro

Foto: Hannover Messe
Foto: Hannover Messe

Empresas que desenvolvem soluções para a indústria 4.0 são um setor emergente na indústria nacional. É o caso da Lusospace, Glartek e DRT Advance.

As tecnologias vocacionadas para a indústria 4.0 são um setor emergente em Portugal. Cada vez mais as empresas que apostam em produzir soluções na área das denominadas tecnologias de terceira plataforma – caso do big data – ou aceleradores de inovação, como a inteligência artificial ou a IoT (internet das coisas). Um esforço compensado pela exportação das soluções criadas, bem como pelo desenvolvimento das empresas nacionais, interessadas em adquirir localmente soluções capazes de potenciar os seus ganhos de eficiência, tempo e produtividade.
Atenta a esta realidade, a COTEC tem vindo a apoiar as empresas produtoras de tecnologia 4.0. nomeadamente com a presença em certames internacionais, como a Hannover Messe.

A Lusospace dedica-se à engenharia aeroespacial e é a empresa portuguesa que mais hardware tem em órbita. Com a Agência Espacial Europeia (ESA) como um dos clientes, em 2006, a empresa começou também a trabalhar com realidade aumentada. “Quando estão no espaço, os astronautas escrevem as instruções na manga do fato e nós fizemos um estudo para usar um visor de realidade aumentada no capacete que lhes permitisse dar as instruções”, conta Fernando Sousa, chief marketing officer da Lusospace.

Entretanto, em resposta a outro desafio da ESA, a Lusospace desenvolveu também software destinado a apoiar a montagem de satélites. Por norma, é um processo de rastreabilidade minucioso e moroso e a solução criada pela Lusospace – uns óculos que permitem aos engenheiros o uso de um capacete e que coloca um desktop virtual em frente aos olhos – permite agilizar o processo. “O sistema teve um teste final com um gigante espacial europeu, a empresa alemã OHD que conseguiu poupanças globais de 26%, e de mais de 50% em tarefas impactadas pela realidade aumentada, na montagem de um painel de um satélite”, afirma Fernando Sousa, que destaca um gerador de aplicações automático como a verdadeira inovação do sistema.

Entretanto, a empresa decidiu adaptar o sistema para o mercado industrial e, depois dos resultados prometedores durante a Hannover Messe, a solução deve chegar ao mercado ainda no primeiro semestre deste ano. “Já tivemos alguns contactos de empresas portuguesas, mas é verdade que é um sistema que não se aplica a todas as indústrias. Faz sentido em tudo o que implique tarefas complexas de assemblagem manual”, afirma Fernando Sousa.
Resposta a necessidades

A Glartek é outra das empresas nacionais a desenvolver soluções de realidade aumentada, especialmente pensadas para apoiar os operadores de manutenção de uma indústria cada vez mais digitalizada. “Queríamos ajudar os operadores de manutenção a acederem e a visualizar informação, durante as suas intervenções no chão de fábrica, mas também numa forma de lhes aumentar as capacidades de resposta para possíveis problemas. A realidade aumentada surgiu como resposta e temos desenvolvido projetos em setores como a energia, automóvel, alimentar e aeronáutica, em Portugal, Espanha, Itália e Eslovénia”, explica Luís Murcho, CEO da Glartek.

“A Glartek tem uma plataforma de manutenção industrial que reúne dados de diferentes centros de informação, transformando-os em conhecimento, que depois é usado pelos operadores de manutenção através de realidade aumentada, levando a uma eficiência adicional nas suas operações diárias”. As vantagens são a redução dos custos e do tempo de inatividade necessário à manutenção.

E há também casos em que as soluções inovadoras surgem como resposta às necessidades. Foi o que aconteceu com o Grupo DRT, a atuar na área de moldes, comunicação, desenho industrial, inovação e tecnologia. “Face à oferta limitada no mercado e aproveitando o know-how, o departamento de IT do Grupo deu início ao desenvolvimento de uma solução centralizada de gestão, planeamento e controlo de projetos” recorda João Viana, cofundador da DRT Advance, empresa criada no grupo para responder às novas oportunidades de negócio que entretanto surgiram nesse mercado.

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