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“Produzir mais, em metade do tempo e com metade dos custos”

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“Produzir mais, em metade do tempo e com metade dos custos”

Este pode ser o lema da Lusiaves, mas é o que todas as empresas industriais procuram com a nova revolução industrial. O cluster dos moldes, por exemplo, está a desenvolver projectos de I&D no valor de mais de 42 milhões de euros em busca da cada vez mais eficiência do sector

O que têm as galinhas a ver com a Indústria 4.0? Esta foi a primeira pergunta lançada ao painel do debate dedicado à Indústria 4.0, realizado na Marinha Grande, nas instalações da OPEN, e no qual participaram Paulo Gaspar, responsável pelas tecnologias de informação do grupo Lusiaves, Jorge Portugal, diretor geral da COTEC e Rui Tocha, diretor do Centimfe – Centro Tecnológico da Indústria de Moldes, Ferramentas Especiais e Plásticos.

E passando à resposta de Paulo Gaspar, afinal as galinhas têm tudo a ver: produzir mais, em metade do tempo e com metade dos custos é o lema do grupo empresarial de Leiria, que acumula hoje mais de 30 empresas ligadas ao sector agro-industrial.

“Há muitos anos que implementamos novas tecnologias no grupo, para garantir que produzimos os melhores frangos, os mais seguros, os mais saudáveis. E introduzimo-las ao longo de toda a cadeia vertical, que vai desde a agricultura aos produtos mais frescos, e todas as etapas temos vários projetos assentes em tecnologia. Se olharmos para a nossa fábrica de rações, não há pessoas na zona fabril, é tudo automatizado. Nos nossos centros de abate é igual”, explica. Tudo em prol da qualidade e da eficiência: a ideia é produzir mais, com oi menor esforço, em metade do tempo, com metade do custo, revela Paulo Gaspar.

E Jorge Portugal reforça esta ideia: a indústria 4.0 vai permitir às empresas nacionais serem ainda mais flexíveis, e estarem mais alinhadas com as necessidades dos clientes. “O modelo de competitividade industrial português assenta nas pequenas séries, em estar alinhado com as especificidades do cliente e poder responder rapidamente. Esta revolução vem optimizar esta capacidade, mas acima de tudo, dar novas oportunidades para inovar mais depressa, com menos risco”. Jorge Portugal refere ainda que a nova revolução industrial chega transversalmente a todos os sectores, mesmo aos chamados tradicionais, como o dos têxteis, calçados, mobiliário, ou indústrias extractivas.

Este responsável afirma que se assiste a pequenas revoluções sectoriais, como no caso das pedras ornamentais, em que há já uma integração e colaboração entre os vários intervenientes no processo. Por exemplo, há uma grande relação colaborativa entre a empresa que explora, o arquitecto que desenha e o aplicador, pois já definem, à priori, em 3D o que desejam para o trabalho final.

Cluster dos moldes aposta forte em I&D para sobreviver

E se há indústrias nacionais a preparar a nova revolução industrial, a do moldes e ferramentas é uma delas. Segundo declarações de Rui Tocha, a indústria de moldes tem já cerca de 42 milhões de euros em projetos de Investigação e Desenvolvimento, montante este que envolve cerca de 100 empresas deste cluster, instalado maioritariamente na Marinha Grande, e cerca de 50 unidades científicas e centros de investigação. Rui Tocha prefere não falar na palavra revolução, pois para este especialista, “a indústria 4.0 não é o papão de que se fala, mas sim um desenvolvimento normal ao serviço da economia”.

Alerta que esta transição do 3.0 para o 4.0 deve ser feita numa lógica de integração das cadeias de valor, e que muitas empresas já se adaptaram, mas outras ainda não. Contudo, na indústria de moldes esta adaptação tem sido feita desde cedo, pois “empresa que não invista 10% a 12% do seu volume de negócios em I&D pode ficar fora do mercado em três anos”, revela este responsável. Afirma ainda que o facto das indústrias de moldes e tooling investirem em tanta inovação, causa alguma estranheza a outras indústrias concorrentes no estrangeiro “pois Portugal ainda é visto como um low cost country. E este investimento do cluster ajuda a melhorar a imagem das empresas portuguesas no mercado internacional”, explica.

E em jeito de conclusão, Jorge Portugal relembra que para além das competências técnicas, os novos trabalhadores do futuro deverá ter soft skills fundamentais para os desafios que se avizinham. “A preparação dos novos profissionais tem de começar logo no ensino básico. Precisamos de um ensino mais adaptado aos novos desafios, mais baseado num modelo experimental. O modelo de ensino que temos não serve a revolução industrial do século XXI”, remata.

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